quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Infinitas possibilidades

De repente você olha para trás e percebe que tudo foi em vão. Todos os seus esforços para que algo desse certo, tudo não passou de ilusão. Você se vê sozinho. As mãos que tantas vezes você segurou agora estão fechadas, e não pretendem se abrir. Existem então dois caminhos a serem seguidos, o da lamentação e o do autoconhecimento. É difícil seguir em frente, sem ao menos olhar as pessoas que teoricamente te apoiaram, mas talvez seja o caminho certo a seguir. Esquecer tudo o que passaram juntos, evidenciando apenas alguns poucos momentos bons que não deixam sua memória, mesmo que involuntariamente. Memória esta agora vazia, depois de tanta decepção.


Confesso que pessoas já não me surpreendem mais. Não que isso seja uma coisa boa, mas desisti de achar que pessoas são boas e puras. Talvez prefira a companhia de um cachorro. Isso porque algumas são tão vazias e sem conteúdo que não conseguem enxergar nada além de um estereótipo imposto pela ‘sociedade’. O século XXI devasta qualquer noção de coletividade ou busca por conhecimento, seja ele individual ou não. A população torna-se alienada apesar de ter todo tipo de informação ao seu alcance, que pode ser obtida através de um só clique. É mais ou menos como ‘ o pior cego é aquele que não quer ver’. Clichê, mas a meu ver encaixa-se perfeitamente nesse tempo de insanidade. Têm plena capacidade e meios de obter conhecimento praticamente infinito, e continuam preocupando-se com quantos amigos tem no facebook. Lamentável.


E essa limitação do próprio Ser durante um tempo de infinitas possibilidades é ironicamente contrastante. E pensar que a maioria dos grandes ícones no que diz respeito a conhecimento não tinha metade do que nossa tecnologia oferece, e mesmo assim foram pessoas extraordinárias, seja lá qual fosse a limitação. Essas pessoas sim me surpreendem. Aquelas que ultrapassam todos os obstáculos de seu próprio tempo e tornam-se não só Seres políticos como, literalmente, Seres humanos, exatamente como todos deveriam ser.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Feliz ou infelizmente...

As pessoas fingem. As pessoas mentem. E isso me deixa cada vez mais encabulada. E não mentem apenas sobre coisas fúteis. Elas fingem amar, fingem gostar, fingem serem felizes. E machucam outras pessoas. Mas não machucam de brincadeira.

É isso o que me intriga. Se alguém souber a vantagem de viver de fantasia, mentiras e em um mundo particular, por favor, me avise. Não entendo o porquê da criação de um mundo utópico, no qual você vive apenas de olhos fechados, criando fantasias que serão realizadas apenas em sua imaginação. Talvez seja sincera demais, mas não consigo viver de olhos vendados diante de tantos problemas a serem resolvidos, de tanta desgraça e tanta necessidade.

Sou incapaz de enganar alguém que me ama, ou pelo menos que cuida e zela por mim. Sou incapaz de mentir quando me olham nos olhos, da mesma maneira que não acho dignos os que o fazem – não que esteja no direito de julgar a dignidade de alguém, só não é de meu feitio.

Como viver de enganos quando há um mundo tão grande e (talvez) belo a ser descoberto? Como viver de mentiras quando há tantas pessoas admiráveis a serem conhecidas? Chego então no fato de que somos nós que fazemos nossa mente, nossas idéias, e nosso mundo. A escolha é sua. Eu escolhi verdades duras a mentiras sórdidas. O mundo pode estar contra mim, mas feliz ou infelizmente, espero morrer assim.

domingo, 27 de novembro de 2011

Amar, e só.

E de repente eu percebi que tinha ao meu lado as melhores pessoas do mundo, e não precisava nada mais do que isso. Estranho seria se não me encantasse por elas, de maneiras diferentes, mas irremediavelmente as amava como irmãs; e amá-las-ia como se fossem tudo o que tivesse.
Engraçado porque sempre pensamos que ninguém realmente se preocupa conosco, e quando, sem mais nem menos, nos deparamos com amores assim, não sabemos como tratá-lo. Não sabemos como lidar com o fato que realmente fazemos diferença na vida de alguém, apesar de estonteante, é um tanto quanto assustador. E digo isso não por ter medo de amar, mas por ter medo de ferir. E é como se ao ferir alguém que amo, doesse mais em mim, do que nele. Quase como perder parte de um braço, de uma perna, ou pior, do seu próprio coração.
E é por isso que devemos amar aqueles que realmente fazem a diferença, aqueles que se preocupam com seu bem-estar e com as pequenas coisas da vida. E nesse pequeno desabafo, misturo amor, saudade e incompreensão, pois é disso que vivo, é isso o que me mantém viva. E deixo aqui um pequeno traço de alegria, já que nunca seria capaz de expressá-la completamente, agradecendo a cada instante a essas duas pessoas que um dia me fizeram ver e entender o mundo de maneira diferente.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Um prelúdio aceitável.

Anita se deparava com o marido na espreguiçadeira. O sol da manhã do mediterrâneo lhe faz bem. Não sabe ela bem ao certo até onde o que sente por ele é atração, amor. Só que em dado momento estavam eles casados. Ela suspirava um pouco entre um e outro pensamento.

Lembrava de algum jovem tolo que, pobre dele, ficara amigo demais para poder lhe causar algum suspiro sincero. A sombra do seu chapéu escondia o semblante sério que perspassava por entre suas têmporas. Aqueles suspiros de outrora. Incitados por vezes em alguem que nao lhe apreciava. Ou nos cafagestes mais célebres e seus carros de luxo.

Não era algo tão profundo. Era fútil, vivaz e jovem. Quando crescesse, tudo aquilo passaria. E então os bons-moços estariam ali, prontos a carregá-la com seu romance e conversas agradáveis, à uma boa vida. Afinal, tantos deles se mostraram aptos a isso... Mas não naquela época. A belle-époque de uma dama não deve ser gasta com maturidade. As aventuras são necessarias.

E mesmo agora, Anita não sabia ao certo porque é que Domenico não lhe causa mais suspiros como antigamente. Suas formas ainda são bem torneadas. Seus galanteios ainda são requintados. E ele ainda é cobiçado pelas jovens. Mas não lhe causa mais suspiros.

E quando dois pares de olhos azuis diluem sua pintura turva, a voz de Fiorentina, acompanhada da avó Antonia invade os ecos do pensamento, trazendo-a de volta.

- Mamãe, tenho algo a te contar!

Sua carinha de quem fez alguma "arte" incitou a curiosidade da mãe

- Diga, fiore mia!

- Eu dei um beijo no Paolo!

Então Anita se lembra de um outro Paolo.. Perdido em algum primeiro beijo inocente, tanto quanto os olhos de sua pequena filha, tão vivo quanto o azul dos interessados olhos de sua mãe, até então, em silêncio.

- E quem é Paolo, cara mia?

- É meu melhor amigo!

E se faz mais forte o ímpeto dos preconceitos de sua mente:

- Mas filha, entenda com a mamãe: não devemos nos apaixonar pelos amigos. A gente pode estragar uma amizade assim.

E com isso, deu-lhe um beijo e saiu, a caminhar na praia, pensando em todos os amigos que nunca foram mais do que isso.

E a avó Antonia, sábia que era só deu tempo ao tempo, até que Fiore se recuperasse da carga de uma verdade que não fazia parte de seu mundo.

- Mas vovó, por quê a mamãe diz isso? Eu gosto muito do Paolo...

- Olhe, minha flor, sua mãe diz isso, porque um dia, alguém disse a ela, e ela acreditou. Talvez ela nao saiba que, se eu também tivesse ouvido esse conselho, nem ela, nem você estariam aqui.

- Nossa, vovó! Mas mesmo assim, posso continuar a ver Paolo?

- É claro que pode, cara mia. Tome para si estas palavras. Uma grande música que permanece apenas na mente de um gênio e um grande homem que permanece apenas na sombra de uma amizade tem uma coisa em comum: nenhum dos dois poderá jamais fazer você plenamente feliz.

- Não entendi, vovó...

- Não se preocupe, Fiore. No tempo certo, você escutará a música, e saberá que ela veio da mente de alguém..

- Você fala engraçado vovó..

- Tem mais graça a medida que o tempo passa, cara mia!

E aqueles dois pares de olhos azuis caminhavam na beira do mediterrâneo, enquanto as palavras de Antonia ecoavam na mente da pequena Fiore.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

o dia é uma serpente que consome a si
digere o tempo que nos resta aqui
e o sol retorna de manhã
pra renovar a fé de estar de pé e de pensar
que a vida não é só sonhar.

amor é dor que doi o simples existir
e sofre-se se tem ou se não tem.
entao eu vou cantar o amor pra ver se vem
que é bem melhor que viver sem ninguem
o silencio nao serve de amem.

perco o pensando em sonhar.
perco o sono pensando...
quantas manhas tenho pra realizar
quantas ja ganhei tentando

tempo ingrato filho amado
de pacientes e apressados
professor dos afobados
prende o apressar
nem tudo andará no passo
que se desejara do tempo
e os ponteiros darão risada
tictactictac
passou mais rapido que seus sonhos
agora é tempo de nada.

domingo, 16 de outubro de 2011

De fora pra dentro: um reflexo.

Todos nós! É, todos nós. Por que as vezes, o leitor desavisado acha que o autor se priva de críticas. Quando me dirijo e palavras ao ser humano, eu não me torno nenhum ornitorrinco.

Mas ao que interessa: todos nós nos apaixonamos. Pode ser fácil, difícil. Pode ou não dar certo. Pode ou não significar alguma coisa na vida.

Apaixonar-se é um fenômeno totalmente caótico em definições. De fato, não há definições brandas o suficiente para abranger causas, motivações e ocorrências. Nem vivência, nem técnica, nem texto, nem porra nenhuma. Não estou tentando aqui descrever nada, explicar ou definir coisa alguma. Mas somente jogar no vento algumas opiniões.

