domingo, 19 de dezembro de 2010

A primeira impressão é a que discrimina!

Verdade seja dita, cada um é cada um. Cometi essa redundância de propósito. Pra enfatizar o quanto acredito que a personalidade de cada um é o que define os caminhos que essa pessoa pode, e eventualmente vai seguir. E por isso mesmo é que quero desmistificar essa coisa da “primeira impressão”. Em âmbitos sociais, é até possível desfazer este estigma costumbrista, mas na arte da paquera, a magia (ou praga) da primeira impressão é algo muito difícil de ser contornado.


Isso porque, verdade seja dita, nossas ações são (muito) frutos das nossas paixões, do intrínseco passional/emocional. E o nosso passional é ativado no solavanco, não de maneira gradual. Aprende-se a amar alguém todos os dias, mas não se aprende a apaixonar-se todos os dias. Paixão é fogo de palha, amor é lenha de forno. E bem a primeira impressão é o que atiça o fogo sobre a palha de cada um.

Só que, como eu enfatizo de novo, cada um é cada um. Cada personalidade, um complexo de sentimentos, impressões e posições definidas. Bem como existem pessoas que escondem os defeitos e exprimem as qualidades em um primeiro contato, em contrapartida, existem muitas pessoas extremamente válidas que, por alguma razão, demonstram o seu pior defeito na apresentação. Ou ainda pior, alguém que é introvertido, e nada demonstra.

Vejam bem, a primeira impressão é só uma impressão. Nada mais. E perder toda a carga de valores que vem em outras subseqüentes é simplesmente passional e egoísta demais consigo. Privar-se de conhecer melhor várias pessoas.

Por isso condeno a primeira impressão como uma impressão altamente discriminatória. Se nos preocupássemos mais em ver com olhos de pessoas, e não olhos de animais quaisquer, só neste pequeno momento, poderíamos curtir a intersecção entre biológico e racional de uma maneira mais plena: utilizando-se dos dois artifícios ao mesmo tempo.

Fica a dica pra refletir um pouco!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Racionalmente Idiotas

Hoje vou cometer uma “heresia pessoal”, fazendo uma crítica ao racionalismo. Ou melhor, ao modo como os seres humanos julgam o racional. Como unidade biológica, o ser humano tem por função dois atributos básicos: perpetuar a espécie através da reprodução, e sobreviver. Para tanto, quaisquer animais se utilizam de instintos (que são uma expressão rudimentar de racionalismo).
No entanto, o ser humano apresenta uma “ferramenta especial” para tais fins: a capacidade de inteligir. O arbítrio do agente é algo que somente surge de forma completa com o homo sapiens. Porém, as pessoas não percebem que a utilização de métodos racionais sempre remete aos dois princípios básicos. Sempre buscamos soluções práticas que visem diminuir o tempo das atividades que fazemos por exigências da sociedade, para também aumentar o tempo em que agimos de forma hedonista (em busca de auto-satisfação) e biologicamente plausível.
A diferença interessante para a tomada de decisões e construções de estruturas encadeadas (sistêmicas) é que o racional começa a transcender o campo da dimensão física e passa a compreender a dimensão psicológica.
Meios de comunicação que nos possibilitam conversar com qualquer pessoa no mundo, globalização de culturas, meios de transporte que estendem a abrangência do domínio geográfico humano. Nossas soluções práticas, tecnológicas, tudo contribui para gastarmos menos tempo.
Só que há um fruto do racional que acaba por neutralizar um pouco desse “positivo” que há dentro do racional. O meio capitalista. Porque dessa forma, o ser humano emprega toda uma sociedade na busca de reduzir o tempo de esforço e serviço e aumentar o tempo de prazer. Só que as pessoas gastam todo o seu tempo tentando não gastar tempo.
Por fim, tudo o que desejamos, ao final de todo o avanço, todos os complexos processos, todas as inúmeras posses, nós todos só queremos um amor, uma família e uma sobrevivência digna. O resto é complemento.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Palavreado

Peço que não julgue meus versos
Pelos olhos de quem lê,
Pois que sentido tem julgar palavras
De quem escreve o que sente?

Que talvez me chamem de poeta
De artista criativo,
De infeliz mecenas das palavras
Que não faço, mas que vivo.

Sinto as palavras
Elas podem ser insensíveis,
Mas não eu, não o sentimento
Que as torna visíveis.

Sinto as pessoas
Elas podem não ter um sentimento por mim
E nem porisso deixarei de ter por elas
Vai ser como sempre, sempre foi assim

Amar alguém não faz
Com que este alguém te ame
Não importa se você faz tudo direito,
Sempre haverá alguem que reclame.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Só lamento...

Claro que pode, e provavelmente é mesmo, mais um dos textos em que eu somatizo generalizações. Mas fazia tempo que eu não escrevia aqui, e hoje, senti a necessidade de voltar a extravasar um pouco por este canal.

Vamos separar as coisas. Cada coisa é analisada sob uma ótica, visto um interesse e em um âmbito. Mas as pessoas não sabem lidar com isso. Se algo é errado em um âmbito, não necessariamente é em outro.

Criatividade. Esta é uma característica extremamente essencial para muitos negócios, para a arte, para o avanço e a solução. Somente a capacidade de abstraçaõ do ser humano é capaz de ver um diferencial, onde a grande maioria das pessoas vê apenas uma rotina. Lixo pode se tornar ouro.

Mas veja bem, a criatividade é extremamente desencorajada por todas as estruturas sociais até que o criativo atinja visibilidade. Somos todos colocados nas raias, somos induzidos a seguir as fórmulas de sucesso pronto, estudando as mesmas coisas, das mesmas formas, tendo as mesmas rotinas e seguindo as mesmas cartilhas.

E neste momento, observamos os grandes criativos, Aqueles que conseguem fazer, dentro dos trilhos, um caminho diferente. Aquele que inova a ponto de cosneguir criar dentro da inflexibilidade que se chama falta de capacidade.

Porque, sim, as pessoas, no geral, não são criativas, E bem porisso, desaprovam os desvios de conduta. Simplesmente pelo fato de elas não serem suficientemente capazes de criar, ou mesmo de compreender a visão de quem inova.

O criativo que tem sucesso, este sim, consegue ser um referencial. Depois de superar todas as barreiras, adversidades, ir contra a maré, se o criativo se torna importante para aqueles que não são criativos, ele passa a ser um referencial. Porque ai, muito da rotina das pessoas passa a se tornar mais prática. O criativo, no fundo, altera a rotina. Mas não extingue ela.

E o mais engraçado é.. aqueles que fazem e são a rotina, tem uma vida muito mais simples, facilitada, com o caminho traçado, com a receita em mãos.  E os criativos têm uma trilha muito mais inóspita, sem referências.. Ele faz o próprio caminho.

Creio que seja comum o conflito do criativo. Em não ver um porque na sua luta, em não ver uma luz no seu túnel. Afinal, é tudo contra.

Pode ser que o mundo crie criativos mais fortes, mas sei que, com certeza, perde muitas idéias e intenções nessa mania que as pessoas têm de odiar o que não conseguem compreender.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

As caras da verdade

Esse texto é, talvez, uma prévia do meu livro. Se algum dia eu tiver foco o suficiente pra terminá-lo. Aqui vão um pouco das idéias que eu pretendo colocar nesse projeto de vida. Afinal, juro que um dia eu ainda vou publicar um bom livro. Pretendo falar sobre as verdades. Sim, no plural. Porque este papo de verdade absoluta não existe pra nós. Se existir alguma verdade absoluta, quem sabe é Deus. E não me venha ninguém dizer que, porque acredita em Deus, você sabe a verdade absoluta. Até porque, se você confia no seu pai e na sua mãe, você continua sem saber tudo aquilo que eles pensam. Quem dirá saber de Deus.

Partindo do princípio de que a verdade absoluta não nos é palpável, ainda assim, enchemos a fala pra defender o que chamamos de verdade. E então o que estamos defendendo? Sinceramente, estamos defendendo nossos pontos de vista. O que julgamos ser válido. O que julgaram pra nós e, inocentemente aceitamos. O que nos é passado pela mídia, por pais, amigos, igrejas, políticos. A dimensão e o teor das nossas verdades dependem da época em que vivemos, da nossa capacidade de independência, abstração, discernimento.

Pra exemplificar isso, reflita. Suponha que você é um agricultor, de um lugar isolado e pobre. Vem a chuva, intermitentemente com o sol. Aí, uma pessoa mais reflexiva dessa comunidade diz que os olhos de sua divindade são o Sol, e que a chuva são lágrimas de benção dessa divindade. E que a intermitência de chuva e Sol são sinal de bênção, e que somente se isso ocorrer, virá a colheita. E ela vem. E quando é época de seca, o rapaz (ou a moça) esclarecido diz que é porque as pessoas não estão dando atenção à divindade. E as pessoas colocam sua confiança, intenções e esperanças na volta da benção. E ela volta claro. Se as coisas foram explicadas, e ocorreram conforme a observação de tal sujeito, isso passa a ser uma verdade. E o portador da verdade, alguém de credibilidade.

Nesse último trecho, veja bem, esses três conceitos explicitados. O primeiro, evidente, é o processo de criação de um conceito divino. Atribuir à natureza um caráter consciente e controlador. O segundo, o conceito de geração de verdades a partir de processos mentais, e a comprovação da verdade pelo empirismo (julgado pela capacidade racional-emocional-crítica de quem recebe essa verdade). E o último, o poder que a capacidade de convencimento/ geração de verdades gera. As pessoas com maior capacidade de persuasão e maior capacidade de racionalização de processos conseguem ganhar credibilidade para ditar conceitos e verdades. Passa a ser um agente no conceito alheio de verdade.

Outro forte moldador de verdades é o conforto próprio. A geração gratuita de esperanças na própria fraqueza e desculpas para as próprias condutas. Quando se gera uma verdade, essa verdade dificilmente será incongruente com o que se segue e acredita. E aí é que acho que Deus sai injustiçado da história. Porque o mecanismo de muitas religiões de enganadores oportunistas é justamente esse, de justificar os problemas das pessoas com o conformismo, dizendo que Deus dará, que Deus fará, e que a boa-vontade de Deus para contigo é proporcional à devoção de cada um. E a devoção se mede em orações. E em depósitos para os “transmissores” da palavra de Deus. Novamente, são os geradores de verdades se utilizando de seu poder de persuasão para tirar vantagens sobre os outros.

Então, convenhamos, no fundo, há uma troca. Por um lado, pessoas querendo masturbação no ego, na medida em que querem ouvir que há um acaso que põe as vidas nos trilhos, que problemas se resolverão sozinhos, que pra quem acredita tudo dá certo. E há pessoas que estão dispostas a usar seu tempo dizendo isso, mas cobrando seu preço. É um casamento de necessidades pessoais.

No fim, se nos convencêssemos que a verdade é que não há verdade, que quem não percebe que não pode acaba fazendo, e que todas as correntes que prendem as nossas ações têm um só nome: medo de arriscar; tudo isso seria um caminho mais válido pra efetivar reflexões, pra aprender a não ser tão controlável e confortável nessa cama de pregos que é a verdade oportuna. Gente, vamos depender menos da vontade, e mais da força de vontade.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

#10

Sei lá. To cansado de tudo o que eu ando escrevendo. De bater na mesma tecla pra reiterar o quanto eu odeio a mediocridade e a hipocrisia, e como isso me persegue, não sei se por eu ser, ou mesmo por eu achar que tenho esses defeitos. Esse ciclismo autodestrutivo de idéias, argumentações e valores vale como reflexão, mas só faz mal, e nada produz. Então resolvi por bem falar sobre outra coisa qualquer. Ainda não me veio à cabeça o que, mas sei que ao decorrer dessa página, as idéias virão. Até porque se não vierem, não haverá decorrer.

