terça-feira, 25 de outubro de 2011

o dia é uma serpente que consome a si
digere o tempo que nos resta aqui
e o sol retorna de manhã
pra renovar a fé de estar de pé e de pensar
que a vida não é só sonhar.

amor é dor que doi o simples existir
e sofre-se se tem ou se não tem.
entao eu vou cantar o amor pra ver se vem
que é bem melhor que viver sem ninguem
o silencio nao serve de amem.

perco o pensando em sonhar.
perco o sono pensando...
quantas manhas tenho pra realizar
quantas ja ganhei tentando

tempo ingrato filho amado
de pacientes e apressados
professor dos afobados
prende o apressar
nem tudo andará no passo
que se desejara do tempo
e os ponteiros darão risada
tictactictac
passou mais rapido que seus sonhos
agora é tempo de nada.

domingo, 16 de outubro de 2011

De fora pra dentro: um reflexo.

Todos nós! É, todos nós. Por que as vezes, o leitor desavisado acha que o autor se priva de críticas. Quando me dirijo e palavras ao ser humano, eu não me torno nenhum ornitorrinco.

Mas ao que interessa: todos nós nos apaixonamos. Pode ser fácil, difícil. Pode ou não dar certo. Pode ou não significar alguma coisa na vida.

Apaixonar-se é um fenômeno totalmente caótico em definições. De fato, não há definições brandas o suficiente para abranger causas, motivações e ocorrências. Nem vivência, nem técnica, nem texto, nem porra nenhuma. Não estou tentando aqui descrever nada, explicar ou definir coisa alguma. Mas somente jogar no vento algumas opiniões.

A atração é algo preponderante, condição sem a qual não existe paixão. Uma relação sem atração é puro interesse egoísta. Observe: existe interesse em relacionamento, ou interesse naquilo que o relacionamento pode te proporcionar. O relacionamento pode ser um fim ou um meio para a felicidade. E em nenhum dos dois casos, há uma real condenabilidade. Mas obviamente, criados numa sociedade de moldes ocidentais, cristãos, com base de valores na família, não verá abertamente um relacionamento de interesses que não familiares com bons olhos.

E também devemos lembrar que um relacionamento varia de uma "ficada" one-night stand, até um casamento duradouro e feliz. E também, há a hipocrisia de pessoas que renegam certos ímpetos que preponderam acima do social, e que tem ultimamente, uma cápsula-protetora chamada "desapego"

Sério, não há coisa mais estúpida do que uma pessoa que vai numa festa e fica com uns 3, 4 estúpidos-bacaninhas, aí depois reclama que queria namorar, mas que ninguem presta, ninguem quer nada sério, que ninguem leva ela a sério. Perguntas:

1 - Precisa de uma taxa de 3 por noitada pra saber quem presta mesmo?
2 - Esse é o ambiente ideal pra achar um futuro pai de família?
3 - Você está se levando a sério?
4 - Você vale alguma coisa?
5 - O que você quer num namorado que não busca em um ficante? (essa é essencial, e mostra a porra da contradição que é esse comportamento esdrúxulo)

Essa na verdade, é chave pra desmistificar o que é real, e o que é balela. As pessoas tem FASES (algumas mais, outras menos, em mais diversas épocas e contextos). Mas pra cada época, pra cada fase, temos tipos de ambientes e intenções. E não adianta buscar coisas de um estado de espírito em outra vibe.

Atente para este exemplo idiota: Um homem vai ao açougue todos os dias. É o único lugar a que ele vai, uma vez que ele adora carnes. Um dia, come picanha, no outro, alcatra, e assim, sempre. Aí, um dia, resolve ele virar vegetariano, em nome da saúde. Mas ele continua indo ao açougue. Obvio que ele nao pode morrer de fome, então, alguma coisa, ele tem que comprar pra comer. Então, ele leva.. carne. Aí, chega em casa, ele se cansa e diz "caramba, quero comer verduras, mas naquele açougue só tem carne.. nossa, o mundo é uma bosta.. verduras não existem e eu vou ficar a vida inteira tendo que comer carne e ferrando minha saúde".