A atração é algo preponderante, condição sem a qual não existe paixão. Uma relação sem atração é puro interesse egoísta. Observe: existe interesse em relacionamento, ou interesse naquilo que o relacionamento pode te proporcionar. O relacionamento pode ser um fim ou um meio para a felicidade. E em nenhum dos dois casos, há uma real condenabilidade. Mas obviamente, criados numa sociedade de moldes ocidentais, cristãos, com base de valores na família, não verá abertamente um relacionamento de interesses que não familiares com bons olhos.

E também devemos lembrar que um relacionamento varia de uma "ficada" one-night stand, até um casamento duradouro e feliz. E também, há a hipocrisia de pessoas que renegam certos ímpetos que preponderam acima do social, e que tem ultimamente, uma cápsula-protetora chamada "desapego"

Sério, não há coisa mais estúpida do que uma pessoa que vai numa festa e fica com uns 3, 4 estúpidos-bacaninhas, aí depois reclama que queria namorar, mas que ninguem presta, ninguem quer nada sério, que ninguem leva ela a sério. Perguntas:

1 - Precisa de uma taxa de 3 por noitada pra saber quem presta mesmo?
2 - Esse é o ambiente ideal pra achar um futuro pai de família?
3 - Você está se levando a sério?
4 - Você vale alguma coisa?
5 - O que você quer num namorado que não busca em um ficante? (essa é essencial, e mostra a porra da contradição que é esse comportamento esdrúxulo)

Essa na verdade, é chave pra desmistificar o que é real, e o que é balela. As pessoas tem FASES (algumas mais, outras menos, em mais diversas épocas e contextos). Mas pra cada época, pra cada fase, temos tipos de ambientes e intenções. E não adianta buscar coisas de um estado de espírito em outra vibe.

Atente para este exemplo idiota: Um homem vai ao açougue todos os dias. É o único lugar a que ele vai, uma vez que ele adora carnes. Um dia, come picanha, no outro, alcatra, e assim, sempre. Aí, um dia, resolve ele virar vegetariano, em nome da saúde. Mas ele continua indo ao açougue. Obvio que ele nao pode morrer de fome, então, alguma coisa, ele tem que comprar pra comer. Então, ele leva.. carne. Aí, chega em casa, ele se cansa e diz "caramba, quero comer verduras, mas naquele açougue só tem carne.. nossa, o mundo é uma bosta.. verduras não existem e eu vou ficar a vida inteira tendo que comer carne e ferrando minha saúde".

Você percebe o quanto idiota é um raciocínio desses? No caso de achar, perceba que se você me reclama de não achar a pessoa da sua vida na balada, você é tão ou mais idiota do que isso. Se você não percebe o quanto idiota é esse raciocínio, você merece uma morte lenta e dolorosa. brincadeira! (mas sério, reflita sobre a possibilidade de tratamento psiquiatrico, sua anta)

Voltando brevemente ao que interessa, tem também o fator aparência X valores. Na verdade, colocar um "versus" entre aparência e valores é uma "dor de cotovelo" lascada dos "nem tanto assim bonitos". (eu pessoalmente, jé deixei de ter despeito, a exemplo haha)

Mas veja bem, a aparência é algo determinado social, e biologicamente determinado. Já falei aqui uma porçãozinha de vezes. O cérebro usa das experiências, precedentes e informações passadas adiante com os genes pra determinar o que é atraente ou não. E é por isso que um cara ou uma mulher podem ser o "molde" perfeito determinado pela sociedade que, se ele não estiver no "checklist" cerebral prévio, não vai rolar.

Lembre-se: muito embora não se tenha controle de certos ímpetos, somos ainda responsáveis por boa parte das experiências que nos determinam. Dessa forma, muito do que achamos atraente depende do que nós vivemos, que por sua vez, depende grandemente dos ambientes e pessoas das quais nos cercamos, de livre e espontânea vontade.

Estamos partindo do princípio que as pessoas querem relações como um fim, e não como um meio de escalada para outros objetivos para as explanações que eu estou, e estarei fazendo aqui.

Mas veja. Nas situações comuns, quando procuramos pessoas pra ficar, ou mesmo pra namorar, é bem comum procuramos ambientes descontraídos, onde as pessoas estejam receptivas, se preparem para isso, as vezes até abusem um pouco de álcool e cantadas baratas. Mas no fundo, nem o teor das cantadas é determinante. Alguns dizem que o segredo é atitude, outros, grana no bolso, outras, aparência. E é mesmo. Dentro de um ambiente assim, são os parâmetros que podem ser avaliados.

Você nunca vai saber suficientemente sobre o temperamento e a vida de uma pessoa em uma conversa de balcão de barzinho. A pessoa pode ser inescrupulosa com uma lábia ferrada, e te convencer que é um lorde inglês. E apaixonar-se por alguém numa situação tão primária como esta pode ser perigoso. Procurar um relacionamento duradouro por este meio não é impossível, mas é como ir ao açougue comprar verduras. Pode até ser que seja uma mercearia e tenha alguma variedade. Mas na boa, é estatísticamente mais garantido ir por outros meios.

Que meios? É apelar para um outro canto da sua "checklist" natural. É procurar as características de personalidade de uma pessoa, a despeito da aparência. Nunca vai ser totalmente imparcial, mas pode ser bem mais produtivo. Procurar na gama de pessoas que você conhece, alguem que pareca agradável. Dê uma chance a si e a alguem. Pessoalmente acho essa desculpa de mulheres "não ficarem com amigos" um negócio meio estranho. Eu mesmo tenho inúmeras amizades com mulheres. Mas eu realmente sou sincero de dizer que não ficaria com uma amiga somente quando sei que a minha personalidade não se daria bem em um relacionamento com ela, o que não a torna pior, ou melhor.

Acho que amigas podem ter muito mais chances de dar certo do que uma estranha qualquer. Não é 100% garantido. Mas é uma pessoa com que você provavelmente gosta de conversar, conhece mais do cotidiano, da personalidade. É bem mais inteligente pensar em uma amiga como uma possibilidade válida. Mas isso, já joga contra outra determinação social da "friend-zone" que é a região de maior possibilidade de sucesso jogada no lixo.

Mas enfim, é uma opção pessoal.

Conclusão do dia: tenha em si as qualidades que você quer para um relacionamento. Pense os ambientes que você frequenta, as pessoas com quem você anda, as pessoas pelas quais você se sente atraída e os tipos de pessoa que você atrai. Mais do que essas reclamações manjadas de "ninguem me leva a sério", refita se você merece ser levado(a) a sério. Mais do que anunciar, tente parecer valer a pena em atitudes.


PS: Nenhuma forma de atração é condenável. Somente não reclame daquilo que as suas necessidades te tornam. Se isso não te satisfaz, mude-as.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Felicidades momentâneas, e só.

E como saciar esta vontade de tocar tudo o que não está ao seu alcance? É aparente que todos vivemos em busca da felicidade, o que nem de longe significa que somos realmente felizes.

Mas por que não buscar felicidade em coisas simples de serem tocadas? Talvez a felicidade não esteja no objeto de cobiça, mas sim no caminho que nos leva até lá.

É de se convir de que todos já desejaram algo – ou alguém – com tanta intensidade que quando finalmente conseguiram, não mais queriam. O alvo da conquista, então, não é o que realmente importa; a dificuldade da conquista é o que fascina.

Mas eu, particularmente, gostaria de saber dar mais valor nas coisas simples e fáceis de serem conquistadas, afinal, não é por isso que valem menos. Bem pelo contrário, a felicidade está – ou deveria estar – nas coisas mais simples da vida.

Não me admira o fato dos seres humanos se entediarem tão facilmente. Nunca estão contentes, nada nunca é o suficiente. E isso porque não há mais o fascínio da descoberta. Imagine então se algum dia acabassem as coisas a serem descobertas? Acabaria também a felicidade do mundo? Não sei, mas tenho certeza de que não quero esperar para descobrir.

Melhor mesmo é observar o mundo, e aprender a se admirar com ele. Porque pode ser aí que você finalmente vai descobrir o que te fascina.

Questões circunstanciais

Talvez sejamos mesmo vítimas das circunstâncias.

Não, não acredito que seja destino. Você não é aquilo o que você fala. Você não é aquilo o que você pensa. Você é aquilo o que você faz.

E o que te leva a fazer tudo como você faz?

O que te leva a acreditar que esta seja realmente a coisa certa a fazer, quando, na verdade, você está apenas dando mais um passo no escuro?

O que te faz crer nas palavras da humanidade, quando, o que realmente importa, são seus próprios atos?

O que te faz acreditar em outras pessoas? O que te faz acreditar em você mesmo?

Um dia, certamente, você se pergunta por que tudo não foi como planejado, por que tudo não foi como você julgava certo. E então você se dá conta de que sempre esteve errado, de que simplesmente acreditou em mentiras, e que seus objetivos não seriam alcançados por aquele caminho. Então você encontra uma bifurcação, e a segue como se aquela fosse realmente sua última esperança, seu último suspiro.

Mas como esquecer todas suas antigas crenças, as antigas pessoas, aquela realidade que agora parece tão longe? Como não se lembrar de amores que um dia aparentavam ser tão reais e em tão pouco tempo se desfizeram? Nessa hora, desesperadamente, você junta todos os resquícios de qualquer amor que ainda sobra em sua alma e se fortalece. Não porque quis, que fique bem claro. Você se fortalece porque foi vítima de circunstâncias cruéis – ou pessoas cruéis – mas que no final apenas te farão crescer. O fortalecimento real da alma não vem através de palavras de conforto, não vem através de um apego a novas crenças, vem através de um sentimento de libertação, de renovação, que te leva a ter sede de mudanças. É este sentimento que desejo à humanidade, mas é preciso, antes de tudo, reconhecer a invalidez de suas próprias crenças e de seus próprios amores.

Não, não me pergunte se tudo isto é real ou apenas criação de uma mente que não pára. Ainda espero pelo fim desta história.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A percepção da felicidade.

Creio que este deva ser o aspecto mais importante para a vida de um dado cidadão. O que é ser feliz efetivamente para nós? Inicio este questionamento com um frase que comumente é dita à alguem que não esteja feliz: "você não é feliz porquê quer". Não há expressão mais estúpida e infundamentada do que esta. A pessoa que diz isso é demasiadamente egoísta, principalmente com o primeiro aspecto que trataremos aqui: a percepção da felicidade.