Aliás, me sinto bem agora. Como não me sentia há tempos. Hoje volto de um filme, de reflexão e de discussão. Tá bem, admito que eu reflito bastante, mas não é o tipo de reflexão que me faz bem, é o tipo de reflexão gênica e pseudoprática que me enche a cabeça. Hoje foi diferente. Debati novamente sobre questões gerais. Sobre alienação, sobre generalidades, conhecimento. O tipo de discussão que me faz crescer como pessoa intelectual, e não como um mero reprodutor (o que me aflige).

Me remete ao ensino médio. Faz um ano já. Parecem vinte. Naqueles anos que se foram, eu era bom em algo. Eu era um destaque. Não estamos discutindo a validade disso. Somente a ocorrência. Mas hoje me senti assim novamente. Não um destaque, mas uma voz ouvida. Faz tempo já. Minha voz esteve abafada esse ano. Não senti que levassem em consideração nada do que eu dissesse. Caí como que um estrangeiro em país hostil. Parece que todas as cordas vibravam e eu estava fora de freqüência e compasso para com as pessoas à minha volta.

Meios intelectuais são meu habitat. Posso ser um grande idiota infundamentado (não sei se sou). Mas só estar em contato com pessoas cuja intenção é racionalizar, é encontrar caminhos, é percorrer motivos; isso já é suficiente. Sincero eu procuro ser comigo mesmo. A contraposição de idéias é algo de divertido e prazeroso.

Então, a dica de hoje, a pequena contribuição que eu não tenho com vocês é: pratique variar. Pratique refletir. Pratique entender o trilho em que se está correndo, antes de cogitar pular do bonde sem compreender. Saber é bom. A ignorância protege, mas a inteligência fortalece. E eu vou em busca de me fortalecer.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Acontece, mas não pela sua prece.

Engraçado mesmo. Já vou avisando aos religiosos idiotas e prepotentes de plantão que não me venham encher o saco com seus argumentos infundamentados escondendo-se atrás de Deus. Não me interessa nem um pouco o que vocês pensam ou deixam de pensar. Esse é um espaço de mostrar as minhas idéias, não para colocar em discussão o que quer que seja.

Eu sou religioso. Sim, eu acredito em Deus, freqüento a Igreja e rezo todos os dias ao acordar e dormir. Mas tenho uma crítica a fazer. Não propriamente a Deus ou à Igreja. Mas à geração de comodidade a partir do conceito de Deus. SIM, CONCEITO. Não me venha com esse papinho de gente ignorante, que Deus é uma entidade acima de conceitos. Até coisa que a gente não conhece, a gente dá conceito, o chamado pré-conceito, ou preconceito, para os íntimos. Pudera, para aquilo em que acreditamos, e em que baseamos nossas vidas, temos sim, um conceito. Ou senão, não haveria Allah, Buda, Deus, Krishna ou outra divindade qualquer.

Mas justamente, esse conceito é que é deturpado. As pessoas se escoram em Deus pra acreditarem que as coisas “acontecem”. Em que esperar pode ser algo produtivo, simplesmente porque se espera por Deus. E é justamente esse discursinho comodista que me dá no saco. Essa coisa do “calma, as coisas acontecem”. É o caralho! Se você não AGIR, se não planejar, melhorar, viver, as coisas NÃO VÃO ACONTECER! Não adianta botar as mãos pra cima e pedir à Deus que te dê vitória, dinheiro, sucesso, amor ou seja lá o que você queira.

Deus te deu VIDA, e por conseguinte, oportunidades iguais a todos, para CORRER ATRÁS e conseguir pelas próprias pernas. Mesmo assim, ainda é mérito e graça Dele, a sua vitória. Então, só peço às pessoas que não me digam o ACONTECE. Só me dêem um belo copo d’água na cara, acompanhado de um “ACORDA!”, toda vez que eu estiver chateado com o que não acontece na minha vida. Porque é isso que eu vou fazer com vocês, meus amigos.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Mudanças sempre começam dentro da cabeça.

E não adianta achar que as coisas efetivamente mudarão de fora pra dentro. Claro que motivos podem surgir de dentro ou de fora, mas a ação efetiva de mudança e melhor sempre será uma mudança que começa no jeito de pensar. Como eu disse há pouco pra um amigo, os bons nem sempre têm grandes intenções, mas sempre bons motivos.

Sei lá, as vezes a gente muda por algo, por um anseio, um objetivo, a gente se adequa à realidade de conquistá-lo, e mesmo assim nada acontece. Mas é aí que mora o "pulo do gato"! A mudança que vem para bem, independente do resultado específico rende alterações generalizadas, na conduta e nos reflexos externos referentes a si..

Por isso é que eu estou convencido a mudar por mim, e creio que todos devessem tentar. Começar a perceber que as mudanças são feitas por nós e para nós, por mais que se pense que seja por outros motivos quaisquer. Porque aí, racionalizando esses processos de adequações, não condicionamos nossas condutas por resultados específicos, mas por contextualizações pertinentes!

Boa noite!
02:26 04/11/2010

Dedico em especial esse post à minha avo, Ana Júlia Guimarães, que faria 78 anos hoje. Está lá de cima papeando com Deus e rindo um pouco da pequeneza de seu neto! =D

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Beleza

Eu quero a beleza,
É somente o que eu quero,
Diria o adolescente.

E negue o quanto for
Sei lá porque você tem a necessidade
De negar o que é.

Adolescente é superficial
É uma desculpa pra não ser adulto
E não ser tratado como criança.

Eu sou adolescente.
Já que me abriram uma vaga na sociedade
Tenho é medo de ser adulto

Não posso ser o devasso que gostaria
Se adulto fora.
Posso fingir que me importo

E ter um monte de gente que finge
Gostar do que eu falo
Concordar com o que eu penso

Afinal,
Estamos todos aqui pra fingir que prestamos
No discurso.

Mas o adolescente mais perigoso
É o que acha que não é.
Ele ama a beleza, a futilidade

Ama a superficialidade que lhe é inerente
Já que Deus ainda não lhe dera tempo pra aprofundar
E renega o que pensa
Pra estar maior do que os outros
Pra ser feito menor pelos outros
E se esquecer de que é igual.

Cansei de brigar comigo mesmo
Cansei!
Eu quero ser um inconseqüente

Só não me dei chances
E nem creio que vá me dar.
Mas ao menos, estou proposto a não ser o que nunca fora.

Fuga

Tornou-se uma,
Escrever
Não sei de onde tirei
Que escrever resolveria meus problemas
Força-me a pensar algo que quero
E meu maior problema,
É justamente o pensar demais

Escrevo com um lápis, ou
Em frente ao computador
Tudo virtual
Nada concreto.
E justamente minha vida
Que era pra ser concreta
Passa a ser abstrata,
Passa a ser incorporada pelo que escrevo
Pelo que penso
E foge do que dá pra tocar.

Porquê?
Sabe-se lá
Se eu soubesse,
Provavelmente nem saberia
Escrever.
Mas saberia
Viver.

Música

Goste da que for

Você vai gostar de alguma.
Dance!
Cante!
Emocione-se!
Durma!

Mas nada, é uma opção inexistente.
Ninguém consegue não reagir à música.
É maior do que você.
Notas são tocadas, notas tocam, você.

Letras em inglês que muitos jamais vão entender
Soam acompanhando um toque de guitarras
Sabe-se lá porque, eu adoro
Mesmo sem entender o que se fala.

Não há cristão

Não há nem uma razão
Não há religião
Não há consciência
Enquanto não houver entendimento
São só árvores
E quem sopra o vento não é o seu Deus
E sim um grande ventilador plantado
Por quem se interessa em lhe guiar
Bem plantado

Deixe as raízes que lhe deram pra trás
E crie suas próprias
Raízes que se aprofundem no meio que o cerca
Todas as direções
Todo o ambiente
Todas as árvores.
Entenda onde vive.
Parabéns, você encontrou seu Deus, cristão.

Louco

São três da manhã
De novo, de novo, tão velho
Amanhã foi ontem.
E será até que eu deixe de viver amanhã
E me recorde do ontem,
Só como um dia passado
Não como um modelo passando
Como uma película 8mm
Diante dos meus olhos.

Rotina, bate
Bate todo dia,
É pedra dura jogada em água mole
Espalha tudo pra todo lado
E se mantém inteira
Pra amanhã
Pra sabe Deus quando.
E enquanto minha atitude for menor
Que minhas querências
Não há amanhã pras minhas carências

Louco é quem vive.
O resto é só palco pras loucuras
Quem vive, quem não vive.
Não é uma questão tão biológica
Não é o bater do coração
Mas o motivo pelo qual ele bate
Porque quem não tem esse conforto,
Estará eternamente morto em sua rotina
De louco. De novo, de novo. De velho.

Quando eu Quero!

Que mania de criança!
Mania essa de querência,
Mania de ditador de quem o ama
Mania de birrento de quem não o atura

Se acaba aprendendo a controlar.
Mas esquecer? Nunca.
Ninguém se esquece de querer
De querer agora.

E se amanhã eu disser que quero depois
É porque penso desde ontem,
E me remói o pensamento
Ser não mais criança.

As necessidades foram mais simples
As querências mais acessíveis
Os pais mais complacentes
As crianças mais felizes.
E hoje, quando já não sou mais criança

Invejo aqueles que não cresceram
Que em seus 20 e poucos
São crianças
Pois têm tudo o que querem.

Odeio o que amaria.
Se soubesse, eu faria!
Se pudesse, eu seria!

Detesto dançar-a-dois
Se meus pés esquerdos não fossem dois
Dançaria até sozinho.

Abomino amar os belos
Se fosse um deles,
Amaria ser amado.

Odeio não ser inconseqüente
Se as conseqüências não fossem tão não-eu
Seria eu quem eu mesmo odeio?

E veja que amo escrever,
Amo a música, amo falar.
Adoro apreciar uma bebida,
E traçar planos pro futuro.

Porque isso, eu faço,
Não sonho em fazer.

Troca, dilho!