Você percebe o quanto idiota é um raciocínio desses? No caso de achar, perceba que se você me reclama de não achar a pessoa da sua vida na balada, você é tão ou mais idiota do que isso. Se você não percebe o quanto idiota é esse raciocínio, você merece uma morte lenta e dolorosa. brincadeira! (mas sério, reflita sobre a possibilidade de tratamento psiquiatrico, sua anta)

Voltando brevemente ao que interessa, tem também o fator aparência X valores. Na verdade, colocar um "versus" entre aparência e valores é uma "dor de cotovelo" lascada dos "nem tanto assim bonitos". (eu pessoalmente, jé deixei de ter despeito, a exemplo haha)

Mas veja bem, a aparência é algo determinado social, e biologicamente determinado. Já falei aqui uma porçãozinha de vezes. O cérebro usa das experiências, precedentes e informações passadas adiante com os genes pra determinar o que é atraente ou não. E é por isso que um cara ou uma mulher podem ser o "molde" perfeito determinado pela sociedade que, se ele não estiver no "checklist" cerebral prévio, não vai rolar.

Lembre-se: muito embora não se tenha controle de certos ímpetos, somos ainda responsáveis por boa parte das experiências que nos determinam. Dessa forma, muito do que achamos atraente depende do que nós vivemos, que por sua vez, depende grandemente dos ambientes e pessoas das quais nos cercamos, de livre e espontânea vontade.

Estamos partindo do princípio que as pessoas querem relações como um fim, e não como um meio de escalada para outros objetivos para as explanações que eu estou, e estarei fazendo aqui.

Mas veja. Nas situações comuns, quando procuramos pessoas pra ficar, ou mesmo pra namorar, é bem comum procuramos ambientes descontraídos, onde as pessoas estejam receptivas, se preparem para isso, as vezes até abusem um pouco de álcool e cantadas baratas. Mas no fundo, nem o teor das cantadas é determinante. Alguns dizem que o segredo é atitude, outros, grana no bolso, outras, aparência. E é mesmo. Dentro de um ambiente assim, são os parâmetros que podem ser avaliados.

Você nunca vai saber suficientemente sobre o temperamento e a vida de uma pessoa em uma conversa de balcão de barzinho. A pessoa pode ser inescrupulosa com uma lábia ferrada, e te convencer que é um lorde inglês. E apaixonar-se por alguém numa situação tão primária como esta pode ser perigoso. Procurar um relacionamento duradouro por este meio não é impossível, mas é como ir ao açougue comprar verduras. Pode até ser que seja uma mercearia e tenha alguma variedade. Mas na boa, é estatísticamente mais garantido ir por outros meios.

Que meios? É apelar para um outro canto da sua "checklist" natural. É procurar as características de personalidade de uma pessoa, a despeito da aparência. Nunca vai ser totalmente imparcial, mas pode ser bem mais produtivo. Procurar na gama de pessoas que você conhece, alguem que pareca agradável. Dê uma chance a si e a alguem. Pessoalmente acho essa desculpa de mulheres "não ficarem com amigos" um negócio meio estranho. Eu mesmo tenho inúmeras amizades com mulheres. Mas eu realmente sou sincero de dizer que não ficaria com uma amiga somente quando sei que a minha personalidade não se daria bem em um relacionamento com ela, o que não a torna pior, ou melhor.

Acho que amigas podem ter muito mais chances de dar certo do que uma estranha qualquer. Não é 100% garantido. Mas é uma pessoa com que você provavelmente gosta de conversar, conhece mais do cotidiano, da personalidade. É bem mais inteligente pensar em uma amiga como uma possibilidade válida. Mas isso, já joga contra outra determinação social da "friend-zone" que é a região de maior possibilidade de sucesso jogada no lixo.

Mas enfim, é uma opção pessoal.