Para tanto, vamos recorrer à um ser simples: uma bactéria. A bactéria não pensa. A bactéria é um aglomerado molecular complexo e organizado, cuja carga genética e fatores do ambiente determinam as ações. Uma bactéria necessita de iluminação, pH, oxigenação, substratos e condições adequadas para seu desenvolvimento e replicação, que leva à perpetuação da espécie. Esta é a "sina" da bactéria, determinada pels seus genes, seus inúmeros códigos de transcrição gênica que determinarão sua forma, função e sucesso. Posso eu dizer que a bactéria é um ser feliz? A resposta é NÃO.

A bactéria é um algoritmo lógico, ou melhor, BIOlógico que se perpetua. Ela não "sente", não julga, não tem livre-arbítrio ou escolhas. A bactéria é um algoritmo que, numa mesma situação, salvo casos de mutações, irá comportar-se exatamente da mesma forma em todas as ocasiões.

Agora, retornemos ao ser humano. O ser humano é um ser biológico determinado pelas mesmas bases moleculares/genéticas de uma bactéria. Assim como o ser unicelular, o ser humano também necessita sobreviver e reproduzir. Mas o mágico-trágico da situação reside na evolução. A capacidade sensitiva do ser humano é um resultado lógico da natureza. Em um ambiente supostamente caótico, onde as coisas não reagem necessariamente da mesma maneira, e em que uma só condição alterada possa causar profundas mudanças na expectativa de perpetuação da espécie e do ser, este ser necessita de ter um mecanismo rápido de avaliação do meio, dos iguais e dos outros animais/fatores naturais. E como cada um de nós enfrenta uma visão diferente do mundo, as possibilidades de ação são gigantescamente maiores do que a de uma bactéria. O que causa uma gama de prioridades completamente diferente para cada indivíduo, muito embora as bases do comportamento puramente biológico e descartando-se o aspecto social seja extremamente similar, em suas origens.

Os sistemas dopaminérgicos mesolímbicos e serotoninérgicos do cérebro são responsáveis por associar, devido à carga genética e às experiências vividas, um estímulo à necessidade que se tem dele. E quanto maior a necessidade, maior será o "prazer" sentido pelo indivíduo (ativação do sistema). É por isso que comer coisas com gordura e carboidratos como chocolates, tortas e bolos é tão bom: evolutivamente, a reserva energética fornecida por esses alimentos era essencial à sobrevivência. E igualmente por isso algumas pessoas gostam de frutas, verduras e fibras. Com a sedentarização do homem, passamos a ter necessidadede controlar e complementar a alimentação, uma vez que temos oferta de estoque, e não necessitamos mais de tanta reserva: aí comemos alimentos que contém os danos do excesso de carboidrato, como colesterol HDL. É igualmente por isso que o sexo é bom ou esportes dão prazer. O sexo está relacionado à reprodução e o esporte relacionado à virilidade, e portanto a capacidade de defesa da família e de sucesso em uma investida em busca de alimento. (Aí, vemos que o córtex pré-frontal, responsável pelo julgamento de valores de uma mulher seleciona naturalmente um homem pelo seu aspecto físico, inconscientemente)

As drogas funcionam, não como estímulo desencadeador de vias naturais, mas pela ativação artificial desses sistemas de prazer através de reações químicas. E como o prazer é associado à sobrevivência, a ocorrência desse desbalanço químico que é interpretado como prazer causa uma informação de necessidade em vista de sobrevivência: esta é a gênese teórica do vício

Nesta análise, vimos aspectos sedimentados há longo período, ainda com o homem na natureza. Mas com o desenvolvimento da sociedade atrelado à incrível capacidade de aquisição de informações do cérebro e julgamentos; a criação familiar/ convívio social frequente (como amigos) passa a ser determinante no prazer e nos aspectos que dão prazer. E então, sendo o prazer algo estimulado em nossos organismos, dá-se um nome para o conjunto de fatores causadores de prazer cotidiano (ou esporádico): felicidade.

E aí, temos um grande conflito de idéias. Como as novas idéias relacionadas ao conhecimento, à capacidade de inteligir do homem e ao hedonismo (vida com objetivo de ter prazer) contrapõem-se de certa forma com os estímulos naturais, que fogem do nosso pleno controle, por ser aspecto arraigado em nossa evolução (e tido como inferior para os entusiastas do homem como ser inteliente e superior, o que o autor considera um grande erro).

Voltamos novamente à questão, associada à uma situação-exemplo. Pense num cara rico, bonito, bem-sucedido. Às vistas da nossa sociedade moderna, pseudo-meritocrática, superficial e estética (grato, Aristóteles ¬¬') este cara é um ser que deveria ser feliz, por ter realização pessoal. Porém, temos que os pais dele, trabalhadores, honestos e de uma evolução extremamente batalhada passaram a ele, de forma relativa a carga de valores e objetivos tidos como "nobres" e "válidos". Assim, ele que é um herdeiro do esforço, sente-se infeliz por não poder "merecer" tudo aquilo que lhe traz um conforto material.

Aí, neste momento entra o pior inimigo da felicidade: o ser-humano lugar-comum. Aquele estúpido mediano que engole as pressões sociais e conceitos carne-de-vaca, defendendo com unhas e dentes o pensamento coletivo (que, pautado em Nelson Rodrigues, permito julgar burro)

Este besta é que dirá ao nosso amigo do parágrafo de cima "você não é feliz porquê não quer", já que, para ele, ser sem perspectivas, aquilo que o amigo já tem é o objetivo final, e não uma condição sine qua non de nascimento. Isso causa inveja e antipatia para os outros, e no coitado de cima, causa uma dúvida cruel e uma crise de valores que pode culminar em auto-fortalecimento, ou mesmo na descrença total de valores e atitudes pautadas no lugar-comum.

É por isso que o mundo hoje é uma porcaria. Porque a razão entre pessoas sensatas e pessoas lugar-comum é ridícula. A felicidade é uma cartilha, um caminho aberto, do qual já sabemos os destino e mesmo as paradas para ir ao banheiro. Não se aproveita o potencial do ser humano para gerar diferentes pontos de vista. Mais do que isso, se repudia qualquer tentativa de mudar esta situação. Porque é muito mais fácil vender produtos e informações para pessoas iguais: a inovação, a verdadeira e intelectual inovação passa a ser desnecessária porque aumenta os custos sem aumentar a população atingida.

Os amores, os empregos, os objetivos, as ações, as brincadeiras, as informações, a escola: tudo conspira para um mesmo caminho. O uniforme, as fileiras, as apostilas, as provas: todos temos que sentir, saber, julgar e apreciar as coisas de uma mesma forma, obtendo os mesmos resultados. A vida passou a ser uma fórmula cujo resultado é a morte, e cujo processo não varia. Uma prisão em forma de tempo.

Por isso eu peço: perceba-se feliz. Agradeça o que tem. Procure saber o que vale a pena por si só: veja todos os lados da mesma moeda. Não criarão filósofos para pautar os seus pensamentos. Mas conhecê-los, a todos eles, de uma época mais privilegiada onde pensar ia além de teclas e fórmulas, só irá acrescentar bagagem para, quem sabe, cada um de nós seguir um destino próprio, abrindo as próprias estradas.

O que te faz feliz. O que é que a felicidade te faz?
Questione-se, mude-se.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A paixão pelo pior.

É a grande engrenagem presa na vida: ter uma paixão pelo pior. Pelo "não vai dar", pelo "as coisas são assim", pelo "nada vai mudar". E principalmente pelo "eu posso morrer amanhã mesmo, pra quê fazer as coisas hoje?"

O problema dessas pessoas, é que elas correm o sério risco de as coisas NÃO DAREM ERRADO. E nesse caso, elas não sabem o que fazer. A pessoa que sempre espera o pior já não tem um porque de se planejar ou mesmo uma maneira viável de sonhar e ter esperanças. E dessa forma, se as coisas podem dar certo, elas não o farão pelo simples fato de não existirem previamente na cabeça.

A sorte pode vir a ajudar, mas mesmo assim, pense. Uma pessoa que diz que nada dá certo não pode ser levada a sério se ela não pode responder a uma simples pergunta: o que é que você quer que dê certo?

Há dois tipos de pessimismo, e ambos são condenáveis. O primeiro, é o pessimismo preguiçoso, o segundo é o pessimismo de esgotamento.

O primeiro, é um paradoxo complicado, que consiste no "conforto dolorido". Para essa pessoa, é mais fácil ser pessimista. Na pior das hipóteses, tudo está conforme previsto. Ela prefere encarar coisas de que não gosta, mas a que já está acostumada do que "dar a cara à tapas" e correr o risco de talvez sofrer mais, mesmo que isso represente a única chance de tornar as coisas melhores.

O segundo é algo mais compreensível, embora deverasmente danoso à pessoa. É um tipo de pessimismo que vem quando a pessoa conspira para o sucesso, se esforça e, por uma obra do acaso, as coisas não vem á tona no tempo em que se quer. Isso é muito comum em pessoas ansiosas, porque estas pessoas querem resultados em curto-tempo. E a frustração da não-realização preconiza a desistência dos objetivos e um conformismo com a rotina.

A paixão pelo pior é o que torna as pessoas inescrupulosas fortes, as instituições fortes e as informações degeneradas para interesses escusos.

O velório do amor.