Ah, ansiedade..
Vai embora!
Vai pra longe, pra onde não possa
Me tirar a calma,
Quando eu mais preciso
Quando nem mesmo a tenho
Tenho a calma, tenho o motivo
Ela.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Danilo Genial

O humorista Danilo Gentili postou a seguinte piada no seu twitter: "King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?" 
A ONG Afrobras se posicionou contra: "Nos próximos dias devemos fazer uma carta de repúdio. Estamos avaliando ainda uma representação criminal", diz José Vicente, presidente da ONG. "Isso foi indevido, inoportuno, de mau gosto e desrespeitoso. Desrespeitou todos os negros brasileiros e também a democracia. Democracia é você agir com responsabilidade", avalia Vicente. 
Alguns minutos após escrever seu primeiro "twitter" sobre King Kong, Gentili tentou se justificar no microblog: "Alguém pode me dar uma explicação razoável por que posso chamar gay de veado, gordo de baleia, branco de lagartixa, mas nunca um negro de macaco?" (GENIAL) "Na piada do King Kong, não disse a cor do jogador. Disse que a loira saiu com o cara porque é famoso. A cabeça de vocês é que têm preconceito. "Mas, calma! Essa não foi a tal resposta genial que está no título, e sim ESTA: "Se você me disser que é da raça negra, preciso dizer que você também é racista, pois, assim como os criadores de cachorros, acredita que somos separados por raças.
E se acredita nisso vai ter que confessar que uma raça é melhor ou pior que a outra, pois, se todas as raças são iguais, então a divisão por raça é estúpida e desnecessária. Pra que perder tempo separando algo se no fundo dá tudo no mesmo? Quem propagou a ideia que "negro" é uma raça foram os escravagistas. Eles usaram isso como desculpa para vender os pretos como escravos: "Podemos tratá-los como animais, afinal eles são de uma outra raça que não é a nossa. Eles são da raça negra".
Então quando vejo um cara dizendo que tem orgulho de ser da raça negra, eu juro que nem me passa pela cabeça chamá-lo de macaco, mas sim de burro. Falando em burro, cresci ouvindo que eu sou uma girafa. E também cresci chamando um dos meus melhores amigos de elefante. Já ouvi muita gente chamar loira caucasiana de burra, gay de v***** e ruivo de salsicha, que nada mais é do que ser chamado de restos de porco e boi misturados. Mas se alguém chama um preto de macaco é crucificado. E isso pra mim não faz sentido. Qual o preconceito com o macaco? Imagina no zoológico como o macaco não deve se sentir triste quando ouve os outros animais comentando: - O macaco é o pior de todos. 
Quando um humano se xinga de burro ou elefante dão risada. Mas quando xingam de macaco vão presos. Ser macaco é uma coisa terrível. Graças a Deus não somos macacos. Prefiro ser chamado de macaco a ser chamado de girafa. Peça a um cientista que faça um teste de Q.I. com uma girafa e com um macaco. Veja quem tira a maior nota. Quando queremos muito ofender e atacar alguém, por motivos desconhecidos, não xingamos diretamente a pessoa, e sim a mãe dela. Posso afirmar aqui então que Darwin foi o maior racista da história por dizer que eu vim do macaco? 
Mas o que quero dizer é que na verdade não sei qual o problema em chamar um preto de preto. Esse é o nome da cor não é? Eu sou um ser humano da cor branca. O japonês da cor amarela. O índio da cor vermelha. O africano da cor preta. Se querem igualdade deveriam assumir o termo "preto" pois esse é o nome da cor. Não fica destoante isso: "Branco, Amarelo, Vermelho, Negro"?. O Darth Vader pra mim é negro. Mas o Bill Cosby, Richard Pryor e Eddie Murphy que inspiram meu trabalho, não. Mas se gostam tanto assim do termo negro, ok, eu uso, não vejo problemas. No fim das contas, é só uma palavra. E embora o dicionário seja um dos livros mais vendidos do mundo, penso que palavras não definem muitas coisas e sim atitudes. 
Digo isso porque a patrulha do politicamente correto é tão imbecil e superficial que tenho absoluta certeza que serei censurado se um dia escutarem eu dizer: "E aí seu PRETO, senta aqui e toma uma comigo!". Porém, se eu usar o tom correto e a postura certa ao dizer "Desculpe meu querido, mas já que é um afro-descendente, é melhor evitar sentar aqui. Mas eu arrumo uma outra mesa muito mais bonita pra você!" Sei que receberei elogios dessas mesmas pessoas; afinal eu usei os termos politicamente corretos e não a palavra "preto" ou "macaco", que são palavras tão horríveis. 
Os politicamente corretos acham que são como o Superman, o cara dotado de dons superiores, que vai defender os fracos, oprimidos e impotentes. E acredite: isso é racismo, pois transmite a ideia de superioridade que essas pessoas sentem de si em relação aos seus "defendidos" . Agora peço que não sejam racistas comigo, por favor. Não é só porque eu sou branco que eu escravizei um preto. Eu juro que nunca fiz nada parecido com isso, nem mesmo em pensamento. Não tenham esse preconceito comigo. Na verdade, sou ítalo-descendente. Italianos não escravizaram africanos no Brasil. Vieram pra cá e, assim como os pretos, trabalharam na lavoura. 
A diferença é que Escrava Isaura fez mais sucesso que Terra Nostra. Ok. O que acabei de dizer foi uma piada de mau gosto porque eu não disse nela como os pretos sofreram mais que os italianos. Ok. Eu sei que os negros sofreram mais que qualquer raça no Brasil. Foram chicoteados. Torturados. Foi algo tão desumano que só um ser humano seria capaz de fazer igual. Brancos caçaram negros como animais. Mas também os compraram de outros negros. Sim. Ser dono de escravo nunca foi privilégio caucasiano, e sim da sociedade dominante. 
Na África, uma tribo vencedora escravizava a outra e as vendia para os brancos sujos. Lembra que eu disse que era ítalo-descendente? Então. Os italianos podem nunca ter escravizados os pretos, mas os romanos escravizaram os judeus. E eles já se vingaram de mim com juros e correção monetária, pois já fui escravo durante anos de um carnê das Casas Bahia. 
Se é engraçado piada de gay e gordo, por que não é a de preto? Porque foram escravos no passado hoje são café-com-leite no mundo do humor? É isso? Eu posso fazer a piada com gay só porque seus ancestrais nunca foram escravos? Pense bem, talvez o gay na infância também tenha sofrido abusos de alguém mais velho com o chicote. Se você acha que vai impor respeito me obrigando a usar o termo "negro" ou "afro-descendente" , tudo bem, eu posso fazer isso só pra agradar. 
Na minha cabeça, você será apenas preto e eu, branco, da mesma raça - a raça humana. E você nunca me verá por aí com uma camiseta escrita "100% humano", pois não tenho orgulho nenhum de ser dessa raça que discute coisas idiotas de uma forma superficial e discrimina o próprio irmão.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Poema de Duas Caras

Quando nasci, meio que eu
À sombra de quem nunca viu
Sem anjos tocando trombetas
Sem gauche, sem medo, sem frio

Veio um Deus reto,
Me disse palavras de vento
Num frenesi, olhando pro teto
Entendi o porque "não entendo"

Vai, Cristiano!
Vai ser..
Só ser, só fazer ou não.
"Gauche" é esquerdo em francês,
Errado mesmo, é o que não se fez

Se levantar as mãos pro céu,
Não vai cair nada
Até porque daquela altura
O que vier, mata.

Se você ainda não deu certo,
Garanto não é minha culpa.
Põe na conta do livre-arbítrio,
E de seus mandantes arbitrários.

Vai, Cristiano, ser alguém,
Pelas próprias pernas,
Caminhe o seu caminho, não o dos outros
Esperar respaldo de Deus
É querer que eu te dê mais que a vida

E que tome o direito de vivê-la
Como queira.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

"Tocar o Foda-se" for dummies

Assim, a minha seriedade em relacionamentos sempre foi a corda ao redor dos meus pés. A verdade é que mulheres sa minha idade não querem compromisso. E nem os homens. Eu sei lá de onde tirei essa mania de levar a cabo essa idéia esdrúxula. Mas é complicado.

Meu grande sonh era tocar o "foda-se", deixar de me importar, curtir igualmente aos outros, sem consequência, sem remorsos, sem sentimento, essa convençãozinha social que um monte de crianças de 14 anos insistem em alegar que é amor. Mas cê acha mesmo que conseguiria?

Pois bem, acho que de tanto tentar, acabei conseguindo em todos os âmbitos menos no que eu queria. A propósito, no âmbito relacionamento, isso só piorou, já que agora consta mais uns 2 anos de reflexão, estereótipos desvendados, comportamentos fichados e descrença. Fora isso, acabei tocando o foda-se em todos os outros ambitos, deixando de curtir 100% amigos, eventos, família, conquistas, faculdade, habilidades. Tudo isso ficou tão negligenciado, tão apagado frente ao questionamento social, que acabou sendo tocado pra escanteio.

To falando isso como um alerta. Será que vale a pena sucatear a sua vida por amor? Será que não se pode viver bem e feliz sem um? Não que eu queira, mas as vezes é bom perceber que a busca incessante por amor pode acabar comprometendo ostras partes da sua vida, ferrando você lá na frente, já que vai ficar sem formação, amigos, suporte, experiência.. e sem amor também.

Boa noite!
00:51 26/10/10

sábado, 23 de outubro de 2010

Pra falar de Política e Medicina e Academicismo.

Fui "gentilmente" convidado a escrever para o jornal "O Patológico", do Centro Acadêmico Adolfo Lutz (Medicina Unicamp).

Esse é o primeiro texto que será encaminhado para publicação. Espero que seja publicado.


Queremos falar de política? Queremos falar somente de política? Queremos discutir juízo de valores em um espaço que pede idéias de valor?

Então, vamos falar de política. Mas não sem Medicina. Em um espaço criado para acadêmicos de Medicina, acho que não seria menos do que justo tratar de qualquer assunto de interesse dos acadêmicos, mas, lembremos de que não deixamos de sermos aspirantes à escola de Esculápio.

Pois bem, falando de Esculápio e Hipócrates, peguemos justamente o contexto clássico em que eles viviam. Contexto esse em que surgia a valorização do conhecimento, o homem como "medida de todas as coisas", o antropocentrismo e o racionalismo em alta. É nesse âmbito que surge a política como expressão cultural-social. Como o próprio nome remete, política vem de "Pólis", cidade, e representa em seu vocábulo, a "ciência de discussão acerca de interesses que remetem à cidade, e por extensão a todos que dela fazem parte: os cidadãos". É importante observar que falar de política não se restringe a discussões de posicionamento político, de medidas, de ideologias. Discutir política excede as discussões de rodas politizadas e excludentes. Discutir política é discutir condutas, buscar resultados e promover melhoras.

As instituições de hoje têm, em seu cerne, funções e delimitações definidas. O grande problema logístico e ideológico das instituições é a mescla entre orientação política, conduta e aspectos pessoais. Quando, à frente de uma instituição, há alguém com uma posição política definida, com uma conduta engessada em métodos supostamente melhores do que quaisquer outros (e completamente não-passíveis de críticas construtivas), e principalmente, que leva em consideração aspectos pessoais pra levar a frente uma congregação coletiva, essa instituição está fadada à desaprovação de seu público-alvo.

É interessante notar que sermos politizados é COMPLETAMENTE diferente de sermos políticos, que também difere muito de praticarmos política. Outro grande entrave surge daí, já que, se alguém começa a levar pra vida esses termos mal-explicados, esse alguém passa a se considerar político por ser politizado, ou vice-versa. Partindo daí, gera-se uma linha de conduta baseada em preceitos equivocados, que ferem o funcionamento de indivíduos e instituições.

Ser politizado é, basicamente, ter informação, discernimento, embasamento de vivência e de teoria. Ser político é, dentro do termo-comum, ocupar um cargo na estrutura estabelecida de admnistração, legislação, direito e poder. E por último, praticar política é lidar com pessoas em determinada situação/meio social de maneira a conseguir, através de conduta e discurso, gerar um assunto, uma pendência, uma necessidade ou mesmo uma vantagem. Praticar política é saber lidar com outros em uma sociedade.