Conclusão do dia: tenha em si as qualidades que você quer para um relacionamento. Pense os ambientes que você frequenta, as pessoas com quem você anda, as pessoas pelas quais você se sente atraída e os tipos de pessoa que você atrai. Mais do que essas reclamações manjadas de "ninguem me leva a sério", refita se você merece ser levado(a) a sério. Mais do que anunciar, tente parecer valer a pena em atitudes.


PS: Nenhuma forma de atração é condenável. Somente não reclame daquilo que as suas necessidades te tornam. Se isso não te satisfaz, mude-as.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Felicidades momentâneas, e só.

E como saciar esta vontade de tocar tudo o que não está ao seu alcance? É aparente que todos vivemos em busca da felicidade, o que nem de longe significa que somos realmente felizes.

Mas por que não buscar felicidade em coisas simples de serem tocadas? Talvez a felicidade não esteja no objeto de cobiça, mas sim no caminho que nos leva até lá.

É de se convir de que todos já desejaram algo – ou alguém – com tanta intensidade que quando finalmente conseguiram, não mais queriam. O alvo da conquista, então, não é o que realmente importa; a dificuldade da conquista é o que fascina.

Mas eu, particularmente, gostaria de saber dar mais valor nas coisas simples e fáceis de serem conquistadas, afinal, não é por isso que valem menos. Bem pelo contrário, a felicidade está – ou deveria estar – nas coisas mais simples da vida.

Não me admira o fato dos seres humanos se entediarem tão facilmente. Nunca estão contentes, nada nunca é o suficiente. E isso porque não há mais o fascínio da descoberta. Imagine então se algum dia acabassem as coisas a serem descobertas? Acabaria também a felicidade do mundo? Não sei, mas tenho certeza de que não quero esperar para descobrir.

Melhor mesmo é observar o mundo, e aprender a se admirar com ele. Porque pode ser aí que você finalmente vai descobrir o que te fascina.

Questões circunstanciais

Talvez sejamos mesmo vítimas das circunstâncias.

Não, não acredito que seja destino. Você não é aquilo o que você fala. Você não é aquilo o que você pensa. Você é aquilo o que você faz.

E o que te leva a fazer tudo como você faz?

O que te leva a acreditar que esta seja realmente a coisa certa a fazer, quando, na verdade, você está apenas dando mais um passo no escuro?

O que te faz crer nas palavras da humanidade, quando, o que realmente importa, são seus próprios atos?

O que te faz acreditar em outras pessoas? O que te faz acreditar em você mesmo?

Um dia, certamente, você se pergunta por que tudo não foi como planejado, por que tudo não foi como você julgava certo. E então você se dá conta de que sempre esteve errado, de que simplesmente acreditou em mentiras, e que seus objetivos não seriam alcançados por aquele caminho. Então você encontra uma bifurcação, e a segue como se aquela fosse realmente sua última esperança, seu último suspiro.

Mas como esquecer todas suas antigas crenças, as antigas pessoas, aquela realidade que agora parece tão longe? Como não se lembrar de amores que um dia aparentavam ser tão reais e em tão pouco tempo se desfizeram? Nessa hora, desesperadamente, você junta todos os resquícios de qualquer amor que ainda sobra em sua alma e se fortalece. Não porque quis, que fique bem claro. Você se fortalece porque foi vítima de circunstâncias cruéis – ou pessoas cruéis – mas que no final apenas te farão crescer. O fortalecimento real da alma não vem através de palavras de conforto, não vem através de um apego a novas crenças, vem através de um sentimento de libertação, de renovação, que te leva a ter sede de mudanças. É este sentimento que desejo à humanidade, mas é preciso, antes de tudo, reconhecer a invalidez de suas próprias crenças e de seus próprios amores.

Não, não me pergunte se tudo isto é real ou apenas criação de uma mente que não pára. Ainda espero pelo fim desta história.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A percepção da felicidade.