Serei eu, o executor, o ceifador de ilusões?
O coveiro cruel que assombra os sonhos alienados das jovens almas?
Eu sepultei o amor.
Eu sepultei esse sentimento que jaz nos livros, mas não vai mais à biblioteca.
Esse espírito que vaga entre o rodar de um longa-metragem, mas não se senta à cadeira do cinema.
Esse banco da praça que não mais serve de palco para beijos sinceros.
O amor morreu, mataram-no, e à Deus, adeus.
É bem verdade que suas sombras permancem nas gerações passadas
Nos passeios de avós, nos beijos de boa-noite dos pais, mas não nos ardentes impulsos decorados de seus filhos.
O amor e Deus dançam as valsas e os tangos, e passeiam à pé, mas já não tem tempo para os technos e carros de som alto.
O jovem não sabe amar, porque o amor morreu. Como um inseto colocado em mãos de uma criança,
Morre nas idealizações que nunca hão de se concretizar, morrem nos cheques-sem-fundo em um banco chamado felicidade.
O jovem não sabe amar, porquê comprou com o banco felicidade, o entorpecente verdade, o cigarro-trago do desapego, como forma de se prender, e seu cartaz de olhos tão azuis.
O jovem matou o amor, e carrego eu seu filho em meus braços.
Não o sepultarei.
Mas somente o carregarei, levando em minha solidão de espírito, sua inocência, sua felicidade e suas verdades, de tantas faces
Porque por mais que chamem a felicidade de banco, o banco nunca trará felicidade.
Podem vender a verdade, mas nunca será Verdade, tão somente uma nota falsa, uma tradução interpretada.
E podem fazer de Deus o desapego, mas de Seu abraço, nunca escaparão as almas perdidas.
Neste barco à vela na deriva de um mar de jovens que não sabem amar
Sopra o vento do passado, na esperança de um futuro, de jovens sem presente.
Seu amor é por si mesmo
O meu amor é por não ser o seu,
Os amores que são Deus.

domingo, 4 de setembro de 2011

Uma Mulher Possível.

Admitamos. O mundo está repleto de meninas sem personalidade. Meninas e meninos, mas aqui eu me presto a analisar uma face dessa moeda. Todas as meninas são iguais.. Só conseguiremos ver reais mudanças e diferenças marcantes de personalidade quando lidarmos com reais mulheres.

E essa é a característica essencial à uma pessoa que queira um mínimo de respeito quanto ao próprio gênero: ser MULHER, e digo mais, ser uma mulher possível.

A mulher possível não é perfeita, nem tampouco completamente oposta ao conceito de menina que tanto temos como modelo a NÃO ser seguido. As diferenças são sutis.

Toda mulher, e extendendo mais, toda pessoa tem sim, preocupações com aparência, status, conforto, e tantas outras determinações sociais a que estamos submetidos. Mas essa é a grande questão. Passa a não ser mais PURA E SIMPLESMENTE isso que pauta as paixões de uma mulher possível.

A mulher possível vive paixões maduras, regadas com a tranquilidade de quem já viveu muitas paixões burras como meninas. Elas não se deslumbram, não fazem joguinhos, não são frescas e nem precisam ficar testando a própria valorização por ações irrisórias que só fazem de uma relação um verdadeiro inferno.

Não são apáticas, nem críticas ignorantes: sabem brigar com valentia, e provavelmente sairão vitoriosas de uma discussão, não pelo grito, mas pela classe. Elas terão sim, ciúmes, mas terão equilíbrio para verem que são suficientes para manter uma relação, ou verem que não estão na relação certa.

Elas aceitarão o romantismo, e não serão enfadonhas e crianças, tanto na voz, quanto nas atitudes. Saberão o valor de um bom jantar feito pelo namorado e aceitarão dividir a conta do restaurante e do motel de vez em quando, afinal, uma pitada de cavalheirismo ainda faz bem à saúde.

O espelho ainda será um bom amigo, mas perderá o posto para o amante. Porque antes de tudo, o melhor amante é aquele que fala e escuta, e a quem importa mais a voz que profere uma agradável tarde de conversas e músicas do que os olhos verdes. Aparência é importante? Claro. Mas os sonhos dela não serão pautados pelas suas cores, e sim pelas suas mínimas e semínimas, e não menos (talvez até mais) importantes, as pausas. Porque, afinal, é no silêncio que as almas se falam.

Uma mulher possível é, antes de tudo uma pessoa, e nunca um conceito, como as meninas tentam inutilmente serem. Falível, com história de vida e que tenha vaidade e orgulho. E o que mais difere a mulher possível é o fato de ser no fundo da alma, uma menina, mas que administra as pequenezas da natureza de ser menina, transformando as pequenas e incômodas peculiaridades personais em um tempero essencial à grandeza de espírito, à maturidade de uma amor de verdade, que transcenda os amores de filmes, amores imaturos de adolescentes.

Um amor de verdade é regado à um sóbrio e relaxante cálice de vinho, e não à suco de uva. É o carvalho que confere o verdadeiro charme da maturidade à mesma água, a princípio, adocicada e insípida da juventude.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A arte de ser medíocre em aspectos, mas grande na mediocridade.

Todos somos medíocres, no aspecto geral. cada qual tem qualidades e defeitos, e fazendo um balanço das características, não há um só ser humano no mundo que tenha mais qualidades do que defeitos. Somos imperfeitos por natureza. Se perfeitos fossemos, teríamos o nome de Deus, ou qualquer outra divindade impassível de erros e previsibilidades.

Somos todos previsíveis, queremos as mesmas coisas, de formas diferentes e, assim como os animais, seguimos a lógica de grupo, ou ficamos à margem do processo biológico e, porque não dizer, social.

Somos todos medíocres. Mas depreende disso todo o nosso valor e todas as nossas faltas.

O maior erro do ser humano é não enxergar que ser humano é só ser, e não tão ser. É um entre 6 bilhões, com dois olhos que enxergam de uma vista parcial, única e pessoal um mundo todo de possibilidades, encravado em um infinitesimal indistinto no grande vazio que é o universo.

Você não é melhor que ninguem. Uma bola de gás gigante como Júpiter é maior, e fisicamente mais significativa do que você no universo. Se você só puder fazer por si, fará para 1/6 bilhões de pessoas que representam menos de 0,0000001% da matéria de um dos menores planetas de um sistema planetário de uma estrela de quinta grandeza num braço distante de uma galáxia de médio porte dentro de um dos inúmeros aglomerados perdidos e suspensos no vazio.

Se você deseja ser mais do que isso, admita que você não é mais do que uma pessoa. Cuide do mundo à sua volta, cuide de você, seja altruísta sendo também egoísta. Tenha prazer hedonista ao ajudar solidariamente.

Você pode fazer diferença em inúmeras dessas frações infinitesimais do universo.. que é melhor do que ser só você por você.

Por ter um emprego bacana, uma posse material, uma relação social/sexual agradável, você é indiferente no universo. Por fazer a diferença na vida dos outros, você é INFINITAMENTE menos indiferente. Logaritimicamente mais válido.

E se tudo vier ao pó como no princípio bíblico, lembre-se que é melhor ter sido mais do que uma simples poeira no vento.. Ser um grão de areia na praia.. É ser um grão de sustentação de uma base.. uma semente germinal em meio à tantas lavouras daninhas.

sábado, 23 de julho de 2011

Uma assertação sobre os amores-prontos

Não quero soar nostálgico, afinal, como ter saudades de algo que nem se viveu? Acho que fica mais como um desejo, como mais um “se” perdido num baú de possibilidades que não vieram a ser. Mas pois que penso na nossa sociedade, a ocidental, feita na forma do negócio familiar do tio Sam, regido pela cartinha do panis ET circencis romano, e pela filosofia aristotélica, agostiniana e de mais alguns iluministas por aí.

Mesmo com todo esse contexto, o amor era algo mais palpável. O romantismo era algo mais presente, sem ridicularizações, ou mesmo padronagens nunca alcançáveis de filmes água-com-açúcar da Jennifer Aniston. Era um amor e um romantismo genuíno que não creio existir mais. E digo isso de uns 20 anos pra cá, que corresponde, num infortúnio, a mais ou menos a minha idade.

Pode até ser que eu mesmo idealize o que não tenha vivido, pelo fato de achar que essa nossa realidade é insustentável, e pela crença de fé, em que não é possível que antes mesmo dessa febre de desapego em que vivemos, que as pessoas já perpetuassem essa “objetização” e funcionalização da relação pessoa-pessoa.

E você pode se perguntar: o que há de diferente? E são várias coisas. Todo um contexto que obriga todos nós a não perdermos tempo com o amor. É tudo como no McDonalds: vem pronto e em tabela. É só pedir, e nem se dê ao trabalho de perguntar como é feito, e melhor, porque não é como o cartaz logo acima do atendente.
Porque aquele sanduíche brilhante, cheio de gergelim, alface crocante, um hamburger regular e fatias de tomate milimetricamente cortadas, em meio ao cheddar perfeitamente fatiado e posicionado simetricamente não parece NEM UM POUCO com aquela plasta pingando gordura e molho cheddar, a alface caindo em uma mordida e o pão murcho e sem aquele gergelim crocante.

Ainda assim, o mesmo gosto que seu cérebro idealiza à imagem e semelhança da propaganda vai ser o que será armazenado como correspondente à plasta calórica que você vai ingerir. E nosso corpo é burro, mesmo com nossa dieta “superfaturada”, ele ainda acha que se não armazenar energia, vai morrer de inanição. E é por isso que os nutrientes orgânicos mais energéticos como carboidratos e gorduras são muito mais saborosos do que fibras e óleos insaturados. O paladar também é um adendo evolutivo, que age pelas vias de prazer para manter-nos querendo comer.

E o que dirá essa metáfora, senão a conceituação do amor-pronto? Há um catálogo prontinho, feito especialmente por Walt Disney para que as moças se deliciem: O príncipe encantado. Um jovem alto, forte, bonito, descompromissado, rico, poderoso e com um belo meio de transporte agregado, além de um bom castelo.

E quando você encontrar aquele imbecil-casca feito de roupas de marca, carro importado e cobertura, ele será o seu sanduíche pingando com gosto de príncipe encantado. Por que o sexo e mesmo a menção da realização social com esse ser vão ativar a mesma via dopaminérgica mesolímbica de prazer que o alimento carboidrático, ou a cocaína, ou tantas outras coisas ativam. É o prazer “fast-food” na vida social: o “fast-love”.

Enquanto os antigos conheciam-se jovens, casavam-se, conheciam-se e aprendiam, dia-a-dia a se amarem e a construírem o amor, o respeito, a vida e mesmo a carreira, como um processo natural; hoje, já queremos um companheiro(a) em moldes pré-determinados, que remetam a sucesso social, à estabilidade, à status, á satisfação hedonista. Não é uma questão de encontrar alguém que seja isso. É uma questão de ter o príncipe e a princesa encantados encalacrados na mente e tentar por todo meio possível, psicológica e socialmente moldar o parceiro ao cardápio do Walt Disney. Há pré-requisitos, seja beleza, seja grana, seja status, seja físico, para que uma pessoa cogite relacionar-se com você.

