Cada texto é como um artesanato. Alias, deixemos a comparação de lado. Cada texto é literalmente um artesanato. Não gosto de parnasianos, mas tenho que copiá-los em certas máximas. Máximas de “profissão de fé”, “ourives” e outros preciosismos. O texto, o verdadeiro escrito, é uma expressão, extensão e imagem do autor. Não se preza pela simplicidade, nem tampouco pela erudição. Tão somente é a sinceridade, a clareza com que se transpassa as particularidades de cada um por meio do grafite que se descama e adere na superfície celulósica. Tá, exagerei, viajei um bocadinho..
Mas como toda expressão artística que se vê tem isso, um quê de arte, individualismo, inovação e personalidade. E dessa expressão, vem o reconhecimento, o novo e surpreendente. Mas seres humanos que somos, temos a mania de rotular, de padronizar, de criar mapas do caminho. Uma coisa é aprender. Todos aprendem o básico e depois trilham o próprio caminho. Mas alguns, ao invés de ganharem autonomia, dependem de toda inovação dos mestres pra continuar a crescer, tornam-se copistas, meros repetidores da técnica alheia.
E é disso que sofremos hoje. As críticas dos pseudo-intelectuais de hoje dirige-se aos lugares-comuns da cópia e da falta de autonomia. As bandas, os escritores, os programas, seguem um padrão, uma cartilha do sucesso que torna tudo massificado. Todo o entretenimento é previsível, você já sabe do que vai rir, já sabe as piadas que serão contadas, você vai rir delas porque não há outras, sem que se procure. Debaixo dos holofotes, estarão as mesmas coisas, as mesmas correntes que não te permitem sair da mediocridade.
Peço desculpas pela comparação esdrúxula que eu vou fazer, mas ela é a chave de todo esse texto. É como vinho. O bom vinho é caro, é difícil da achar, é artesanal, e infelizmente, costuma ser importado. Por outro lado, grandes fábricas padronizam o processo de produção, tiram sua individualidade e massificam o paladar, o” bom-gosto”. O bom texto é assim também. É daqueles artesanais, sem rótulo nem marca, só esperando ser aberto pra se apreciar. O que importa não é a garrafa, se todo mundo a conhece, mas se o paladar vai ser agradável. E eu escrevi toda essa ladainha, só par dizer que vou passar um tempo sem colocar títulos nos meus textos. Não vai ter rótulo, só o paladar.
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