Creio que este deva ser o aspecto mais importante para a vida de um dado cidadão. O que é ser feliz efetivamente para nós? Inicio este questionamento com um frase que comumente é dita à alguem que não esteja feliz: "você não é feliz porquê quer". Não há expressão mais estúpida e infundamentada do que esta. A pessoa que diz isso é demasiadamente egoísta, principalmente com o primeiro aspecto que trataremos aqui: a percepção da felicidade.

Para tanto, vamos recorrer à um ser simples: uma bactéria. A bactéria não pensa. A bactéria é um aglomerado molecular complexo e organizado, cuja carga genética e fatores do ambiente determinam as ações. Uma bactéria necessita de iluminação, pH, oxigenação, substratos e condições adequadas para seu desenvolvimento e replicação, que leva à perpetuação da espécie. Esta é a "sina" da bactéria, determinada pels seus genes, seus inúmeros códigos de transcrição gênica que determinarão sua forma, função e sucesso. Posso eu dizer que a bactéria é um ser feliz? A resposta é NÃO.

A bactéria é um algoritmo lógico, ou melhor, BIOlógico que se perpetua. Ela não "sente", não julga, não tem livre-arbítrio ou escolhas. A bactéria é um algoritmo que, numa mesma situação, salvo casos de mutações, irá comportar-se exatamente da mesma forma em todas as ocasiões.

Agora, retornemos ao ser humano. O ser humano é um ser biológico determinado pelas mesmas bases moleculares/genéticas de uma bactéria. Assim como o ser unicelular, o ser humano também necessita sobreviver e reproduzir. Mas o mágico-trágico da situação reside na evolução. A capacidade sensitiva do ser humano é um resultado lógico da natureza. Em um ambiente supostamente caótico, onde as coisas não reagem necessariamente da mesma maneira, e em que uma só condição alterada possa causar profundas mudanças na expectativa de perpetuação da espécie e do ser, este ser necessita de ter um mecanismo rápido de avaliação do meio, dos iguais e dos outros animais/fatores naturais. E como cada um de nós enfrenta uma visão diferente do mundo, as possibilidades de ação são gigantescamente maiores do que a de uma bactéria. O que causa uma gama de prioridades completamente diferente para cada indivíduo, muito embora as bases do comportamento puramente biológico e descartando-se o aspecto social seja extremamente similar, em suas origens.

Os sistemas dopaminérgicos mesolímbicos e serotoninérgicos do cérebro são responsáveis por associar, devido à carga genética e às experiências vividas, um estímulo à necessidade que se tem dele. E quanto maior a necessidade, maior será o "prazer" sentido pelo indivíduo (ativação do sistema). É por isso que comer coisas com gordura e carboidratos como chocolates, tortas e bolos é tão bom: evolutivamente, a reserva energética fornecida por esses alimentos era essencial à sobrevivência. E igualmente por isso algumas pessoas gostam de frutas, verduras e fibras. Com a sedentarização do homem, passamos a ter necessidadede controlar e complementar a alimentação, uma vez que temos oferta de estoque, e não necessitamos mais de tanta reserva: aí comemos alimentos que contém os danos do excesso de carboidrato, como colesterol HDL. É igualmente por isso que o sexo é bom ou esportes dão prazer. O sexo está relacionado à reprodução e o esporte relacionado à virilidade, e portanto a capacidade de defesa da família e de sucesso em uma investida em busca de alimento. (Aí, vemos que o córtex pré-frontal, responsável pelo julgamento de valores de uma mulher seleciona naturalmente um homem pelo seu aspecto físico, inconscientemente)

As drogas funcionam, não como estímulo desencadeador de vias naturais, mas pela ativação artificial desses sistemas de prazer através de reações químicas. E como o prazer é associado à sobrevivência, a ocorrência desse desbalanço químico que é interpretado como prazer causa uma informação de necessidade em vista de sobrevivência: esta é a gênese teórica do vício

Nesta análise, vimos aspectos sedimentados há longo período, ainda com o homem na natureza. Mas com o desenvolvimento da sociedade atrelado à incrível capacidade de aquisição de informações do cérebro e julgamentos; a criação familiar/ convívio social frequente (como amigos) passa a ser determinante no prazer e nos aspectos que dão prazer. E então, sendo o prazer algo estimulado em nossos organismos, dá-se um nome para o conjunto de fatores causadores de prazer cotidiano (ou esporádico): felicidade.

