domingo, 16 de setembro de 2012

Ausência


Você é uma ferida e uma dor
Ferida que não dói e
Dor que não fere
Porque a ferida não é em mim
Nem tampouco a dor
A ferida é um vazio
E a dor dói no nada, na ausência
E cura mesmo, é só preencher o vazio
Ou partir em busca de um novo vazio
Outra dor outra ferida.
Ou de um copo cheio.
Um remédio jogado no vazio.

sábado, 15 de setembro de 2012

Primeiro Sorriso

Borrado
Borrado
Não é possível ver nada
Não é possível entender nada

Respirar é difícil
E tudo que tenho é um cordão
Um laço que mantém vivo
E cortam

Cortaram o laço
Mas não conseguiram me separar
Do que poderia ser eu mesmo
Do que é eu mesmo

E quando a vejo,
dou um primeiro sorriso.

O primeiro sorriso.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

O sentido da vida é a morte.


 A vida é um problema sem solução final. Não progride com a lógica do tempo, nem tampouco com alguma lógica encadeada. Se houver alguma lógica na vida, essa lógica é fragmentada, é detalhe e é extremamente flexível. O que a torna, pra efeitos de razão, ilógica.

Dentro dessa proposta, a morte é o sentido da vida. Por que é que temos vontade de fazer as coisas? Por que é que tentamos aproveitar ao máximo os momentos? É porque eles acabarão, é por que nossas chances irão acabar.

É a velha história do “só sentimos falta do que não temos mais”. E se há algo que, a todo momento temos, mas que deixamos de ter a cada segundo que passa, uma oportunidade de fazermos algo deixando de existir.

Já dizia Epicuro, em sua carta à Meneceu, “A morte não nos pertence, pois, uma vez que elá está presente, nós deixamos de existir, e já não nos apetece mais”. Então, à vida, o que se pertence. O tempo que temos é a vida.

Sorte não existe, existe oportunidade, e modos de aproveitá-las. O tempo que passou, já se foi, e só nos resta de recordações e lições. De resto, aproveite cada inspiração, seja do pulmão, ou do cérebro.

A vida é muito curta, e além disso, não nos pertence nada mais do que um nome em uma lápide.

A lembrança própria é nosso tesouro, e as lembranças que deixamos, o que nos pertence, após não pertencermos mais a nós mesmos.

sábado, 1 de setembro de 2012

Hoje


Hoje eu acordei romântico
Querendo te chamar pra ver o Sol nascer
E perder o nascer do Sol de olhos fechados te beijando
E ao invés de te dizer umas palavras bonitas
Te fazer rir com uma piada sem-graça
Ou com uma graça sem piada
Valeu um meio-sorriso

Hoje eu passei o dia pensando em você
E pensando em tudo o que você poderia pintar
No preto-e-branco dos cantos da minha vida
E mesmo monocromático
Eu faria umas cores improvisadas de palavras
Pintaria as bordas do seu sorriso de vermelho
E borraria o seu batom algumas vezes

Hoje eu fui dormir pensando
Em você pensar em mim, e talvez até sonhar
Afinal, eu já sei que gosto de você
E já sei com o que eu vou sonhar de noite
E de bobeira durmo abraçado no travesseiro
E acordo amanhã olhando pra ele e lembrando de você,
Achando que amanhã é hoje de novo... e de novo.
 
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