Então pense bem, em qualquer instituição, existem aqueles que são políticos. Eles podem ser políticos que praticam política e são politizados, em um contexto ideal. O grande problema é quando isso é incompleto. Ou um político politizado e completamente alheio à argumentação, ou por outro lado, um político que não sabe sua função, mas lida muito bem com a sociedade.O primeiro caso será execrado. O segundo terá sua posição mantida. Ambos são desvios comportamentais.

E dentro do âmbito da Medicina, ser ambas as coisas é essencial. Um médico lidará com hierarquias, com instituições, com ordens e logística. Terá que tomar decisões conjuntas, com equipes multiprofissionais. E mais importante, terá que lidar com pessoas e suas necessidades, anseios, opiniões e crenças, tudo isso pra poder salvá-las e/ou ajudá-las. Se tivermos médicos excessivamente intransigentes, teremos pacientes desinformados e insatisfeitos.

E dentro do âmbito acadêmico, mais especificamente em uma instituição de massa, seja ela qual for, ser ambas as coisas também é essencial. Colocar no bolso uma instituição de posse e raio de ação coletivo é pedir pra ser criticado por uma massa razoável. Quando, numa instituição para muitos, segue-se a linha de raciocínio de poucos, priva-se uma grande maioria de usufruir plenamente, de ter coisas e funções acerca dos interesses da maioria. Fechar uma instituição coletiva para interesses, opiniões, ações e movimentos pessoais e ioneficaz e egoísta. Já tivemos inúmeros exemplos disso, como no Partido Comunista Chinês e Russo, como nas ditaduras militares, como no Nazifascismo e como em expressões absolutistas. O ponto comum desses movimentos é a insatifação da maioria e a crítica generalizada que os fez cair por terra, seja por incompetência, por guerras ou levantes sociais.

O bom líder é aquele que não gera constantemente motivos para ser criticado, pois uma vez que sua fraqueza é percebida por aquele que está sob sua jurisdição, esse alguém passa a ser forte na influência sobre a sua até então soberana decisão. Ou seja, ele perde seu status de líder.

Quer ser intransigente, mostre-se complacente.

domingo, 17 de outubro de 2010

Gregory House, M.D.

Vou ser um pouco repetitivo aqui, afinal, é muito comum escrever sobre algo que se gosta. Mas sei lá, eu sempre fui um cara crítico, sempre odiei a maioria das modinhas e tendências, o que faz de mim um grande idiota para a maioria das pessoas, e que faz de mim, eu mesmo, pra quem importa. Mas “House M.D.” sempre me intrigou, por ser uma série de difusão impressionante, podendo ser considerado até mesmo uma modinha que me pegou no contrapé.

Posso dizer que eu fiz a contramão de meus amigos que gostam da série, já que muitos deles resolveram fazer Medicina graças à série. Eu comecei a cursar Medicina, e depois, por coincidências do destino, acabei cruzando meu olhar por uma tela que tivesse essa brilhante atuação de Hugh Laurie na pele do Dr. Gregory House. Mas mais curioso de tudo, é que pouco me interessa a parte médica do seriado, muito embora o enredo de David Shore tenha seu quê de genial e lúdico nesse setor.

O que me intriga mesmo é a porção social e emocional, a profundidade da série como um legítimo e inovador drama. Foge dos padrões das séries de hoje, com histórias de amor clichês ou humor fino. Transcende isso para um âmbito sincero de relacionamentos, conflitos, desvios morais, conformidades e, mais importante, o jogo de aparências, os paradigmas quebrados pela figura do Dr. House.

Quem acompanha meus textos irá perceber claramente o posicionamento crítico, racional e essencialmente anti-hipocrisias. E a desmistificação do meu interesse, mais do que pela série, pelo personagem de Laurie, é o modo de pensar dele. Os conflitos que advém da quebra total da hipocrisia, do sucateamento de julgamentos alheios, da valorização (até excessiva) da própria intelectualidade, da sinceridade arrogante, das mentiras convenientes.

Toda uma carga de conceito e realidades diferentes do que é vendido por todas as séries faz com que eu me sinta envolvido. Tudo o que eu prezo, e que me ferra muito por seguir, que é essa coisa de querer “preto-no-branco” e ser taxado de inocente, tudo isso me leva a crer que “House M.D” é algo mais do que os seriados que eu costumo orgulhosamente ignorar.

#9

Como onze jogadores, em suas posições adequadas não fazem um time. Sim, metáfora inútil, mas pra explicar coisas bem pertinentes. Estarei vestindo completamente a carapuça, enquanto falo aqui. Defendo a transitoriedade da situação, mas façamos uma breve reflexão.
Os caras que um dia já se sentiram rejeitados sem motivos vão ter um referencial pra entender um pouco disso, apesar de que, assim como eu, ainda vão continuar chateados.

Na nossa sociedade, a atração, que é coisa tão biológica/natural, foi condicionada. Assim como cães se condicionam a fazer as necessidades no jornal, como pombos-correio retornam ao local de origem, podemos ser condicionados. E se o sucesso social consiste em coisas como riqueza, beleza, e coisas mais, isso se mescla com a nossa carga biológica, definindo assim, o que nos atrai. É claro que algumas pessoas são diferentes, como alguns cães continuam urinando no tapete, ou como existem pombos que não são correio. Mas estamos tratando da maioria, Ok?

Então, o que se prezaria em teoria, considerando todas as variantes existentes seriam coisas como: boa conversa, beleza, bom nível social, bom físico, inteligência, atenção, um leve de romantismo, um muito de iniciativa e invasividade (a famosa “pegada”). Com destaque maior de algumas coisas sobre outras, dependendo de fase da vida, de criação, círculo de amigos, e outras tantas coisas. Habilidades, sensibilidades e principalmente uma coisa básica: consciência de que se é desejado, baseada em fatos, motivos ou mesmo mentiras, porque no fundo, é só um reflexo de atitude.

Eu digo isso refletindo um caso pessoal mesmo. Eu gostei muito de alguém. Fiz tudo, tudo o que pude dentro das minhas limitações. Mas mesmo assim, uma mescla de falta de conceitos que, em teoria seriam bem atraentes para a garota da qual estava afim não permitiu que eu “mexesse com ela”.

Cabe aqui uma breve explanação. Essa coisa de “mexer” é justamente uma comunhão dos atributos mais evidentes que importam pra uma mulher ou para um homem. É simplesmente uma atração gerada sem ação. É o que ferra a vida de quem não foi agraciado por beleza, iniciativa e/ou lábia.

Mas voltando, a garota disse que adorou tudo o que fiz, que eu tinha várias características, a grande maioria delas, para que ela gostasse de alguém, mas que não dava. Resumindo, não havia nem motivo aparente para essa rejeição. Aí mora uma fonte de meses de frustração, choro, e todas essas viadagens que todos escondem, mas que todos têm, e eu é que não me prenderia à hipocrisia de achar que seria uma ferida na minha masculinidade. Quem é convicto de si, é convicto de suas atitudes, e tenho dito.

Enfim, hoje, cheguei a essa conclusão, que remete à metáfora do início do texto. Na concepção dela, eu tinha onze jogadores, mas não um time. É a mesma coisa de ter todas as tintas e não ter um quadro. Porque, pelo menos na fase da vida em que ela está, simplesmente vale mais ter um time pronto, ter alguém que convenientemente “mexa” com ela, a despeito de qualquer problema que isso possa acarretar, do que ter jogadores pra treinar. É mais simples se deixar arrebatar por paixões do que construir um amor.

Seja como for, nessa dor de cotovelo literária, só faço isso porque procuro algumas respostas. E não publicar esse texto seria continuar com os pensamentos presos na cabeça, limitados ao meu julgamento.

Óbvio, claro que eu posso, e devo estar errado. Talvez mesmo ela só disse isso pra que eu me sentisse menos compatível com o que realmente sou. Óbvio também que não deu certo. Mas, fazer o que... Ninguém quer escolher por quem se apaixona. Nem eu por ela, nem ela por quem lhe convenha.

Acho que ta bom por isso mesmo... Hasta luego.

#8

Efetividade e objetivo. Como são dois conceitos interdependentes e pessoais. É tão pessoal que chega a ter um conceito para cada um. Mas tô aqui mesmo é pra dar o meu próprio, então, fiquem a vontade para ignorarem tudo o que eu disser.

O ponto é: PARA MIM, a efetividade é a base da felicidade. Mas efeito é resultado de algum processo, e processos se realizam com vista em objetivos. É justamente onde a efetividade para cada um é ímpar, na medida em que cada um objetiva um conjunto de coisas com suas ações. Tendo duas pessoas de ambições diferentes em situações semelhantes, podemos ter uma considerando sua conduta efetiva, e outra, considerando-se insuficiente. E obviamente, a inquietação do ambicioso fere um pouco a simplicidade do acomodado.

Às vezes as pessoas acham alguém perfeito, alguém lotado de qualidades, e vêem que, mesmo assim, esse alguém não consegue ser satisfeito, em um contexto onde a grande maioria estaria. Mas seja por que for, acredito que essa ambição é que faz a pessoa se destacar, que faz ela buscar algo mais do que a média, que as pessoas comuns.

O mais curioso de tudo, é justamente o fato de que, a grande maioria das pessoas que é um expoente, um destaque, se destaca não só por uma, mas por várias coisas, muito embora haja uma característica preponderante. Mas, se não tivesse esse algo, não seria reconhecido pelo seu resto, seria mais um na multidão.

É bem por isso que o verdadeiro expoente, o válido expoente, tem que ter ralado muito tem que ter tido inúmeras qualidades pra se fazer valer em uma, de maneira espetacular. Frente a verdadeira ambição, ser bom é nada. É preciso ser o melhor, o mais efetivo, com os objetivos mais espetaculares.

#7

To no meu quarto escuro, aqui em Minas Gerais.. à uma hora da manhã, aproveito o que há de excelência pra escrever: clima agradável, estado de espírito em paz e o silêncio inerente de uma cidadezinha de interior. A pena é que as mesmas condições que me inspiram são as condições que vem carreando consigo um poderoso sono. Por isso, aproveito ao máximo esse tempinho que me resta, antes que as areias do João Pestana se façam ciscos convenientes nos meus olhos sonolentos.

Não sei quantos dos meus leitores já acompanham o Matchbox desde tempos ligeiramente mais remotos, para que seja possível perceber uma diferença que me ocorreu hoje, uma mudança estilística. A verdade é que eu me tornei extremamente mais situacionista, na medida em que praticamente todos os textos contém traços do meu dia-a-dia, e não simplesmente um compilado de idéias jogadas.

O bom disso é que gera uma nova forma de interpretação muito mais rica dos textos em geral, pois como cada qual traz diferentes situações, costumes, atividades e traços de personalidade e estados de espírito por detrás do texto, a sua interpretação passa a levar em conta, não só a sua interpretação como também o que propriamente o autor pretendia , o que ele tentava articular, com que interesses ele se disponibilizava frente ao papel.

Uma coisa é ver camões criticando, outro é saber acerca de suas motivações, do seu contexto social-político e cronológico.

Enfim, o sono me pegou. Boa noite.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

#6, por engano!

Fui abrir umm link aqui, acabei clicando errado, e abriu-se a página de "Criar Postagem" do Matchbox. Não acredito muito em destino sem livre-arbítrio, mas é oportuno escrver aqui. Não sei o que ou escrever, mas veremos no que vai dar.