Quando você olha para um rio, vê a água doce correndo pra se misturar com o mar salgado, você não deve pensar que esta água está sendo perdida. Porque, por meios naturais, esta água evapora e torna aos lençóis freáticos, para servirem de novo às correntezas doces. A não ser que consigamos poluí-la.

Assim é o nosso tempo. Ele não é desperdiçado. Não precisamos de moldes para achar o par perfeito. O tempo bem investido retorna para nós como experiência, lembrança, conseqüência e história de vida. Assim como perder tempo com um molde, uma imagem ideal ao fundo da caverna de Platão é uma agressão, uma poluição do tempo e, este sim, não retornará mais.

Por isso, faça sua própria comida, use os ingredientes certos de forma equilibrada. Prepare uma refeição com sabores e componentes diferentes que te permitam o prazer de um carboidrato, e o bem-estar de um alimento rico em fibras e vitaminas.

Faça o seu amor conforme o tempo lhe dê as oportunidades, sem a necessidade de moldar a pessoa à sua volta. Abdicar totalmente de um chocolatinho de vez em quando ou mesmo de uma preferência, uma vaidade ou uma segurança na vida é impossível. Mas deixar as coisas ocorrerem naturalmente, mesmo com um pouco de expectativa e mmoldes ainda é mais saudável do que procurar o seu príncipe de cardápio no fast food do amor.. Senão o máximo que você se torna é um “fast-food” metafóricamente trágico.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Necessidade.

A base de toda e qualquer civilização, e o motivo que me traz aqui, mais uma vez. Mas não uma necessidade fútil, desse ou daquele vestido. Tampouco uma necessidade que mudaria toda a humanidade, vai saber. Apenas uma necessidade de expressão. Apenas? Não.
São poucos os que realmente querem - não gostam, apenas querem - ouvir qual é a verdadeira necessidade do mundo. E referindo-me ao mundo, quero dizer a mim, ou a você. Sem maiores generalizações.
Engraçado porque é esse mundo que me escapa, apesar de todo o meu esforço para entendê-lo. São as pessoas que me escapam. É o medo de ouvir a verdade que me escapa, foge de mim como se não quisesse mesmo o meu entender. Como se nenhum entender, meu ou seu, fosse necessário. Mas é.
Qual o problema com a verdade? É essa a indagação que vem me perseguindo há meses. Se dói, não sei. Se é fria, não sei. Se é demais, talvez. Demais para um coração que prefere fechar-se em um mundo utópico, sem problemas nem realizações, e que se esquece da necessidade dos que, teoricamente, precisam dele batendo para sua própria sobrevivência.


Espero que este seja meu retorno. Beijos!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

#12

Corre. No descampado em que estiver a multidão, todos os lados são horizonte.
E tua estrela reluz, seja noite, seja dia.
E a medida que vira ponto e some no longe, fica pequeno nos olhos de quem vê
Mas cresce em si a cada passo.
E se ser ponto é ser crucificado,
Lembra que quando tua cabeça cair em morte aos olhos alheios,
Que estará se erguendo, e em si nascendo Eu,
Deixando de ser um, pra ser O.
Artigo definido.
Para si,
E tantas outras instâncias como o mundo: que pouco importam.

Androgenia construtiva.

Não sei bem como é que funciona isso. Anda sendo moda ser andrógeno. Restart e afins estão aí pra provar este ponto. A distinção entre homem e mulher cai numa linha tênue. E as mentes mais suscetíveis acabam por comprar esta idéia amplamente divulgada. Pessoalmente, não sou fã. Nada contra. Questão de complexidade, estilo e valorização de esforços mais nobrees.

Porém, acredito numa androgenia mais construtiva. Chega a ser inocente, besta e pouco atraente, mas, num país machista, onde qualquer demonstração de caracteres tradicionalmente femininos é considerada homossexualidade. E veja bem, são apenas trejeitos que foram considerados PELA SOCIEDADE como femininos.

Sentimentalismo, romance, vaidade, detalhismo, e tantas outras características que, em homens, são carinhosamente colocadas pelos "machões" como "boiolagem".

Sabe, às vezes, as pessoas deturpam o sentido dos atos. E não só homens. Mulheres também. Quantas vezes não se ouve comentários acéfalos como "eu gosto de HOMEM, e não disso". Só que esse homem eternizado pela pequeneza do intelecto humano é uma noção grotesca de falta de educação, ignorância, machismo, porquisse, dentre tantas outras "qualidades indispensáveis".

E no fim das contas, acho que, mais do que força e burrice, ser homem é ser corajoso.

Mas coragem, significa competir de igual pra igual com mulheres por um posto de trabalho. É ser educado espotaneamente. É ser romântico às vezes e prático em tantas outras.

Acima de tudo, é admitir que ser você mesmo não tem nada demais, e não ficar se escondendo da crítica detrás de uma cortina chamada senso-comum.
É saber que as escolhas que fazemos, antes de agradar à qualquer um, tem de agradar à nós, e que deixar de fazer algo de que se gosta pelo medo da opinião alheia é omissão e mediocridade.

E não importa se eu quiser ser utópico, romântico, educado, dar risada e torcer por uma comédia romântica água-com-açúcar, ou ouvir músicas de quatro acordes falando de amor. Não importa se eu quiser combinar a camiseta com o tênis e pentear o cabelo todos os dias antes de sair de casa. E realmente acreditar que, mesmo que o mundo inteiro seja superficial, ainda tem uma pessoa que seja que pode gostar da minha pessoa pelo que eu sou, e não pelo papel que eu finjo ter nessa tragicomédia chamada sociedade.

Porque, quando eu olhar no espelho, eu vou saber que o que eu vejo ali, dentro dos olhos, é o que todos podem ver claramente, e não o que todos desejam ver.

É ser eu, e ser mais eu, antes de tentar gostar de outra pessoa.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Minissérie #3

Os ânimos estavam acirrados. Sabe-se lá porquê aquele dia parecia tão agitado pra ela. As pessoas estavam preocupadas com provas, ou quaisquer outras coisas que não estariam tão evidentes. Ela vislumbrava a janela, em que escorriam gotas de uma chuva chata, daquelas fininhas que encharcam a roupa, e que refletia sua face bonita, com olheiras que refletiam algum esforço inútil em ter estudado de madrugada.

Aquilo não era pra ela. Estudar não. Talvez nem tanto outras coisas também. Ela realmente não pensara em nada pra fazer. Como não pudera ficar vagabundando o dia todo em casa, iria para a escola, somente pra preencher um tempo que não seria empregado em nada. Afinal, por que simplesmente ela não poderia ser uma especialista em nada? Quem disse que isso é errado?

Ele vislumbrava a manhã nublada como uma qualquer, a não ser pelo fato que as pessoas se aproximavam muito mais dele nesse período pré-prova. Não que importasse. Ele fazia os comentários que faria mentalmente sobre a matéria, se não o indagassem. E ainda era considerado simpático.

Claro, também, que ele vislumbrava as pessoas que simplesmente não se importavam com nada. Ficavam lá, nos cantos, escutando música e/ou pensando em qualquer outra coisa que não a prova. Não que importassem também. Mas só lhe intrigava o fato de alguem conseguir ficar em tamanho ócio mental, mesmo frente à uma obrigação simples e corriqueira como aquela.

Como fosse, fizeram a prova. Nada demais: para um, rotina. Exatamente o que fora exposto em sala. Para outra: indiferença. nada daquilo que se apresentava fazia sentido. Nem tampouco o professor que lhe dera a matéria vinha à sua mente.

A subsequência se deu como sempre, cada um retorna a sua rotina, nada demais, até que saísse a nota da prova. Ele tinha ido bem. Ela tinha zerado mais uma prova. E nem lhe afetaria esse fato, se logo em seguida ela não tivesse de ir à sala do diretor. E mesmo isso não seria um incômodo se sua mãe não estivesse naquela sala.

O diretor falava, e dramatizava, dizia que falara mil vezes para ela se concentrar, prestar atenção, que todos os professores falavam, que ninguém poderia convencê-la de estudar e tomar um rumo na vida, enquanto a mãe ia ficando constrangida e chorosa, e a menina indiferente.

Mas lá dentro, ela estava frustrada, porque, a única coisa com que se importara na vida, era o bem-estar da mãe. De um jeito desastrado e leviano, mas ainda assim, sincero. Fazer a mãe sofrer era tudo o que ela não pretendia. Desse modo é que ela acabou por começar a frequentar o colégio. E não pareceria tão difícil, se fosse algo somente presencial. Mas ela realmente não esperava por este golpe. Ainda assim, sua face estampava indiferença, mais pelo costume do que pelo vir-a-ser.

Ela fazia as mesmas promessas vazias de que iria se empenhar para melhorar, frente à professor e diretores. Mas ter aquele silêncio cabisbaixo da mãe acompanhando o som dos passos de um all-star surrado, numa dessas ruas de subúrbio pouco movimentadas que iam dar de encontro com sua casa, era uma sensação desesperadora.

A mãe não confiara plenamente em sua capacidade. Mas confiava um pouco. Era daquelas mães iludidas, que sempre pensam que o insucesso do filho é uma obra do acaso. Não enxergam que incentivando o insucesso, só irão tornar os filhos mais confortáveis na mediocridade.

No dia seguinte, as olheiras ainda pesavam sob os olhos inchados. Se a indiferença estampava os arredores daquelas olheiras agora, certamente que não se pareciam com a expressão carregada de lágrimas frustradas. Sua mãe acompanhaou sua ida à escola dessa vez. Não tocara no assunto uma vez sequer. Só disse "faça o melhor, eu sei que você pode". E se despediu com um abraço de mãe, daqueles que aquecem a gente de dentro pra fora.

O início da aula foi complicado. Ela se sentia na obrigação de reagir. Já sentira isso em outras vezes nas quais fora advertida pela falta de interesse. Mas como sempre, não sabia como começar. Ficava com vergonha de perguntar, pois não sabia do que se tratava. Nem a mínima idéia. E esse primeiro dia geralmente passava numa confusão mental, que terminava na desilusão dela, acerca de entender alguma coisa.

