quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Feliz ou infelizmente...

As pessoas fingem. As pessoas mentem. E isso me deixa cada vez mais encabulada. E não mentem apenas sobre coisas fúteis. Elas fingem amar, fingem gostar, fingem serem felizes. E machucam outras pessoas. Mas não machucam de brincadeira.

É isso o que me intriga. Se alguém souber a vantagem de viver de fantasia, mentiras e em um mundo particular, por favor, me avise. Não entendo o porquê da criação de um mundo utópico, no qual você vive apenas de olhos fechados, criando fantasias que serão realizadas apenas em sua imaginação. Talvez seja sincera demais, mas não consigo viver de olhos vendados diante de tantos problemas a serem resolvidos, de tanta desgraça e tanta necessidade.

Sou incapaz de enganar alguém que me ama, ou pelo menos que cuida e zela por mim. Sou incapaz de mentir quando me olham nos olhos, da mesma maneira que não acho dignos os que o fazem – não que esteja no direito de julgar a dignidade de alguém, só não é de meu feitio.

Como viver de enganos quando há um mundo tão grande e (talvez) belo a ser descoberto? Como viver de mentiras quando há tantas pessoas admiráveis a serem conhecidas? Chego então no fato de que somos nós que fazemos nossa mente, nossas idéias, e nosso mundo. A escolha é sua. Eu escolhi verdades duras a mentiras sórdidas. O mundo pode estar contra mim, mas feliz ou infelizmente, espero morrer assim.

domingo, 27 de novembro de 2011

Amar, e só.

E de repente eu percebi que tinha ao meu lado as melhores pessoas do mundo, e não precisava nada mais do que isso. Estranho seria se não me encantasse por elas, de maneiras diferentes, mas irremediavelmente as amava como irmãs; e amá-las-ia como se fossem tudo o que tivesse.
Engraçado porque sempre pensamos que ninguém realmente se preocupa conosco, e quando, sem mais nem menos, nos deparamos com amores assim, não sabemos como tratá-lo. Não sabemos como lidar com o fato que realmente fazemos diferença na vida de alguém, apesar de estonteante, é um tanto quanto assustador. E digo isso não por ter medo de amar, mas por ter medo de ferir. E é como se ao ferir alguém que amo, doesse mais em mim, do que nele. Quase como perder parte de um braço, de uma perna, ou pior, do seu próprio coração.
E é por isso que devemos amar aqueles que realmente fazem a diferença, aqueles que se preocupam com seu bem-estar e com as pequenas coisas da vida. E nesse pequeno desabafo, misturo amor, saudade e incompreensão, pois é disso que vivo, é isso o que me mantém viva. E deixo aqui um pequeno traço de alegria, já que nunca seria capaz de expressá-la completamente, agradecendo a cada instante a essas duas pessoas que um dia me fizeram ver e entender o mundo de maneira diferente.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Um prelúdio aceitável.

Anita se deparava com o marido na espreguiçadeira. O sol da manhã do mediterrâneo lhe faz bem. Não sabe ela bem ao certo até onde o que sente por ele é atração, amor. Só que em dado momento estavam eles casados. Ela suspirava um pouco entre um e outro pensamento.

Lembrava de algum jovem tolo que, pobre dele, ficara amigo demais para poder lhe causar algum suspiro sincero. A sombra do seu chapéu escondia o semblante sério que perspassava por entre suas têmporas. Aqueles suspiros de outrora. Incitados por vezes em alguem que nao lhe apreciava. Ou nos cafagestes mais célebres e seus carros de luxo.

Não era algo tão profundo. Era fútil, vivaz e jovem. Quando crescesse, tudo aquilo passaria. E então os bons-moços estariam ali, prontos a carregá-la com seu romance e conversas agradáveis, à uma boa vida. Afinal, tantos deles se mostraram aptos a isso... Mas não naquela época. A belle-époque de uma dama não deve ser gasta com maturidade. As aventuras são necessarias.

E mesmo agora, Anita não sabia ao certo porque é que Domenico não lhe causa mais suspiros como antigamente. Suas formas ainda são bem torneadas. Seus galanteios ainda são requintados. E ele ainda é cobiçado pelas jovens. Mas não lhe causa mais suspiros.

E quando dois pares de olhos azuis diluem sua pintura turva, a voz de Fiorentina, acompanhada da avó Antonia invade os ecos do pensamento, trazendo-a de volta.

- Mamãe, tenho algo a te contar!

Sua carinha de quem fez alguma "arte" incitou a curiosidade da mãe

- Diga, fiore mia!

- Eu dei um beijo no Paolo!

Então Anita se lembra de um outro Paolo.. Perdido em algum primeiro beijo inocente, tanto quanto os olhos de sua pequena filha, tão vivo quanto o azul dos interessados olhos de sua mãe, até então, em silêncio.

- E quem é Paolo, cara mia?

- É meu melhor amigo!

E se faz mais forte o ímpeto dos preconceitos de sua mente:

- Mas filha, entenda com a mamãe: não devemos nos apaixonar pelos amigos. A gente pode estragar uma amizade assim.

E com isso, deu-lhe um beijo e saiu, a caminhar na praia, pensando em todos os amigos que nunca foram mais do que isso.

E a avó Antonia, sábia que era só deu tempo ao tempo, até que Fiore se recuperasse da carga de uma verdade que não fazia parte de seu mundo.

- Mas vovó, por quê a mamãe diz isso? Eu gosto muito do Paolo...

- Olhe, minha flor, sua mãe diz isso, porque um dia, alguém disse a ela, e ela acreditou. Talvez ela nao saiba que, se eu também tivesse ouvido esse conselho, nem ela, nem você estariam aqui.

- Nossa, vovó! Mas mesmo assim, posso continuar a ver Paolo?

- É claro que pode, cara mia. Tome para si estas palavras. Uma grande música que permanece apenas na mente de um gênio e um grande homem que permanece apenas na sombra de uma amizade tem uma coisa em comum: nenhum dos dois poderá jamais fazer você plenamente feliz.

- Não entendi, vovó...

- Não se preocupe, Fiore. No tempo certo, você escutará a música, e saberá que ela veio da mente de alguém..

- Você fala engraçado vovó..

- Tem mais graça a medida que o tempo passa, cara mia!

E aqueles dois pares de olhos azuis caminhavam na beira do mediterrâneo, enquanto as palavras de Antonia ecoavam na mente da pequena Fiore.
 
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