To aqui num intervalo entre provas, sem nada pra fazer, sem ânimo pra estudar, comendo um chocolate e divagando. Vícios! Meu Deus, to aqui pensando em vícios (nesse momento eu olho para o chocolate). Porque será que temos vícios? Comportamentais, de consumo, químicos, entre tantos outros. Alguns são explicáveis, outros, nem tanto.

Um vício por chocolate é logico, já que, na nossa carga genética, há algo que pede carboidratos, que pede um substrato energético de fácil degradação. Um vício por cigarros e drogas é justificável, pela liberação de dopaminas, pelas alterações fisiológicas e decorrências psicológicas. Não é certo, é justificado.

Agora, os vícios mais perigosos para o ser humano médio, comum, são os de comportamento e conduta. Quando se acostuma com uma linha de ação, e passa a não se aceitar condutas alternativas. Quando se passa a cometer os mesmos erros sempre, por orgulho e vício. E o mais legal, é que viciados em qualquer coisa adoram dizer que não são viciados. Adoram dizer que suas atitudes cíclicas são opção, são coisas que eles fazem de forma controlada e cosnciente. Sendo isso, atesta-se além de tudo, burrice.

Bom, pra um texto acidental, já é suficiente =D

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Mais uma introspecção. #5

#5, porque escrevi o #3 e o #4, só estou com preguiça de publicar. E também, foda-se, dou o nome que quiser ao texto, afinal, ele é uma das poucas coisas que são minhas, e ninguém tasca.

Ando introspecctivo nos meus textos. Ao som de Dave Matthews, na música que me arrancou lágrimas dos olhos nipônicos em pleno SWU "Crash Into Me", to aqui escrevendo mais um pouco, numa véspera de prova, atolado de matérias pra estudar. Mas vou fazer o que, se nada mais me ocorre, se a matéria não ta entrando na cabeça, e se principalmente, a inspiração é o meu único escape da mesmice do dia-a-dia.

Sei lá. Quero meus sonhos de volta. Tudo o que realmente é prazeroso como um sonho de vida é culturalmente dificultado pelas pessoas. Parece que ninguém acredita que alguém possa ser plenamente feliz com um sonho. Ou que não tem esse direito. E foi criada toda uma cultura de inibição dessas vontades mais pessoais.

Diga lá ao seu pai que você quer ser cantor ou jogador de futebol? Diga lá e depois me conte o resultado. Nesse ponto, tenho que agradecer ao meu pai, pois ele foi sincero e realista no que me disse. Disse que eu tenho de correr atrás do sonho, mas que primeiro deveria me garantir com uma profissão mais segura. Ele está no seu papel de pai sensato e eu não o culpo.

Mas o meu emputecimento é justamente a morte do sonho. Porque é que ser artista é melhor do que ser médico, engenheiro, advogado? Porque a necessidade alheia de ordem material e bem-estar físico se sobrepõem ao bom estado de espírito? Pense bem, há músicos muito bem remunerados, mas são poucos, e selecionados, e mais importante, tem um background de capital e influência por detrás da sua ascenção.

Aí, é onde se perdem grandes músicos, grandes esportistas, grandes escritores. E mais importante, aí se perdem pessoas que podem ser plenamente felizes com o que fazem. Não estou dizendo que médicos, engenheiros e advogados são tristes. Mas que eles o sejam por opção plena de escolha de conduta, e não de bem-estar social. E eu também não me acho um potencial escritor, cantor ou esportista fantástico. Somente gostaria de tentar sem uma tendencia social de me dobrar frente às dificuldades quase intransponíveis.

Há quem venha me dizer "Ah, mas se você tiver boa vontade, dá certo". Hum. Não é bem assim. Por exemplo (e posso dizer isso sem medo de inventar nada), pra passar num vestibular de Medicina, que é difícil pra caramba, você precisa se esforçar e estudar. O resto é tranquilidade. Agora, pra ser músico, faça a mesma coisa, e mesmo assim, pode-se se ferrar. Pela determinação social de função e mérito. Quem disse que eu tenho que contribuir para a sociedade? Eu acabo inserido nela, e acabo apreensivo por não contribuir. Mas se amanhã eu resolvesse sentar num sofá e ver TV o dia todo, porque não posso fazer isso?

É de onde vem a minha revolta. Mais do que nunca eu quero ser músico. Eu quero curtir a juventude, quero usar o pouco de criatividade que tenho pra me dar prazer, pra me sentir bem. Sentar numa cadeira e estudar nunca foi sonho de ninguem. Talvez o mérito de ganhar um Nobel seja motivação para muitos. Mas o processo de estudo é chato. Talvez até o adquirir conhecimento seja prazeroso, mas o tempo pra isso é o esforço, é o preço, e não é bom.

Eu tenho prazer em tocar violão, em cantar. Fazer o que. Quisesse eu fazer isso direto pra ver. E eu quero. E preciso de motivação pra continuar o caminho das pedras capitalistas, ou senão... Senão não faz diferença. Mas eu também não farei nenhuma diferença.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Só sabe quem nunca foi.

A dor de quem sente é sempre uma
Dor diferente de quem já sentiu.
E quem agora mente em predizer o mar.
Mira suas esperanças nas águas de rio.

Pode acabar de começar um novo fim
No fundo amar sem saber, não passa de ser “estar afim”
Eu sei, ou saberei que quando eu achar alguém assim
Não vai durar, mas que no fundo eu digo sim.

Quem disse que fossem eternos os vários amores da sua vida.
Não se preparou nem uma vez e chorou em todas as despedidas.
Por certo que fora um apaixonante amador,
Nunca fora verdadeiro amante, nem amor.

Eu quero meus vinte e poucos anos pra poder errar
E fazer tudo o que a vida não puder evitar,
E ser imperfeito, essência de quem respira
Porque aos trinta e já amor que sabe como amar
Eu saiba não causar a despedida,
Amor da minha vida!

Adolescentes não amaram, se apaixonaram
E disseram da boca pra fora o que devem dizer agora
Que não o dizem por terem o feito fora de hora
No fim, saberá amar, quem nunca amou pra valer,
Mas soube aprender sem ir embora.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Covers!

Galera, to fazendo uns covers em voz e violão, sempre que der tempo, coloco mais alguns. até agora, tem 12, sendo 3 livres e um arquivo RAR com todos os 12.

http://www.4shared.com/account/dir/c01Yp7jZ/sharing.html?sId=nMyzuowMIhQQmMgK

Esse é o link da pasta no 4shared.
Façam o download e divulguem, se gostarem!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Tiririca

Fantástica repercussão do palhaço Tiririca no cenário político nacional. Temos duas pontuações bem estabelecidas.

Primeira. O povo brasileiro é totalmente transparente (e burro). Ninguém está nem aí com política mesmo. Já é tão embuido de críticas sem perspectivas de melhora e velhos trâmites que aceitamos sem reclamar, que simplesmente deixamos a coisa com está. "Pior do que tá, não fica". A questão é que, pior, realmente não fica, mas melhor, fica sim. Se mais pessoas de bem se engajarem com política, se tivermos um povo politizado e que cobra de seus representantes, e mais, que cobra de si uma postura engajada e bem-informada, os políticos vão ser reflexo do povo. Assim como o são hoje. Um bando de gente nem aí pra nada que não seja os próprios interesses.

Segunda. A imagem de tiririca como um ponto de crítica. Colocar no poder um palhaço, que tenho minhas dúvidas se sabe escrever, mas esperto, sei que ele é. O que significa isso? Significa que o povo TEM consciencia que a política está uma merda. Há todo o caráter da graça e do protesto contra o sistema vigente. Tiririca, assim como Clodovil, Túlio Maravilha, Maguila, Marcelinho Carioca, Mulher Melancia, Netinho, etc. São pessoas que não se importam exatamente com o que o povo pensa. Eles estão lá sinceramente com o pretexto da auto-promoção. Não há o velado disfarçar pra conquistar o eleitor. Daí, o protesto ineficaz para uma mudança.

Vamos nos unir em torno da "bandeira" Tiririca. Que o palhaço no poder simbolize o quão palhaços somos nós, não promovendo alterações significativas, mas protestando apenas com graçejos. Se nós associarmos a imagem do graçejo, a "imagem Tiririca" à uma postura engajada e eficaz na promoção da melhora das estruturas viciadas estabelecidas, podemos ser Tiriricas que realmente podem fazer algo mais do que promover risadas!

O Ópio do Chato.

O ópio do chato é reclamar. E não lhe tire esse direito que o entorpece e o priva por breves instantes da sua chatice. reclamar é uma experiência transcendental que todo "homo sapiens", como bom chato que é, experimenta e adora.

Só que o verdadeiro chato é aquele que não se contenta em reclamar, pura e simplesmente. O verdadeiro chato reclama o tempo tudo, joga a culpa de tudo em alguém. Resumindo em miudos, você fuma o barato e joga a culpa da reação adversa no ar que você respirou junto. O grande e genuíno chato não admite que ele pode ser a grande e real fonte dos próprios problemas. Porque é chato!

O reclamar tem todo o seu paradigma. Há um acordo de cavalheiros que há muito, não é mais respeitado. Sabemos que reclamar é construtivo, quando feito com motivos e com conhecimento de causa. Reclamar bem implica em saber o problema e já ter em mente uma solução. Falar que está tudo uma bosta e não saber o que fazer pra mudar é uma bela merda que, no nosso contexto social, todo mundo aprendeu a fazer.

Coisa mais comum que existe, desde creches até empresas, é aquele cara chato que critica tudo. O filho da puta só sabe olhar pra tudo quanto é canto, e dizer que falta algo que não tá legal, que exige melhoras. Oque não está legal, que tipo de melhora existe? Se você questiona esse ultramegasuperchato dessa forma, é pior do que dar um murro na cara dele. O cara vai engrossar, vai dizer que você é intransigente, que tudo é uma merda e que por causa da sociedade em que vivemos a crítica não é bem aceita e por isso tudo no Brasil é mais ou menos, blá blá blá...

O chato se defende como pode. Pelo áureo direito de reclamar sem mexer a bunda da sua poltrona confortável, o chato se defende fazendo o que ele sabe melhor: reclamar! De quem? De você, que critica, aí sem chatice, a característica da crítica do chato: uma característica não-construtiva. A crítica pela crítica, numa profissão de fé da chatice. Isentando de culpa e fazendo aparecer desde a Grécia Antiga!

A melhor coisa pro chato, é conseguir estar num cargo de chefia. Porque daí, ele vai falar que está tudo uma merda, e quem está por baixo que se vire pra descobrir o que é o problema. Por isso que chefe é uma imagem de filho da puta. Porque existem chefes chatos que estigmatizam o conceito de crítico acomodado ranzinza. Aí, fodeu a bicicleta.

Quer resolver a vida de um chato, com o intuito de ele parar de ser tão chato (anular, acho que é impossível). Consiga uma MULHER pra ele. Os espécimes masculinos são estranhamente suscetíveis à felicidade em êxtase na companhia de uma mulher. E mais impressionante, por mais que o chato continue sua empreitada na crítica imbecil, parece que a companhia feminina modula a chatice, levando-a à um nível suportável.

Contra a chatice, contra a overdose de opióides reclamatícios, só tem um remédio: felicidade. É o que falta pro chato. Então, se quer uma vida menos criticada, faça um chato feliz!

O Dono da Verdade

Não. Caralho, não queira ser o dono da verdade. Ou queira se você não disser a ninguém. Eu estou puto da vida, faz muito tempo. Hoje foi uma manifestação, um simples "deixar acontecer" da natureza. Eu sou preso nas minhas verdades. Sou intransigente demais pra admitir que os outros estão certos.