E aí, temos um grande conflito de idéias. Como as novas idéias relacionadas ao conhecimento, à capacidade de inteligir do homem e ao hedonismo (vida com objetivo de ter prazer) contrapõem-se de certa forma com os estímulos naturais, que fogem do nosso pleno controle, por ser aspecto arraigado em nossa evolução (e tido como inferior para os entusiastas do homem como ser inteliente e superior, o que o autor considera um grande erro).

Voltamos novamente à questão, associada à uma situação-exemplo. Pense num cara rico, bonito, bem-sucedido. Às vistas da nossa sociedade moderna, pseudo-meritocrática, superficial e estética (grato, Aristóteles ¬¬') este cara é um ser que deveria ser feliz, por ter realização pessoal. Porém, temos que os pais dele, trabalhadores, honestos e de uma evolução extremamente batalhada passaram a ele, de forma relativa a carga de valores e objetivos tidos como "nobres" e "válidos". Assim, ele que é um herdeiro do esforço, sente-se infeliz por não poder "merecer" tudo aquilo que lhe traz um conforto material.

Aí, neste momento entra o pior inimigo da felicidade: o ser-humano lugar-comum. Aquele estúpido mediano que engole as pressões sociais e conceitos carne-de-vaca, defendendo com unhas e dentes o pensamento coletivo (que, pautado em Nelson Rodrigues, permito julgar burro)

Este besta é que dirá ao nosso amigo do parágrafo de cima "você não é feliz porquê não quer", já que, para ele, ser sem perspectivas, aquilo que o amigo já tem é o objetivo final, e não uma condição sine qua non de nascimento. Isso causa inveja e antipatia para os outros, e no coitado de cima, causa uma dúvida cruel e uma crise de valores que pode culminar em auto-fortalecimento, ou mesmo na descrença total de valores e atitudes pautadas no lugar-comum.

É por isso que o mundo hoje é uma porcaria. Porque a razão entre pessoas sensatas e pessoas lugar-comum é ridícula. A felicidade é uma cartilha, um caminho aberto, do qual já sabemos os destino e mesmo as paradas para ir ao banheiro. Não se aproveita o potencial do ser humano para gerar diferentes pontos de vista. Mais do que isso, se repudia qualquer tentativa de mudar esta situação. Porque é muito mais fácil vender produtos e informações para pessoas iguais: a inovação, a verdadeira e intelectual inovação passa a ser desnecessária porque aumenta os custos sem aumentar a população atingida.

Os amores, os empregos, os objetivos, as ações, as brincadeiras, as informações, a escola: tudo conspira para um mesmo caminho. O uniforme, as fileiras, as apostilas, as provas: todos temos que sentir, saber, julgar e apreciar as coisas de uma mesma forma, obtendo os mesmos resultados. A vida passou a ser uma fórmula cujo resultado é a morte, e cujo processo não varia. Uma prisão em forma de tempo.

Por isso eu peço: perceba-se feliz. Agradeça o que tem. Procure saber o que vale a pena por si só: veja todos os lados da mesma moeda. Não criarão filósofos para pautar os seus pensamentos. Mas conhecê-los, a todos eles, de uma época mais privilegiada onde pensar ia além de teclas e fórmulas, só irá acrescentar bagagem para, quem sabe, cada um de nós seguir um destino próprio, abrindo as próprias estradas.

O que te faz feliz. O que é que a felicidade te faz?
Questione-se, mude-se.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A paixão pelo pior.