Mas não daquela vez. Daquela vez, o que estava em jogo era mais do que o jugo dos professores. Era a esperança da mãe. Aquela esperança que vinha como o tempo. O tempo, independente de você aproveitá-lo ou não, virá. E se for pra gastá-lo com nada, terá sido em vão. Assim era a esperança da mãe. E ela não poderia jpgar fora isso, mas do que já havia feito.

E assim, ela conseguiu ver algo que antes não conseguira. Outras pessoas conseguiam corresponder. O que é que eles têm? Ela não sabia. E talvez, essa necessidade seria o início de um grande impasse na vida dela. No momento em que decidiu pedir ajuda à ele.

sábado, 7 de maio de 2011

Dentre os seus espinhos e os meus cacos.

Tinha um espinho na planta do pé.
Fosse por que fosse, nascera com ele.
Quando pisava o chão, era dor,
Era cada passo um ardor
Que em estar lhe acompanhando a vida
Tornara-se leve como o respirar
Estava lá, como de um coração a batida
Sem que mais percebesse.

A dor estava lá, companheira
E ao passo do menor sinal
A lembrança corriqueira
Do ardor que lhe acometera
E ele praguejava, e xingava
E maldizia, sua dor constante
Seu passo errante
Sua condenação à revelia

Um dia sem pretensão
Pisara num caco qualquer
Em cima do espinho que não...
... mais estaria em seu pé
De dores agudas, pesadelos alheios
Lhe viria o maior presente
O fim da dor perene,
A eterna lembrança intermitente

E mesmo que lhe dissessem
Que não valia a dor intermitente aguda
Que fosse melhor a dor latente e muda
Mas no fundo ele sabia
Jamais trocaria uma dor que passa
Pela incapacidade de poder não sentir dor
Ao menos por um segundo...

Minissérie #2

Ele era acordado pelo despertador e, religiosamente levantava após três “sonecas”. Tomava seu banho pra acordar e passava o mesmo perfume de sempre. Penteava o cabelo da forma melhor que lhe afinava o rosto, colocava uma correntinha estilizada com uma imagem de estrela-de-davi que ganhara da avó, judia.

Não tinha em si uma crença pré-definida, nem tampouco desacreditava de uma orientação universal. Só preferia ficar na dúvida pra agradar gregos e troianos. Seja pelo que fosse, não ia desagradar ao Deus de um pra acreditar nos outros. Seja o que for essa orientação espiritual, “tamo junto”!

Sempre teve cuidado com a aparência, pelo simples fato de não ser o cara mais bonito que já se vira. Não que fosse fazer diferença, afinal, só se nota detalhes, frente à linhas gerais bem-definidas. Mas na via das dúvidas, melhor já ter em si alguns detalhes.. Nunca se sabe quando Deus ou Buda fosse colocar algum olhar oportuno cruzando seus detalhes em quadro branco.

Tomava café à mesa com os pais. Assistiam juntos ao jornal ao som da cafeteira e ele levantava tão rápido o relógio apontasse sete e meia. Despedia-se com um beijo no rosto dos pais e partia pro colégio. Como gostasse de música, escolhia suas trilhas sonoras de época em época. Naquele dia em especial, poderia estar ouvindo Donavon Frankenreiter ou, mesmo algum dos “Nocturne” de Chopin. Não que isso importasse ao resto do mundo.

Chegava ao colégio, metódico como sempre, tirava o material do dia da mochila e colocava sob a cadeira. Não que gostasse das aulas e dos professores. Mas simplesmente sabia que aquilo tudo era um caminho, uma trilha a se seguir pra conseguir chegar à um ponto onde poderia fazer o que quisesse.

E era esse ímpeto que lhe ajudava a suportar as aulas, até com certo interesse, a perguntar, a questionar, e todas as coisas que os professores tanto prezavam. Ainda não sabia o que queria fazer da vida, nem lhe passava pela cabeça. Mas sabia que não iria ficar sem nada pra fazer.

Os intervalos eram algo meio frustrante pra ele. Não que não tivesse amigos. Mas é que simplesmente não lhe entusiasmavam os papos dos amigos. Eram sempre as mesmas coisas, sempre falando das bonitinhas exibidas que, provavelmente deveriam estar falando deles. Não dele, dos amigos.

Claro que seria uma puta hipocrisia, dizer que ele não queria dar uns amassos nelas. Ele era homem também, afinal. Mas era recíproco: ele não via muito propósito, e elas também não viam nada nele. Então, era unir o inútil ao desagradável.

Após a aula, não se demorava muito a ir pra casa. Estudava um pouco, saia pra caminhar à tardezinha, e no fim do dia, ficava com os pais na sala de casa, onde conversavam e assistiam à televisão. Depois, dava boa-noite aos pais e ia pra cama, onde ficaria algumas horas refletindo sobre divagações da vida.

Minissérie #1

Ela saía de casa com os olhos semi-cerrados pelo sono e por causa de umas brechas de Sol entre os galhos de uma árvore da calçada. Pensava em trivialidades quaisquer que não se misturassem com a escola ou algo que lhe chateasse. À trilha sonora de umas três ou quatro bandas das quais não sabia o nome, as quais baixara de uma playlist bem avaliada em um site de letras. Também não se dava ao trabalho de saber o que diziam. Ia na inércia dos passos para a escola, para que na inércia das palavras do professor, fizesse seu papel coadjuvante no script em que sua mãe depositara investimentos e esperanças de estrela.

- Educação é cara minha filha.. Estuda pra não ser como a tua mãe..

Ser como ela? Ah, ela é legal, tem um bom marido e não sei por que eu não poderia ser como ela!

Mas como toda filha sabe, mães nunca devem ser contrariadas. Então, ela concordava passivamente.

As aulas eram, no fundo, um recanto. Como os professores não a deixavam escutar música, e ela definitivamente não estava interessada no que eles estavam falando, ela usava esse tempo pra vegetar, pra manter o descanso da cabeça constante. As palavras no mesmo tom, aquela marcha disciplinada que era acompanhada por burburinhos de fofocas quaisquer. E interrompidas apenas pelas perguntas de duas ou três pessoas que incrivelmente tentavam acompanhar aquele discurso despropositado. Mas enfim. Não importa.

No intervalo, levantava da cadeira pra esticar as pernas e encontrava as outras meninas só pra falar mal dos outros. Sem propósito algum. Deve ser natural do ser humano. Porque era divertidíssimo! Mas é. Roupas, sapatos, modos, manias, nada passava desapercebido pelas outras. Ela mesma não se preocupava muito com isso, mas dava umas risadas pra não perder as amigas. Por certo que elas falavam mal dela nas costas e, ela mesma achava as meninas um pouco dispensáveis. Mas lá estavam elas, espontaneamente juntas, sem muito choro, nem muita vela.

Após a aula, saía da sala e perdia uns 20 ou 30 minutos no portão observando e comentando os transeuntes com as amigas. Era legal flertar com os rapazes bonitos que passavam ali. Um pouco monótono, diga-se. Bonita como era e sabia, não exigiria muito esforço pra fazer acontecer um affair efêmero. Um olhar diferente, e, no dia seguinte, o rapaz fingia ter atitude, e ela fingia que ele tinha, ao aceitar o seu convite pra sair.

Claro que alguns caras passavam flertando sem chance alguma. Um inconveniente necessário. E eles tinham lá sua função. No mínimo, poderiam acrescer qualquer mixaria de auto-estima. Como se ela precisasse..

E a verdade que ela nem tinha consciências de todas essas coisas que aconteciam. Era praticamente uma aplicação da lei do mínimo esforço, com o complemento da máxima recompensa possível. Uma função simples (função?).

Depois, era uma mescla de estender as conversas de intervalos e portões no computador em casa, com assistir umas séries, dessas romantescas bestas, pra não fugir dos assuntos de amanhã, e pra poder fingir que um amor daqueles, mastigados entre pessoas bonitas e populares era algo realmente melhor do que prezar algo mais.

De noite, recebia umas mensagens no celular de affairs quaisquer, que respondia com a mesma riqueza de argumentos que lhe eram apresentados, com representações cardiovasculares em caracteres alfa-arábicos e “te amo”s levianos.

E ia dormir como acordou, fechando de vez os olhos semi-cerrados pelo sono, e pra evitar as luzes que passavam pelos galhos da árvore da calçada. As luzes eram de um poste. E nem percebia o beijo de boa noite que sua mãe lhe dava depois de cobri-la e tirar o notebook do colo.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Pele de cobra

A gente faz a luz pra ver de noite a beleza que poderia ser vista à olhos limpos ao dia. E embebe em álcool a própria percepção só pra conquistar aquilo que queremos sóbrios. Sem sentir.. Sem precisar. Só pelo prazer de poder errar sem medo. E poder ver menos em luz artificial do que a timidez possa impedir À luz do dia. Eu posso construir uma beleza. Mas você realmente pode tê-la?

Porque é assim sempre né?

Vou combinar com o Sol, pra ver se ele nasce às 10 e eu possa dormir mais, sem ter que fechar a cortina. Combino com minha mãe pra que ela não tenha que trabalhar, pra poder fazer o meu café, e obviamente, meu pai vai estar À minha espera pra me levar à escola. E vou combinar pra que hoje seja feriado, e que só a Lívia se esqueça também disso. Claro que minha mãe já vai ter colocado um guarda-chuva e uma blusa extra na mochila. E como a Lívia mora no mesmo bairro que eu, além do mais, agora meu pai teve que trabalhar, não ia ser problema nenhum eu emprestar a blusa pra Lívia, e dar uma “caroninha” debaixo do guarda-chuva. E é claro que ela adora Arctic Monkeys e prefer não se envolver em discussões políticas. É claro que ela prefere ser modelo e não se importa nem um pouco com a minha carreira, e sim com como eu sou simpático e toco guitarra numa bandinha de garagem. E é claro que ela vai se virar pra falar comigo ao mesmo tempo que eu “acidentalmente” chegar perto demais, dando um beijo nela.. E é claro que, em meio ao susto que ela vai adorar, e que não vai reclamar que eu me despeça dela com um beijo de verdade. E eu vou chegar em casa, e lá estará, o almoço na mesa, o celular da Lívia anotado no celular, só pra eu ignorar até que ela ligue de novo e a minha cama esperando pra que eu volte a dormir. E pode desligar o Sol de novo, porque meu dia já teve tudo o que eu queria. Porque é assim sempre mesmo né..

segunda-feira, 4 de abril de 2011

In The Heat Of The Moment...