Claro, saber e admitir são duas coisas completamente diferentes. Eu sei que estou errado. É só olhar pra minha vida e ver que ela é perfeita com ressalvas. As ressalvas são processos simples que se tornam monstros intransponíveis, justamente pela minha síndrome de dono da verdade.

As pessoas falam sobre alienação, qúe é uma coisa ruim, que as pessoas se deixam controlar quando estão alienadas. Mas quem disse que isso é ruim? Quando a alienação vem acompanhada de uma série de preceitos que permitem a padronização do conhecimento, ou seja, a facilitação dos processos, pra que odiá-la?

O problema é justamente ser incapaz, por desvios comportamentais, de seguir a cartilha, entrar no jogo. O dono da verdade é o cara que por algum motivo conseguiu desenvolver um raciocínio paralelo com alguma significância. E não consegue mais voltar ao pensamento-padrão.

Minha dica é: não pense demais, seja padrão, entregue-se ao comum de ser e agir. Porque inovar onde já há soluções cabíveis é uma grande e desnecessária merda. Assim como eu o sou.

domingo, 26 de setembro de 2010

#2

Outro da série sem rótulos. Pra começar, que “sem rótulo” é um rótulo. Mas deixemos essa pequena digressão de lado. Estou num carro, indo pra Campinas, voltando de um fim de semana totalmente atípico na medida em que saio dele sem impressões. Tá, isso é irrelevante. Mas é um bom pretexto pra começar a divagar.

Sinceramente, estou sem muitas inspirações pra aumentar o repertório desse espaço. Mas acho que a necessidade de colocar alguma coisa no papel (ou melhor, na tela), pra deixar fluir mais idéias, pra significar mais alguma coisa no dia de hoje. Acho que é esse ímpeto que me impediu de fechar o notebook e tirar um cochilo.

E sei lá, justamente o que se passa nesse fim-de-semana, esse grupamento de nada-em-cadeia, essa sucessão de coisas que não fizeram quase nenhuma diferença na vida. Me leva a pensar que busca idiota é essa de fazer cada minuto valer a pena. Claro, o valer a pena é relativo pra cada um. Se o referencial “zero” é o cotidiano, a vida vai tardar a valer. Mas se é a
vida em si, então qualquer dia trancado em casa, em silêncio é uma vitória a ser comemorada.

Convenhamos que essa última idéia é um tanto quanto conformista, na medida em que tudo é (parece) satisfatório. Mas também a exigência demasiada é prejudicial, na medida em que nada do que se faz parece bom o suficiente. O método de comparação dá margem a isso. Porque, isoladamente, sempre haverá alguém melhor do que você em qualquer aspecto.

Besta de mim, admito que eu faço parte do segundo grupo. Besta de mim, porque sinto que nenhuma vitória é boa o suficiente, nenhuma situação é satisfatória o bastante. Parece uma inquietação constante, querendo o que não se possui. Auto-afirmação constante, seja intelectualmente, socialmente, musicalmente, esportivamente, e o mais destrutivo, no que tange opinião.

Pior ainda, quando nem de perto se é o melhor em algo. O patamar mais temido pelo inquieto: a mediocridade. O constante estar na média, ser razoável em tudo, ser completamente coadjuvante de qualquer coisa. É o meu maior medo. Sinto que se você é ruim demais ou bom demais, há todo um realce, um destaque que segrega o destacado do mediocritas. As pessoas medianas tendem a se permutar e gerar mais pessoas medianas, e assim, com essa postura de destino, de aceitação de um futuro que não é seu, mas de algum desentendido que resolveu chamar-se destino. É a arma maior de anular vontades de vencer.

A postura que sempre nivela por baixo, a pessoa medíocre sempre pensa “há piores”, E eu nunca vou me conformar em fazer parte disso. Ok. Pode ser que eu já seja, pode não ser uma opção. Eu posso simplesmente ser alguém aquém das minhas ambições. Mas ambições, ah! como as tenho! Ah! Como as amo! Não sei se a ambição pode me levar para um patamar diferente do normal, mas juro que ela é a força motriz da minha vontade e aspiração de mudança.

Mas sei lá. Ainda não descobri a forma de não ser um grande e velado coadjuvante. A sensação constante de ser dispensável. A grande impressão de que sua existência no mundo é irrelevante. Não, não estou em depressão, nem tampouco pensando em me suicidar. Eu sou egoísta demais pra isso. Juro que, a despeito de toda a moral que nega isso, eu me amo! Pra mim, obvio que eu não sou coadjuvante, afinal sou astro diretor e produtor do constante filme que transpassa pelas minhas retinas. Em widescreen!

Mesmo assim, mesmo sendo a diferença pra mim, eu ainda sinto que para o resto do mundo, que eu sumisse amanhã, e ninguém ia notar a diferença. O mundo não seria um lugar mais triste por isso. Talvez menos crítico, mas definitivamente, não mais triste. E é por isso que eu to me questionando. Como é que eu posso fazer para fazer a diferença, pra ser levado a sério, pra ser relevante?

Hoje, no mundo, é difícil achar uma razão válida, uma bandeira sem máculas pra carregar, alem de qualquer avenida carnavalesca, pra longe aliás dessa expressão da alienação de qualquer outro ser humano que crê na própria importância, mesmo que seja completamente irrelevante.
Não posso dizer que nasci pra ser importante, mas com certeza posso dizer que eu nasci pra tentar. Nunca vou aceitar ser um qualquer sem lutar.

Hoje, eu sei que sou um qualquer, mas sei que no futuro, ou eu não serei, ou eu morrerei tentando. Deixe a simplicidade pra quem a aprecia. Eu quero é a erudição. E tenho dito.

Algumas pessoas são bonitas ...

Algumas pessoas são bonitas, outras não. Algumas pessoas são inteligentes, outras não. Algumas pessoas são simpáticas, outras, nem um pouco. E eu poderia ficar aqui dando exemplos por duas páginas sem repetir nada. Algumas pessoas sempre vão ser ou ter algo que outras não são, ou não tem. É normal. Somos diferentes, somos ímpares.

Observando a criação de cada um, temos moral familiar, religião, espaços sociais, amigos, ambiente estudantil, ambiente de trabalho, informação, consciência social. Tudo isso é diferente para cada um, e cada absorve isso de diferentes maneiras. A diferença entre uma e outra pessoa é muito, muito maior do que parece. Ela excede o campo do biológico, do plástico e vai para o contexto psicológico, comportamental.

O problema maior reside no fato de a maioria das pessoas serem influenciadas por um pensamento comum, uma cartilha, um referencial adotado. Referencial esse que preza muito mais algumas características do que outras. E isso gera uma anulação da importância das diferenças, gera uma padronização de características impraticável.

Pense: no início das civilizações, existiam relações de poder, existia sobreposição de um sobre outro, da vontade de um sobre o outro, das características de um sobre o outro. Como fazer para perpetuar esse domínio? Padronizando o conceito de bom, de superior. Se aquilo que tem a ver com você é considerado bom, concorda que as outras pessoas vão ter um padrão inatingível de sobressaliência.

O Brasil é uma incógnita nesses termos, porque temos tantas influências, tantos domínios que direta ou indiretamente nos afetaram, que esse padrão de sobressaliência é algo mais complexo, que abrange mais possibilidades do que qualquer outro no mundo. É justamente por isso que é comentado no Brasil existirem relativamente mais pessoas bonitas. Existem exemplares de todos os domínios, abrangendo mais “gostos”. Mas não somente o padrão estético.

Pense. Quais as matérias mais “fáceis” da escola? Claro que não é uma opinião constante, mas é bem difundida. As matérias de estudos sociais costumam ser mais fáceis. Porque o modo como fomos acostumados a pensar tange origens clássicas de surgimento da democracia, política, sociedade e cultura. Matérias de ciência e lógica como Matemática ou Biologia são mais “encrencadas” não porque sejam mais ou menos difíceis, mas porque nosso modo de pensar não foi acostumado com esse tipo de noção. Os mesmos pais das ciências sociais como Aristóteles, foram também importantes tributários das outras ciências, mas com um destaque, uma exaltação maior das aplicações imediatas e que permitissem aos poderosos teorizar e justificar os moldes de suas relações com os menos poderosos e entre si mesmos.

Daí,depreende-se que a massa fosse um peso importante nas decisões. Como fazer para que a massa aderisse ao modo segregacionista de pensar? Através do poder, estabelecer padrões inatingíveis para que ela persiga a vida toda. É simples, o líder sábio vai justificar o próprio poder pelas próprias capacidades e vai impor a forma de pensamento. Se o líder disser que o raciocínio lógico é um malefício, as pessoas não irão ter raciocínio lógico. Assim não irão ter capacidade de estabelecer relações a ponto de poderem questionar a característica equivocada do poder.

E é por isso que aqueles que pensam são segregados, considerados ameaças. Porque eles ameaçam quem manda. São eles filósofos como Sócrates, que pelos seus questionamentos de ironia e maiêutica, foi condenado à morte (e matou-se antes que o fizessem cumprir). Ou os alquimistas, cientistas que eram jogados no fogo redentor da inquisição. Ou os iluministas, frente ao absolutismo. Ou os nobres, frente os iluministas. Danton foi morto por Robespierre, mesmo sendo um partilhador da filosofia e poder, porque questionou seu método sanguinário de poder. Hitler matou judeus e outras minorias, foi radical no que tange padrões: ele quis limpar os padrões alternativos literalmente. E matou muitos nazistas na noite de longos punhais, para não ter disputas ou questionamentos. Stalin repetiu praticamente a mesma conduta. Os americanos fizeram a “Caça às Bruxas”, alusão obvia ao processo medieval, só que com os equivalentes socialistas.

Atualmente, nos encontramos numa época do capital, da tecnologia, dos avanços, da ciência voltada para o desenvolvimento (e para o aprofundamento das diferenças entre pessoas, nações e culturas). As maiores economias do mundo mandam nos preceitos que regem o pensamento da massa populacional. E todos estão convencidos que as liberdades individuais são mais respeitadas do que antigamente. Mentira!

Daqui a 50 anos, vão nos estudar e ver as mesmas coisas que vimos nas outras civilizações. Que nós não enxergamos por estarmos imersos em todos os preceitos e filosofias pré-estabelecidas pelo poder vigente.
E é por isso que temos uma população de 95% de pessoas que não falam inglês, e 70% das músicas que tocam em nossas rádios são em inglês. Bebemos Coca-cola, usamos Nike e Adidas (Ger), Computadores da Hewlett-Packard com processadores Intel, Usamos perfume Carolina Herrera e Giorgio Armani (ambos com sedes corporativas em NY), Bebemos Johnnie Walker (Sco), Absolut (Swe), Jack Daniels (Eua). Não preciso exemplificar tanto, todos já entenderam a mensagem.

As belezas-padrão e recorrentes são os olhos claros, os seios fartos, a cintura inexistente e o quadril vasto. Ou para exemplares masculinos, a altura, a força, definição muscular. A inteligência é banalizada. A crítica é banalizada. Existem aspectos velados que são intocáveis. E sempre vai ter o crítico que vai vir me dizer que há outras mulheres e outros homens em Hollywood. Mas estamos jogando com padrões, não com exceções. A grande maioria segue sim, os padrões.