É a grande engrenagem presa na vida: ter uma paixão pelo pior. Pelo "não vai dar", pelo "as coisas são assim", pelo "nada vai mudar". E principalmente pelo "eu posso morrer amanhã mesmo, pra quê fazer as coisas hoje?"

O problema dessas pessoas, é que elas correm o sério risco de as coisas NÃO DAREM ERRADO. E nesse caso, elas não sabem o que fazer. A pessoa que sempre espera o pior já não tem um porque de se planejar ou mesmo uma maneira viável de sonhar e ter esperanças. E dessa forma, se as coisas podem dar certo, elas não o farão pelo simples fato de não existirem previamente na cabeça.

A sorte pode vir a ajudar, mas mesmo assim, pense. Uma pessoa que diz que nada dá certo não pode ser levada a sério se ela não pode responder a uma simples pergunta: o que é que você quer que dê certo?

Há dois tipos de pessimismo, e ambos são condenáveis. O primeiro, é o pessimismo preguiçoso, o segundo é o pessimismo de esgotamento.

O primeiro, é um paradoxo complicado, que consiste no "conforto dolorido". Para essa pessoa, é mais fácil ser pessimista. Na pior das hipóteses, tudo está conforme previsto. Ela prefere encarar coisas de que não gosta, mas a que já está acostumada do que "dar a cara à tapas" e correr o risco de talvez sofrer mais, mesmo que isso represente a única chance de tornar as coisas melhores.

O segundo é algo mais compreensível, embora deverasmente danoso à pessoa. É um tipo de pessimismo que vem quando a pessoa conspira para o sucesso, se esforça e, por uma obra do acaso, as coisas não vem á tona no tempo em que se quer. Isso é muito comum em pessoas ansiosas, porque estas pessoas querem resultados em curto-tempo. E a frustração da não-realização preconiza a desistência dos objetivos e um conformismo com a rotina.

A paixão pelo pior é o que torna as pessoas inescrupulosas fortes, as instituições fortes e as informações degeneradas para interesses escusos.

O velório do amor.

Serei eu, o executor, o ceifador de ilusões?
O coveiro cruel que assombra os sonhos alienados das jovens almas?
Eu sepultei o amor.
Eu sepultei esse sentimento que jaz nos livros, mas não vai mais à biblioteca.
Esse espírito que vaga entre o rodar de um longa-metragem, mas não se senta à cadeira do cinema.
Esse banco da praça que não mais serve de palco para beijos sinceros.
O amor morreu, mataram-no, e à Deus, adeus.
É bem verdade que suas sombras permancem nas gerações passadas
Nos passeios de avós, nos beijos de boa-noite dos pais, mas não nos ardentes impulsos decorados de seus filhos.
O amor e Deus dançam as valsas e os tangos, e passeiam à pé, mas já não tem tempo para os technos e carros de som alto.
O jovem não sabe amar, porque o amor morreu. Como um inseto colocado em mãos de uma criança,
Morre nas idealizações que nunca hão de se concretizar, morrem nos cheques-sem-fundo em um banco chamado felicidade.
O jovem não sabe amar, porquê comprou com o banco felicidade, o entorpecente verdade, o cigarro-trago do desapego, como forma de se prender, e seu cartaz de olhos tão azuis.
O jovem matou o amor, e carrego eu seu filho em meus braços.
Não o sepultarei.
Mas somente o carregarei, levando em minha solidão de espírito, sua inocência, sua felicidade e suas verdades, de tantas faces
Porque por mais que chamem a felicidade de banco, o banco nunca trará felicidade.
Podem vender a verdade, mas nunca será Verdade, tão somente uma nota falsa, uma tradução interpretada.
E podem fazer de Deus o desapego, mas de Seu abraço, nunca escaparão as almas perdidas.
Neste barco à vela na deriva de um mar de jovens que não sabem amar
Sopra o vento do passado, na esperança de um futuro, de jovens sem presente.
Seu amor é por si mesmo
O meu amor é por não ser o seu,
Os amores que são Deus.
 
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