Estava cá fuçando em algumas notícias nessa última manhã de folga antes de iniciar um módulo novo na faculdade, quando me deparei com uma notícia assim entitulada:

"Só não estuda quem não quer, diz Dilma sobre financiamentos".
http://www1.folha.uol.com.br/saber/897868-so-nao-estuda-quem-nao-quer-diz-dilma-sobre-financiamentos.shtml

Sério, dá pra levar em consideração algo assim? O brasileiro é, por excelência, um sujeito de momento. As soluções do brasileiro são inegavelmente práticas e costumam serem eficazes para o fim imediato que se estabelece. Não à toa, os brasileiros se orgulham de dizer que tomam emprego dos estrangeiros em suas próprias terras pelo trabalho e pela inteligência prática.

Mas já reparou que esses brasileiros, em grande maioria, ocupam funções de base, como empregados ou mesmo temporários? Em empregos de aplicação prática e objetiva e sem muita perspectiva de crescimento e criação. Obviamente que a remuneração é desproporcional ao que se tem aqui, e o pouco suado que se ganha lá fora é muito aqui, dando uma falsa impressão de sucesso brando.

Enquanto isso, pessoas com visão sistêmica, que vêem além do momento criam uma metodologia de desenvolvimento, um plano de metas, um caminho a se trilhar. É mais longo, verdade. Funciona a longo prazo, exige paciência, e isso é o que o brasileiro não tem. Veja por exemplo, nos esportes: um time vai muito bem, perde uma partida, já se fala em demitir técnico, em demitir jogador. No fundo, foi uma partida só, e essa derrota foi decorrência do esforço de um elenco desgastado. E que no fim das contas, mesmo frente a ela, pode sair vitorioso em um campeonato, que esse sim, é o objetivo final. Mas é claro que só dá pra acontecer isso com o apoio da torcida.

Mas O QUE RAIOS ISSO TUDO TEM A VER COM O QUE A DILMA FALOU?

Pois bem, que nessa onda de praticidade, temos poucos universitários no Brasil. O que o governo faz? Permite a abertura de um monte de faculdades meia-boca, financia os estudos de todo mundo a torto-direito e forma um monte de profissionais despreparados pro mercado, aí pra serem agentes meia-boca de uma indústria meia-boca de um país meia-boca. Com dinheiro? Sim, mas para os outros aproveitarem.

Porque, não seria mais fácil dar uma boa educação na base e permitir que todos, independentemente de classes sociais disputassem em pé de igualdade às vagas em centros de conhecimento renomados, ao invés de se conformarem os menos preparados (por culpa da má-educação do país, que fique claro) com formações deficientes em centros improvisados?

Aí, os mais abastados custeiam uma caríssima (e extremamente lucrativa) "indústria do conhecimento" que são os colégios de ponta, formam seus filhos para as melhores faculdades, permitem a eles serem profissionais mais completos e melhor remunerados, assim mantendo eles como pessoas mais abastadas e as outras como menos, congelando o sistema social.

Ao invés de fazer remendos na educação, podemos criar umabase mais forte e sólida, com esse tão anunciado status de "potência" que temos, graças ao dinheiro de poucos. Criar jovens mais cultos, mais críticos e competitivos, preparados para o futuro e sem o conformismo de remendos para enganar aos entusiastas do momento.

Fica a dica..

domingo, 3 de abril de 2011

#11

A quebra da rotina é o entorpecente do ser humano. Tudo quanto for prazeroso é, de certa forma uma quebra da rotina, um ponto singular na linearidade dos fatos da nossa vida. As sensações, as impressões, os momentos e motivações. E tudo quanto for de fora pra dentro e nos fazer únicos em determinado momento.

Talvez eu possa estar sendo só um lugar-comum na descrição das sensações, mas, por Deus, como é extasiante descrever a quebra da rotina! Talvez, depois dessa quebra, eu retorne à passividade do meu dia-a-dia. Mas que fique registrado, fui feliz. Saí sem rumo para um lugar qualquer, com pessoas diferentes, com impressões diferentes e me deixei ser lentamente decifrado (ou não). Estou ouvindo músicas completamente diferentes do que estou acostumado, retornando a falar com pessoas que, há muito não falava; retornando a pensar em certas decisões do passado.

A cabeça vai a mil. Coisas diferentes! Trabalho, raciocínio, “fosfato”! E no entanto, ainda estamos embebidos nela.

Para negar alguma coisa, precisamos primeiro, admitir que ela existe. Para exaltar a quebra da rotina, estaremos contrapondo o que fazemos no momento ao que sempre fazemos. Então, no fundo, estaremos com a rotina em mente, mesmo nessa quebra. É como correr da própria sombra.

Só que ainda assim, é a única forma de prazer que teremos. Seja com drogas, com música, com eventos, esportes, realizações. Tudo o que queremos é fugir de uma rotina que existe em nós e conosco.

sábado, 19 de março de 2011

Divagações de msn: uma dose homeopática de demagogia. (5 - Insatisfação)

Créditos: Natália Maria Neves

a eterna insatisfação do homem é desculpa para todas as suas depressoes
tudo seria feito de injustiças?
talvez o unico erro
seja acreditar que existe o certo
e que a vida tenha que atingir certos niveis de perfeiçao
racionalmente inatingiveis
quem sabe tudo nao seja mais lindo
se os ideais forem mais simples
e a definição de felicidade seja apenas
estar aqui
vivo
respirando
tendo chance de fazer algo bom por si mesmo e pelos outros
tendo ar para encher os pulmoes de glória
e gritar para o undo ouvir:
ESTOU SATISFEITO!

Divagações de msn: uma dose homeopática de demagogia. (4 - Palavras)

Créditos: Natália Maria Neves

palavras nao bastam
sao poucas
grandes dicionarios de toda a experiencia humana nao conseguem
nao têm a mínima capacidade de traduzir
quarquer mínima gota de sentimento humano
porque vida se escreve com sangue
com suor
com batalha
as quatro letras juntas nao se comparam a horas e minutos e sgundos
palavras se escrevem com letras
mas significados se escrevem com a alma.

Divagações de msn: uma dose homeopática de demagogia. (3 - Desperdício de Tempo)

tempo, e aqui cabe um clichê bobo de compará-lo à correnteza de um rio.
porque, afinal. as águas passam, o rio passa.
se não nos banharmos naquelas águas, elas passarão
elas não esperarão pelo nosso toque, pela nossa sensação
e assim, o tempo que temos
correndo, se fazendo entremear por nossos sentidos
e quando estamos distraídos demais com os pensamentos,
pra traduzir o tempo em sensações
ele continua passando
e afinal, mesmo que destilado junto Às remanescências de uma memória
ali, imperceptível,
o tempo nunca foi desperdiçado
e nunca será, até a última gota, a fatal, que seca o leito de rios intermitentes
vida eterna... ou não

Divagações de msn: uma dose homeopática de demagogia. (2 - Amizade)

amizade..
amor..
amor é algo que temos.. pra alguns sentimento
outros posse
outros estado de espírito
mas
o amor que temos pela família e pelo amado
são amores biológicos
são instintos
mesmo que ainda tenhamos sofrimentos racionais e palçpáveis para com esses amores
e en meio a tanta confusão
temos as amizades
o primeiro, único e genuíno amor racional
o amor que escolhemos por afinidade, companheirismo, e tudo aquilo quanto possamos julgar, ainda que vivamos sem julgamentos para com amigos
são os pais, irmãos, amantes e parceiros que escolhemos
e pelos quais sabemos porque lutaríamos tanto
e conquistar a amizade dos seus pais, dos seus amores e das pessoas importantes
será sempre a maior prova
de que em meio aos ímpetos animalescos e podridões da vida
que ainda podemos ver um por que em amar
e praticarmos isso como seres humanos

Divagações de msn: uma dose homeopática de demagogia. (1 - Inteligência Emocional)

inteligência: bem.. conceitos e mais conceitos..
em si, a inteligência é a capacidade de inteligir
de relacionar fatos, de gerar argumentos
de fazer construções virtuais baseado no conhecimento de mundo
e num encadeamento que, pelo menos ao sujeito
soa lógico e coerente
emoção
é uma carga de sentidos e impressões
algo difuso, difícil de se definir em uma estrutura tão rígida e determinista como as palavras
mas a emoção, em suma
é tudo aquilo que temos uma consciência existencial, empírica da existência,
mas que não conseguimos traduzir completamente em palavras: o inefável
a emoção só é (mal) descrita por comparações à estímulos muito bem definidos e desmistificados
como um "frio na barriga" ou uma "explosão de euforia"
E mesmo assim
dois contrapontos
a expressão do racional contra o não-descrever dos sentidos
podemos encarar a vida e tudo quanto não sabemos explicar
de um modo tranquilo
austero
equilibrado
e no momento em que aprendermos a importância de cada momento
sabermos viver as passagens encadeadas da vida
e sabermos ver significados mesmo na tristeza mais profunda
ou sermos ponderados frente à alegria mais genuína
é que saberemos que agimos de forma emocionalmente inteligente.
Sem explicações, somente com compreensões que transcendem as palavras e suas regras tão inflexíveis



*perdão por eventuais erros, eu tirei do msn como foi escrito.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Quando nada parecer oportuno..

Quando nada parecer oportuno para se dizer.. incomode! Fale errado, fale mal, fale de um modo errado!

A gente pensa e várias coisas o dia inteiro, e muitas vezes, só expressa o requinte.. as idéias que são mais bem articuladas, mais "cabeça". E de repente, a gente fica meio crítico demais consigo mesmo, esperando sempre uma idéia clara e concisa pra expressar.