E não seja hipócrita de negar que beleza faz, sim, diferença. Não é culpa de quem pensa. É arraigado na cultura, somos bombardeados com esse conceito o tempo todo. Desde crianças, somos selecionados por esses conceitos (por outros também). Nossa adolescência é marcada por imagens de pessoas, os atores e as atrizes, as modelos, muito mais do que por qualquer líder político. As relações amorosas são sim, muito mais freqüentes e possíveis se sendo bonito dentro dos padrões estabelecidos.

As pessoas inteligentes também são selecionadas desde pequenos. Mas reflita, numa sociedade que teme pelo questionamento do estabelecido, a pessoa inteligente vai ter essa característica plenamente valorizada? Claro que não. E as pessoas que não o são vão, com certeza enfraquecer a crítica. Porque é que existem alcunhas como “nerd, “CDF”, “geek”? Porque de alguma maneira, tem de se desmerecer, tem de se desvalorizar aquele que se esforça para ter informação. Porque, uma vez que a pessoa tenha uma visão mais bem fundamentada do que as outras, ela está num patamar superior de compreensão e, por extensão de controle. Mas até ai, tem que ir contra uma correnteza de controlados pelo estabelecido.

Daí temos o conflito de idéias entre poder estabelecido e poder emergente. Entre líderes e aspirantes. E quem vencer terá o direito de se estabelecer, e mais importante, de ditar para a massa o que eles devem fazer para serem controlados de maneira pacífica.

Enquanto isso, para entreter a massa longe das disputas de poder, damos um patamar inferior de poder à algumas pessoas, para que se persiga esse tipo de valor. Porque as pessoas são exaltadas pela beleza, ou pelo esporte, ou pela arte sem crítica? Porque isso não é ameaça para o poder. E todos almejam serem bonitos, atletas e cantores de música pop, menos pessoas disputarão o real controle. Por isso você um dia na sua vida já sonhou em ser um astro pop (leia-se: pop internacional, sertanejo, pagode, axé, pop rock...), um atleta de renome. Repare bem, são poucos, são uma porcentagem ridícula das pessoas que tentam que conseguem destaque nessas áreas. E mais importante, por duas vias principais: talento inato exorbitante, ou muito investimento.

Não pense que Justin Bieber ou Luan Santana estão onde estão por talento. Os pais de ambos investiram, e muito pesado para tê-los onde estão. Mas também temos Michael Schumacher, que era mecânico da equipe, mas era genial e conseguiu seu destaque, em um meio onde patrocino é 90% do negócio.

Mas veja bem, são disputas de vencer pessoalmente, não coletivamente. Afinal, todas as vitórias são pessoais. Sinceramente, até as mudanças de poder são disputas de ego. Porque a massa não escolhe seus líderes. As grandes viradas são feitas através da massa, mas não pela vontade dela. A massa não tem vontade. A massa é influenciada a querer. Os líderes fazem parte da massa. Ninguém é isento da influência, porque não existe uma liderança absoluta. Quem manda no mundo é uma intersecção de vários conjuntos de poder que se influenciam mutuamente. Por isso retorno às marcas. Garanto o que for que se você olhar as marcas do que você usa, teremos vários países de origem. As músicas que você ouve são de vários países. Os filmes que você vê, nem tanto.. Mas ainda assim.

No fundo, escrevi isso tudo só pra pensar. Eu não estou me excluindo desse âmbito de pessoas que usa coisas de marcas de países capitalistas, que sonha em ser um artista de destaque, que gostaria muito de ser lindíssimo, de namorar uma menina lindíssima. Não é só isso que conta pra mim, mas também essa forte influência que vem do poder faz parte de mim, como de todos, independentemente de classe ou gênero. Ao contrário do que uma grande amiga minha me diz, eu não me acho melhor do que ninguém. Somente mais sincero, mais aberto no que tange o que eu realmente acho das coisas. E se isso pra ela é arrogância, pra mim, juro que é simplicidade.

Fazemos muitas coisas que sabemos ser erradas, mas nem por isso, deixaremos de fazê-las algum dia. Ser influenciado por essa padronização nunca foi uma opção. Mas enquanto eu compreendo parcialmente o processo, não me sinto um hipócrita escrevendo ou falando a respeito. Vai que existe alguém muito mais esperto e forte de espírito que eu, que compreenda e consiga se libertar disso tudo. Vai de presente à esse indivíduo como um estimulo.

Estou publicando porque gosto de difundir minhas idéias. Se você não gosta, é só não entrar no meu blog, assim, nunca vai se decepcionar com o que eu escrevo ou penso!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

#1

Cada texto é como um artesanato. Alias, deixemos a comparação de lado. Cada texto é literalmente um artesanato. Não gosto de parnasianos, mas tenho que copiá-los em certas máximas. Máximas de “profissão de fé”, “ourives” e outros preciosismos. O texto, o verdadeiro escrito, é uma expressão, extensão e imagem do autor. Não se preza pela simplicidade, nem tampouco pela erudição. Tão somente é a sinceridade, a clareza com que se transpassa as particularidades de cada um por meio do grafite que se descama e adere na superfície celulósica. Tá, exagerei, viajei um bocadinho..


Mas como toda expressão artística que se vê tem isso, um quê de arte, individualismo, inovação e personalidade. E dessa expressão, vem o reconhecimento, o novo e surpreendente. Mas seres humanos que somos, temos a mania de rotular, de padronizar, de criar mapas do caminho. Uma coisa é aprender. Todos aprendem o básico e depois trilham o próprio caminho. Mas alguns, ao invés de ganharem autonomia, dependem de toda inovação dos mestres pra continuar a crescer, tornam-se copistas, meros repetidores da técnica alheia.

E é disso que sofremos hoje. As críticas dos pseudo-intelectuais de hoje dirige-se aos lugares-comuns da cópia e da falta de autonomia. As bandas, os escritores, os programas, seguem um padrão, uma cartilha do sucesso que torna tudo massificado. Todo o entretenimento é previsível, você já sabe do que vai rir, já sabe as piadas que serão contadas, você vai rir delas porque não há outras, sem que se procure. Debaixo dos holofotes, estarão as mesmas coisas, as mesmas correntes que não te permitem sair da mediocridade.

Peço desculpas pela comparação esdrúxula que eu vou fazer, mas ela é a chave de todo esse texto. É como vinho. O bom vinho é caro, é difícil da achar, é artesanal, e infelizmente, costuma ser importado. Por outro lado, grandes fábricas padronizam o processo de produção, tiram sua individualidade e massificam o paladar, o” bom-gosto”. O bom texto é assim também. É daqueles artesanais, sem rótulo nem marca, só esperando ser aberto pra se apreciar. O que importa não é a garrafa, se todo mundo a conhece, mas se o paladar vai ser agradável. E eu escrevi toda essa ladainha, só par dizer que vou passar um tempo sem colocar títulos nos meus textos. Não vai ter rótulo, só o paladar.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Insípido

Não sou mais do que se vê

Não uma surpresa agradável ou um inesquecível de ofício

Apenas eu.

Simplório no ser, ter e tentar

As vezes anseios pelo que eu nunca tive

Ou sonhos com o que nunca se saberá.

Mas os pensamentos são somente seus

Já o que se vê é patrimônio da luz,

E ela a distribui a quem queira.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Gênio?

Até onde a genialidade vem do núcleo ou da mitocôndria? Em uma breve explanação, o núcleo celular é o local do material genético, logo, contendo as informações todas que vêm antes da nascença. O código genético é algo que define as características congênitas do ser originado. Já a mitocôndria é a fonte de energia da célula, local onde, em suma, o substrato energético provindo da alimentação é oxidado para formar ATP, que é o combustível do trabalho celular. Aqui, estamos desconsiderando o fato de a mitocôndria ter também em seu interior DNA circular. Para fins didáticos da metáfora, obviamente.

Bom, todo esse imenso rodeio foi apenas uma introdução “bacaninha” para levantar a questão principal: até onde a genialidade é algo que nasce com o ser humano, um dom divino, uma decorrência natural. Ou até onde essa genialidade é fruto do esforço de cada um, do merecimento e da técnica adquirida.

Albert Einstein certa vez disse “Sucesso e genialidade são 10% inspiração e 90% transpiração”. O mesmo Einstein era considerado retardado mental em sua época escolar, e escreveu seu artigo vencedor do Prêmio Nobel aos 23 anos. Ainda assim, não se consegue dizer que Einstein era um cientista exclusivamente dedicado à sua capacidade genial. Havia nele algo que não há em pessoas comuns. E não há ainda uma explicação aparente pra isso.

Também hoje, em diversos âmbitos, como na música, na arte, na ciencia, crianças que conseguem uma capacidade assustadora de assimilar informações e executar ações de forma inexplicavel. Fatos esses que independem da imaturidade biológica que o inteligir costuma exigir.

Claro que toda genialidade pode ser trabalhada, mas será que todo trabalho pode ser convertido em genialidade?

Hoje, eu vou preferir ficar com o benefício da dúvida.

Hábitos Correlacionados

Tenho estado cansada, e não me surpreenderia se você me dissesse o mesmo. Cansada desse vaivém cotidiano, essa presa incansável de não poder se cansar. A correria do dia-a-dia vem influenciando cada vez mais nas atitudes e no relacionamento interpessoal, pessoas apressadas estão diretamente ligadas à pessoas estressadas e impacientes, o que, de modo algum, é benéfico, seja no trabalho, na escola, na família ou no amor.
Essa pressa muitas vezes faz-nos esquecer do quão importante é a calma nas nossas ações – e reações -, do quão essencial é estarmos sempre conscientes do que estamos fazendo e tranqüilos em relação a isso, o que vem se tornando cada vez mais impossível. Ações inconscientes estão diretamente ligadas a arrependimento, o que também vem se tornando cada vez mais freqüente.
Arrependimento, estresse e impaciência não estão, absolutamente, ligados à felicidade, então podemos refletir e concluir que a pressa pode não nos beneficiar, mas é a “virtude” mais requisitada nos tempos modernos, afinal, pessoas que agem calmamente e conscientemente são, definitivamente, abomináveis. A pressa não só é inimiga da perfeição, mas também da felicidade, hábitos que vem se perdendo na atualidade.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Autopsicografia - Fernando Pessoa

Nunca publiquei aqui nada que não fosse meu. Os textos que não são meus, minhas amigas e colaboradoras que publicaram por elas mesmas são responsáveis. Mas eu não poderia deixar de lado, num espaço que é meu cantinho de expressão, mostrar a poesia que me influenciou a escrever. Do mestre Fernando Pessoa, Autopsicografia.


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

 

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Não Tenho Preço!

Já deixou de ser uma questão de entender. Ou mesmo de aceitar. A questão que paira agora é deixar pra trás. É uma questão curiosa, até mesmo irresoluta, na medida em que toda renúncia é uma partida.


Reflita por um momento. Uma incapacidade é um peso morto sempre? Ser incapaz de fazer algo é um demérito? Não, não creio que seja. Até porque existem muitas coisas que não devem ser feitas, sendo a incapacidade de fazer isso essencial.

Mas, da boca de Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra. Existem sim incapacidades, insuficiências e incompetências que vem para mal. E frente a tamanha hipocrisia que se estabelece na humanidade hoje, me faço ouvir apenas por essas palavras, Deus há de ver.

