Todos nós! É, todos nós. Por que as vezes, o leitor desavisado acha que o autor se priva de críticas. Quando me dirijo e palavras ao ser humano, eu não me torno nenhum ornitorrinco.
Mas ao que interessa: todos nós nos apaixonamos. Pode ser fácil, difícil. Pode ou não dar certo. Pode ou não significar alguma coisa na vida.
Apaixonar-se é um fenômeno totalmente caótico em definições. De fato, não há definições brandas o suficiente para abranger causas, motivações e ocorrências. Nem vivência, nem técnica, nem texto, nem porra nenhuma. Não estou tentando aqui descrever nada, explicar ou definir coisa alguma. Mas somente jogar no vento algumas opiniões.
A atração é algo preponderante, condição sem a qual não existe paixão. Uma relação sem atração é puro interesse egoísta. Observe: existe interesse em relacionamento, ou interesse naquilo que o relacionamento pode te proporcionar. O relacionamento pode ser um fim ou um meio para a felicidade. E em nenhum dos dois casos, há uma real condenabilidade. Mas obviamente, criados numa sociedade de moldes ocidentais, cristãos, com base de valores na família, não verá abertamente um relacionamento de interesses que não familiares com bons olhos.
E também devemos lembrar que um relacionamento varia de uma "ficada" one-night stand, até um casamento duradouro e feliz. E também, há a hipocrisia de pessoas que renegam certos ímpetos que preponderam acima do social, e que tem ultimamente, uma cápsula-protetora chamada "desapego"
Sério, não há coisa mais estúpida do que uma pessoa que vai numa festa e fica com uns 3, 4 estúpidos-bacaninhas, aí depois reclama que queria namorar, mas que ninguem presta, ninguem quer nada sério, que ninguem leva ela a sério. Perguntas:
1 - Precisa de uma taxa de 3 por noitada pra saber quem presta mesmo?
2 - Esse é o ambiente ideal pra achar um futuro pai de família?
3 - Você está se levando a sério?
4 - Você vale alguma coisa?
5 - O que você quer num namorado que não busca em um ficante? (essa é essencial, e mostra a porra da contradição que é esse comportamento esdrúxulo)
Essa na verdade, é chave pra desmistificar o que é real, e o que é balela. As pessoas tem FASES (algumas mais, outras menos, em mais diversas épocas e contextos). Mas pra cada época, pra cada fase, temos tipos de ambientes e intenções. E não adianta buscar coisas de um estado de espírito em outra vibe.
Atente para este exemplo idiota: Um homem vai ao açougue todos os dias. É o único lugar a que ele vai, uma vez que ele adora carnes. Um dia, come picanha, no outro, alcatra, e assim, sempre. Aí, um dia, resolve ele virar vegetariano, em nome da saúde. Mas ele continua indo ao açougue. Obvio que ele nao pode morrer de fome, então, alguma coisa, ele tem que comprar pra comer. Então, ele leva.. carne. Aí, chega em casa, ele se cansa e diz "caramba, quero comer verduras, mas naquele açougue só tem carne.. nossa, o mundo é uma bosta.. verduras não existem e eu vou ficar a vida inteira tendo que comer carne e ferrando minha saúde".
Você percebe o quanto idiota é um raciocínio desses? No caso de achar, perceba que se você me reclama de não achar a pessoa da sua vida na balada, você é tão ou mais idiota do que isso. Se você não percebe o quanto idiota é esse raciocínio, você merece uma morte lenta e dolorosa. brincadeira! (mas sério, reflita sobre a possibilidade de tratamento psiquiatrico, sua anta)
Voltando brevemente ao que interessa, tem também o fator aparência X valores. Na verdade, colocar um "versus" entre aparência e valores é uma "dor de cotovelo" lascada dos "nem tanto assim bonitos". (eu pessoalmente, jé deixei de ter despeito, a exemplo haha)
Mas veja bem, a aparência é algo determinado social, e biologicamente determinado. Já falei aqui uma porçãozinha de vezes. O cérebro usa das experiências, precedentes e informações passadas adiante com os genes pra determinar o que é atraente ou não. E é por isso que um cara ou uma mulher podem ser o "molde" perfeito determinado pela sociedade que, se ele não estiver no "checklist" cerebral prévio, não vai rolar.
Lembre-se: muito embora não se tenha controle de certos ímpetos, somos ainda responsáveis por boa parte das experiências que nos determinam. Dessa forma, muito do que achamos atraente depende do que nós vivemos, que por sua vez, depende grandemente dos ambientes e pessoas das quais nos cercamos, de livre e espontânea vontade.
Estamos partindo do princípio que as pessoas querem relações como um fim, e não como um meio de escalada para outros objetivos para as explanações que eu estou, e estarei fazendo aqui.
Mas veja. Nas situações comuns, quando procuramos pessoas pra ficar, ou mesmo pra namorar, é bem comum procuramos ambientes descontraídos, onde as pessoas estejam receptivas, se preparem para isso, as vezes até abusem um pouco de álcool e cantadas baratas. Mas no fundo, nem o teor das cantadas é determinante. Alguns dizem que o segredo é atitude, outros, grana no bolso, outras, aparência. E é mesmo. Dentro de um ambiente assim, são os parâmetros que podem ser avaliados.
Você nunca vai saber suficientemente sobre o temperamento e a vida de uma pessoa em uma conversa de balcão de barzinho. A pessoa pode ser inescrupulosa com uma lábia ferrada, e te convencer que é um lorde inglês. E apaixonar-se por alguém numa situação tão primária como esta pode ser perigoso. Procurar um relacionamento duradouro por este meio não é impossível, mas é como ir ao açougue comprar verduras. Pode até ser que seja uma mercearia e tenha alguma variedade. Mas na boa, é estatísticamente mais garantido ir por outros meios.
Que meios? É apelar para um outro canto da sua "checklist" natural. É procurar as características de personalidade de uma pessoa, a despeito da aparência. Nunca vai ser totalmente imparcial, mas pode ser bem mais produtivo. Procurar na gama de pessoas que você conhece, alguem que pareca agradável. Dê uma chance a si e a alguem. Pessoalmente acho essa desculpa de mulheres "não ficarem com amigos" um negócio meio estranho. Eu mesmo tenho inúmeras amizades com mulheres. Mas eu realmente sou sincero de dizer que não ficaria com uma amiga somente quando sei que a minha personalidade não se daria bem em um relacionamento com ela, o que não a torna pior, ou melhor.
Acho que amigas podem ter muito mais chances de dar certo do que uma estranha qualquer. Não é 100% garantido. Mas é uma pessoa com que você provavelmente gosta de conversar, conhece mais do cotidiano, da personalidade. É bem mais inteligente pensar em uma amiga como uma possibilidade válida. Mas isso, já joga contra outra determinação social da "friend-zone" que é a região de maior possibilidade de sucesso jogada no lixo.
Mas enfim, é uma opção pessoal.
Conclusão do dia: tenha em si as qualidades que você quer para um relacionamento. Pense os ambientes que você frequenta, as pessoas com quem você anda, as pessoas pelas quais você se sente atraída e os tipos de pessoa que você atrai. Mais do que essas reclamações manjadas de "ninguem me leva a sério", refita se você merece ser levado(a) a sério. Mais do que anunciar, tente parecer valer a pena em atitudes.
PS: Nenhuma forma de atração é condenável. Somente não reclame daquilo que as suas necessidades te tornam. Se isso não te satisfaz, mude-as.