É o mal de quem escreve.. é como um vício, uma necessidade de extravasar da cabeça as idéias que já não te deixam dormir, ou que consomem seu tempo correndo como um maratonista dentro da cabeça e esbarrando em tudo quanto é normalidade que tenha lá dentro (se é que ainda há alguma.

Mas como fosse, acho que passo muito tempo com rascunhos por completar, sem sequer dar uma chance de vida e expressão à essas idéias, suicido-as como fossem indignas de serem ditas, quando no fundo, qualquer idéia é suficiente para existir, e mudar conceitos.

Bobeiras, inocências, tudo quanto mostre fraqueza, ainda assim é parte de quem escreve, e por que não, de quem lê. E as vezes, admitir as próprias impereições é o passo que falta pra deixarmos de ser tão imperfeitos, e ao mesmo tempo, tão falsamente perfeccionistas, à imagem que os outros tem de nós!

domingo, 30 de janeiro de 2011

Pecado pela santidade, loucura pela sanidade.

O dia começava como outro qualquer: à trilha sonora de “Billionaire” como despertador, sol nascendo e entremeando a persiana, e o cheiro de café-da-manhã invadindo o quarto. Deco ainda estava com um incômodo, que não sabia se era dor-de-cabeça, ou preocupação. Sua manhã antes de levantar-se era a extensão da noite que outrora dormira: remorso. Ele não podia mais lidar com tudo aquilo.

Com aquela briga sem motivos que Carol sempre insistia induzir com sua mania de ser mais menina do que mulher, mais orgulhosa do que companheira. Tudo quanto falara era usado contra ele. Tudo que fazia era ofensivo, era incômodo, o típico namoro que se gastou pelo papo fraco das pessoas à volta.

Se Deco pagasse aluguel de palco, para ensaiar as respostas que queria dar às atitudes de Carol, ele estaria falido. Mas como ele estava no ônibus, ensaiava olhando para o espelho improvisado na janela embaçada pelo frio das 6 da manhã, e fazia da sua imaginação, seu palco.

Ele não poderia errar de novo. Não dessa vez. Deveria dizer tudo o que estava pensando, e que tanto lhe tirava o sono nas últimas noites. Ele teria que ser perfeito. E se repetiu em pensamentos tantas vezes quanto o tempo da viagem lhe permitira. Ou ela aprenderia a respeitá-lo, ou simplesmente não daria mais pra continuar.

E de repente, ele a via tão sensível quanto intransigente. E se ele magoasse ela? E se ela ficasse mal demais? Como é que ele poderia prever?

Ele chegou à faculdade e não a encontrou. E nada do que era passado nas aulas entrava na sua cabeça. Ele só ficava ensaiando e ensaiando. E não poderia errar.

Ele encontrou-a na hora do almoço. Ela não parecia diferente dos outros dias. Será que ela estaria pensando naquilo tudo tanto quanto ele? Aquele não era o momento de dizer nada.. Ele esperaria o fim da aula, à tarde.

E preso em seus pensamentos, ele permanecia no silêncio que era um falatório interno, deixando-o inquieto e nervoso. E a tarde passou. Ele já transparecia o nervosismo. Encontrou-a na escada, na saída. Tomaram um café juntos. Ele observava o melhor momento.

Era agora. Era agora!

Ela levantou-se levemente irritada, deu-lhe um beijo e só. Foi-se embora, não sem antes reclamar que ele estava calado demais, e que aquilo era estranho. E ele nada disse. Tudo errado mais uma vez.

E se ele não estivesse tão ocupado gritando com seu pensamento, ele repararia que ninguém mais ouvia. E que ninguém mais se compadecia das suas aflições. E que, embora estivesse cristalino o motivo dos seus transtornos, que nada de explicava sozinho. E mais do que tudo, que nada era perfeito, e que por mais que se planejasse, nada sairia como um rascunho que se faça.

E ele dormiria transtornado pelo que nunca fora dito ou demonstrado, achando que as pessoas não o compreendiam, quando, no fundo, ele mesmo nunca diria nada à ninguém, preso pelo receio de não ser perfeito. Ele era perfeitamente omisso.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Porque, no fim das contas...

Sinta-se feliz e triste,
E com certo requinte,
Lembre-se de cada momento
Porque, no fim das contas,
Teremos momentos bons e ruins
E saber o que esperar
Pode ser a chave- mestra
Para não se surpreender
Conduta destra.

Sinta-se leve e pesado
Leve para o dia a dia
E que tenha seu peso
Na vida das pessoas
Porque no fim das contas,
Uma coisa leva a outra
E a leveza ponderada
Será o peso que alivia
A necessidade boa que se tem
De alguém.

Sinceridades desnecessárias e receios infundamenados


Repare bem. As pessoas costumam falar as coisas erradas nas horas erradas.

Na busca pelo entendimento próprio, nós costumamos só levar em consideração aquilo que vimos, até porque as pessoas não costumam nos dizer nada sobre como éramos ou costumamos ser. Isto é receio infundamentado.  As pessoas temem nos ferir com o que somos ou fomos. E por isso, escondem, omitem de nós as verdades que precisamos ouvir para crescermos como pessoas.

Por outro lado, as pessoas costumam dizer o que pensam, ou o que precisamos para nos reduzir nos momentos de ápice. Em frisar nossas fraquezas em momentos de força, ou mesmo em nos desestimular nos momentos em que estamos sob as próprias tensões. Frente a um vestibular, um concurso, um desafio, há muito mais pessoas que frisam toda a dificuldade que é competir. Ou quando estamos namorando, que alguém chega e fala como é difícil manter um relacionamento. Muitas vezes, nós acabamos saindo da nossa realidade e entrando dentro da “verdade” que nos é inconvenientemente dita.

Portanto, procure pessoas que digam as verdades necessárias, nos momentos adequados, para não cair dentro da mesmice que é a verdade das pessoas que não gostam de pensar.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Amor, liberdade e solidão

É engraçado como algum dia somos obrigados a perceber que não podemos viver sozinhos, que precisamos da presença de outras pessoas. Por muito tempo me pensei auto-suficiente, anti-sociável, mas percebi que de certa forma não podemos viver apenas com nós mesmos, precisamos de outro alguém, seja este alguém uma pessoa por quem você se apaixona perdidamente, alguma amizade verdadeira ou um parente insubstituível. E percebi que essa necessidade de companhia poderia ser algo benéfico, apesar do meu amor pela solidão e pela liberdade. E aprendi que poderia amar alguém, amar minha solidão e minha liberdade, conciliá-los e viver melhor desta maneira. Viver melhor com alguém que realmente se importasse comigo – talvez mais do que eu mesma me importasse comigo. Aprendi a gostar de alguém apesar de todos os obstáculos, percebi que se fosse necessário tiraria um sorriso do meu rosto para colocar no rosto desse outro alguém, e convivi com a certeza de que se preciso daria minha vida por ele – mas pelo menos saberia que estaria dando minha vida por alguém que vale a pena, por alguém que me faz feliz de uma maneira incomparável. Percebi que para mim, este alguém seria para sempre único, pra sempre inesquecível, que teria nele uma amizade verdadeira, uma paixão ardente e um amor infinito. E não me arrependo de ter sido obrigada a aceitar a presença de outras pessoas, afinal, essa obrigação tem me trazido benefícios cada vez maiores – amor, felicidade e liberdade.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Percepções

Outro dia estava voltando para casa, no mesmo horário, pelo mesmo caminho, como naturalmente a rotina me impõe, e durante alguns segundos me surpreendi, uma delicada flor me chamou a atenção. Não apenas por ser uma linda flor, afinal nós seres humanos estamos tão acostumados a elas que não somos mais capazes de nos surpreendermos com sua presença, o que realmente me encantou foi o “conjunto da obra”, a situação em que ela se encontrava. Não era uma linda flor em um lindo canteiro de rosas, era uma linda flor em meio ao lixo, à sujeira, à falta de cuidado. E essa visão contraditória me fez perceber como estas lindas flores estão presentes em nosso mundo precário. Em como deixamos de perceber as coisas realmente bonitas e perfeitas da vida por falta de tempo – um tempo imposto por nós, talvez para não termos que nos preocupar com coisas pequenas, afinal, elas são tão pequenas, porque mereceriam nossa atenção? Pois acho que é pela falta de percepção de coisas pequenas que crescem cada vez mais pessoas fúteis e sem conteúdo, que não são capazes de olhar ao seu redor.
Perceber a essência, talvez seja o maior defeito da sociedade, hoje e sempre. Preocupar-se com as flores que nascem no seu jardim, cultivá-las, cativá-las. Mas, futilidades à parte, aposto que não fui a única a perceber aquela flor que tanto me encantou. E talvez aquela linda flor tenha feito tão bem a outra pessoa também.

Esperanças Desesperadas

Às vezes penso de onde vem essa esperança que nasce com um novo ano, com novos dias. O ano começa, os dias começam, mas as promessas são sempre as mesmas, as percepções também. Talvez quando percebemos que mais um ano se vai e nada fizemos para melhorar o mundo (ou nossa própria vida, afinal, ninguém mais quer saber como vai o mundo) ficamos tão eufóricos que fazemos promessas, conversamos com parentes distantes, mas infelizmente esse sentimento não dura mais de dois ou três dias, quando poderia durar todo o ano. Imagine se todos os dias fossem véspera de Natal? Imagine se todos os dias nos sentíssemos como nos sentimos no ultimo dia do ano? Mas não. Essa falsa impressão de esperança fica em nossa lembrança por uma ou no mais tardar duas semanas. Depois disso, ninguém mais sabe quais foram suas promessas, suas metas ou seu principal objetivo. Depois disso, nos afundamos na rotina e não temos mais tempo para ter esperança, para ajudar o outro. Depois disso, a sociedade nos faz esquecer que temos sonhos, e não queremos apenas pagar as contas ao final do mês. Mas talvez um dia de esperança seja o suficiente para pessoas que não têm mais tempo para sonhos. Talvez elas próprias não estejam preocupadas com a duração dessa esperança, talvez o curto espaço de tempo entre o Natal e o Ano Novo seja suficiente para criar e fazer-se esquecer a esperança de dias melhores.
 
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