O grande problema é essa coisa do escrachar o politicamente correto. Tudo tende ao equilíbrio. Ser (de uma maneira mecânica e forçada) politicamente correto o tempo todo não é legal. Inibe várias possibilidades de mudança, de melhora que poderiam vir-a-ser pelo meio da insatisfação, da inquietude.

A verdade é que hoje, todos somos falsamente confortadores, e o conforto não é algo produtivo (no sentido menos capitalista que você encontrar). Me refiro à produtividade para a vida, de agir para a própria ascensão, de não desistir de querer ser algo. Porque hoje, nossos amigos, nossa família, tudo tende a nos manter nessa bolha de plástico e ar chamada conforto, conformismo.

Se você não é o melhor, te dizem isso da forma mais leve possível; se você faz algo errado, minimizam; se segue as tendências da massa, te dão um biscoito. Caramba! Diga-me se eu estiver errado, me reprima se eu sair da linha, se eu não for bom o suficiente, me critique. Porque aí, eu posso mudar, eu posso perceber, eu posso melhorar e me tornar uma pessoa mais válida.

Falta de crítica e de senso crítico gera algo deprimente: efluxo de idéias medíocres. Se não há um “semancol” prático para o que se diz/faz, todos jogam merda no ventilador, e o perfume que é lançado nunca conseguirá superar esse fedor intelectual. O fato de eu estar escrevendo mostra isso. Eu mesmo não sou o escritor genial e inovador de que precisamos, sou apenas um crítico, e dos mais chinfrins, mas mesmo assim, não estou me referindo a mim nesse pequeno trecho.

O maior problema é: a massificação da informação. Sejamos francos, as pessoas são diferentes. Sejamos francos, em cada âmbito, existem, sim pessoas melhores que as outras. É hipocrisia achar que todos somos iguais. Porque eu posso falar que fulano é melhor que beltrano no futebol, posso dizer que Maria é mais bonita do que Ana, mas não posso dizer que Chico Buarque é melhor que Restart? Porque é uma questão de massificação de informação. A horda de ignorantes que reina hoje no mundo já está acostumada a discernir pessoas por jogar futebol ou por terem simetria facial e físico bem-trabalhado. Mas não conseguem compreender a crítica e a profundidade semântica-melódica de um Chico Buarque. Mas os coloridos do Restart ou as “Barraqueiras” do funk são perfeitamente compreendidos (afinal, não há o que se compreender!). Aí as pessoas não querem se sentir menos que as outras e segregam esse tipo de cultura, taxando-a (e a quem gosta) de arrogante. É a diferença entre Crepúsculo e Nietzcshe, a diferença entre Deja Vù e Debussy, a diferença entre Carl Sagan e Xuxa.

O pior é, para se incluir socialmente, as pessoas menos ignorantes aceitam esse tipo de bestificação cultural. E para as pessoas que lideram isso é um banquete real com sobremesa. Pessoas que não compreendem complexidade não conseguem pensar de maneira complexa, ou seja, são facilmente manipuláveis. E é interessante para os líderes controlar. Então, os lideres fazem o quê?

Ridicularizam o salário de professores, tornam a programação de TV aberta um lixo conceitual, promovem expressões culturais conservadoras (que visam manter a situação como algo bom), inibem o humor (que desde a Grécia antiga é a expressão viva da crítica), dão subsídios e bolsas que tem duas facetas: não permitem ascensão sócio-cultural, porém não permitem queda na qualidade de vida das populações carentes, de modo que aparentam ser uma solução inovadora e paternalista. Dão, com dinheiro público migalhas do que desviam do povo e com essas migalhas, se mantém embasados no povo que exploram. Isso não é Brasil, isso é Mundo.

Porque os EUA, por piores diplomaticamente que sejam, são ainda o país mais poderoso do mundo? Porque desde o século XVIII, quando inicia sua existência, esse país tem bases sólidas no que tange a crítica e a participação do povo na política. Os americanos podem ser ignorantes, alienados seja o que for, mas todos SABEM o que se passa em seu país. Existe “maracutaia” política lá? Claro. Mas se o povo fica sabendo, a punição é exemplar. Quando se é autuado, todo policial diz por que se está sendo preso, citando o ARTIGO da constituição que foi infringido. Os cidadãos sabem seus direitos, deveres e domínios. A cultura intelectual é bem, o esporte é bem, a produção científica é bem, a saúde é bem. E todas essas áreas têm investimentos sólidos e cobrança de resultados.

A maioria das pessoas não sabe o que é política. No Brasil, política é associada simplesmente a assumir um cargo de administração estatal e entrar par ao esquema e corrupção. Só que da origem da palavra (Assunto da Pólis = Cidade/Estado), a política é nada mais nada menos do que o assunto do cidadão, a discussão em torno do papel, dos direitos, do dever e do cotidiano de um cidadão inserido em uma sociedade. Frente a isso, percebemos que a massa não era cidadã na Grécia, e que somente a elite aristocrática era considerada politizada e passível de praticar a política. Hoje, as coisas se articulam de tal maneira que é a massa que se considera incapaz de praticar política. E os “corajosos” que se arriscam, ou são das ciências sociais, ou são políticos que cedem à facilidade de se estar no comando da horda bestial de manobra. Comprovação disso é perguntar pras pessoas se elas gostam de política. A resposta mais freqüente costuma ser um não veemente associado à algum comentário como “ é algo nojento, sem princípios”. Agora, pergunte à esse gênio mediano se ele sabe o quê é política.

Outro conceito deturpado é o da democracia (demos = sabedoria/ cratos = governo, liderança). Como os cidadãos da Grécia antiga eram apenas os mais abastados e que tinham condições de se dedicar à prática intelectual, eles criaram o conceito de Democracia, dizendo que as decisões deveriam ser de todos os cidadãos, visto que eles eram os mais sábios, em conjunto (lembre-se, cidadão, naquela época eram somente os mais ricos). Então, hoje, como, na teoria todos somos cidadãos, a democracia se estende a todos nós, sem considerar se realmente essa população tem a sabedoria inerente do termo empregado. Hoje, vivemos a “alienocracia”, o estilo de governo que é ditado pela massa alienada pelos preceitos “emburrecedores” provindos das camadas superiores do poder.

Chegamos então ao ponto: como mudar isso? Deixando de elitizar o conhecimento. Deixando de ser tão complacentes com a mediocridade. Remete ao início desse texto. Vamos criticar, não vamos nos conformar com o que está aqui. É uma luta onde vamos morrer tentando, mas não vamos morrer na praia. Talvez, no futuro, nossos descendentes possam viver o áureo da democracia, um real governo integralmente da sabedoria e do povo. Como diria a filósofa Dóri, “Continuem a nadar!”

domingo, 29 de agosto de 2010

Um Palpite Imaturo.

No tempo em que os velhos jovens serão os jovens adultos,

No tempo em que eu acredito no romantismo
E que posso viver os dez amores da minha vida
E os inúmeros melhores momentos dessa subida.
Fazer dezenas de vezes as coisas que deveriam ser
Uma na vida, outra na morte.
Quem me diz o que fazer,
Senão quem está preso demais pra perceber
Que pode fazer o que quiser,
E sofrer as conseqüências que vierem.

Quem me disse que eu tenho que não me importar
Pra começar a me fazer ser amado.
E disse pra eu deixar pra lá a vontade
De fazer valer tudo o dedicado.
Não, ninguém vence o guerreiro no meu sonho
Ninguém é eterno, nem dorme tranqüilo
Se não for sincero, será fugaz.
O mundo é meu, é repouso, é desperto.
E se todo mundo tiver que desacreditar,
Louco que sou, eu recomeço.

Porque, no fim das contas,
Através dos olhos de um louco,
A verdade é só mais um palpite imaturo.
O impossível,
Só mais um detalhe corriqueiro,
Mais um afazer do dia de amanhã.

Desconstrução Maquiavélica.

O filósofo do absolutismo Nicolau Maquiavel esteve certo na sua avaliação, frente à situação em que ele estava. Malandro como sempre fora, Maquiavel preso e condenado escreveu sua obra prima “O Príncipe”, livrando-se de sua pena e constituindo uma das bases mais sólidas da filosofia dos estados nacionais recém-formados e seus denominados “detentores”. Juntamente com Jean Bodin e seu “direito divino”, ou Thomas Hobbes e o monstro “Leviatã”, essa idéia levaria os líderes megalomaníacos acreditarem que eram deuses, mergulhando a Europa num período nefasto de relações não-lineares, desiguais e injustas.


A frase mais famosa atribuída a Nicolau Maquiavel é a máxima ”os fins justificam os meios”. Óbvio que reis sedentos de poder acharam a desculpa perfeita para justificarem suas sandices reais. Tudo pode ser feito com um objetivo. Isso, aliado com a Igreja e sua doutrina agostiniana de pregar aos quatro ventos que Deus já nos escolhia para uma função, inibindo as aspirações de crescimento e mudança. Há um motivo claro para dizer que essa foi a “idade das trevas”. E não é a falta de produção científico-artística, definitivamente. As trevas se estendem sobre a opinião mediana, coletiva, que era acobertada pela ignorância imposta a partir da conjuntura sócio-política.

Só que hoje, não há mais filosofia engrandecedora de líderes, mas sim de poder. Hoje, o poder não é mais hereditário (pelo menos em tese). A doutrina do consumo, do liberalismo e da competição capitalista abre um precedente de possibilidade da ascensão social a partir do esforço, do trabalho. Filosofia surgida a partir dos dizeres de Calvin e Luther, que com sua contestação frente ao “inquestionável” poder real criaram novas religiões como forma de protesto. A máxima de Calvin é “O trabalho dignifica o homem”. Para uma burguesia sedenta, foi a desculpa perfeita para se apossar o quanto antes dos meios de produção e dar à administração status de trabalho. Assim a administração do patrimônio, mesmo que exploratória, é encarada como seriedade, esforço e trabalho, e assim dignificante. A idéia de Calvin misturada com a idéia de Maquiavel criou o que encaramos hoje:

O rei absolutista do mundo de hoje é o capital, é o dinheiro. Só que ao contrário do rei humano, que detinha propriedade dos seus súditos, os súditos do capital podem tê-lo, deter uma parte do seu “poder divino”, uma parcela dessa realeza, e exercer poder sobre aqueles que têm menos. Assim, no mundo contemporâneo, os fins justificam os meios de uma forma mais arraigada. O fim “ganhar dinheiro e ter poder” justifica qualquer tentativa de chegar a esse patamar. Por isso hoje temos médicos que atendem pacientes em série, bancos que identificam pessoas como números, a impessoalidade das relações, a leviandade da importância do próximo. Os interesses dentro de amizades, de namoros, de relações pai-filho.

Não é culpa nossa viver assim. A única culpa é aceitar tudo sem tentar mudar. Maquiavel estava errado, Calvin, equivocado. Os meios sempre tem que justificar os fins, isso sim. Porque o fim é a morte. E a morte não justifica nada. Ter uma vida válida, feliz, realizada e principalmente sem omissões justifica a vida, compreende a morte. E não é o trabalho que dignifica o homem, mas sim a conduta. Se sua conduta for a correta, se seu esforço for bem empregado, não só no trabalho, mas no descanso, no dia-a-dia, no viver bem e intensamente, isso te dignificará.

Finalmente é chegada a hora de nos desapegarmos de filosofias seculares pra começar a aprender com os erros e não deixar que eles continuem sendo nossa doutrina. A história não se repete. Nossos erros é que insistem em serem cometidos sempre.
 
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