sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Uma questão de referencial.

E os animais discutiam calorosamente.
Entre rosnados, piadas e cacarejos,
Discutia-se a importância de cada um.

Viria o Leão falar que era o mais corajoso.
Talvez o Elefante dizer que era o maior.
Ou a Formiga, a mais forte.

Mas nenhum disse coisa alguma.
Só faziam seus barulhos harmoniosamente.
Porque para eles, a própria existência de cada um era importante para todos.

Eis que chega um pequeno homem.
Menor que um elefante,
Mais covarde que um leão,
Mais fraco que uma formiga.

Dizia-se o mais importante de todos.
Quando questionado sobre a causa dessa superioridade,
Respondeu simplesmente :

Sou o melhor porque penso,
Porque raciocínio,
Porque falo e
Mudo a natureza conforme as minhas necessidades.

Do meio da turba de animais, pacientemente explicaram-no:
Às vezes, é melhor ficar em silêncio.
Às vezes, é melhor viver sem tanto pensar,
Mas sempre, sempre é melhor que
As suas necessidades estejam em sintonia com a natureza

Porque se você tem a necessidade de mudá-la,
Então, é você quem está inadequado a tudo.

O homem foi embora, calado, inconsciente e imperceptível.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Incompreensível.

Amor que se sente de dentro.
Nunca de fora.
Sentimento retórico.
Fosse ele recíproco!
Às vezes..
Sempre?
Não.

O Lápis.

Não importa o quanto escreva,
Mas o que te faz escrever!
Melhores pensamentos na próxima...
É o autor que faz o texto.
De grafite, papel e vida!
Vida de Carbono,
Papel de Carbono,
Grafite de Carbono!
No final, somos o lápis que escreve
A própria história.

Planeta

Giro em torno,
Não tenho luz própria
Só giro em torno.
Cadê minha estrela?
Ela foge.
Sou um planeta estático e frio.

Transborda.

Porque é tanta inspiração
Que me falta inspiração pra transmitir.
É tanta coisa, tantos pensamentos!
E eu fico tentando traduzir as palavras,
Essa inspiração que me acomete
Em vão!
Porque não há modo de transmitir tão bem
Em palavras
Tudo o que só você sabe passar
Com uma imagem,
A sua própria, luz.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Minha sirene, vela do pensamento.

Já viu sirene de carro de polícia?
Eu prefiro pensar na Terra, de fora.
A medida que gira, o sol ilumina
E a faixa que separa noite e dia gira.

Nessa faixa de escuro, que apaga a luz natural.
As luzes humanas se acendem
Sejam fluorescentes ou incandescentes,
E também a luz do meu iluminismo.

É sob a luz da lâmpada
Que como a vela dos antigos
Funciona, como o vento na vela do meu barco
Impulsiona a luz do meu pensamento.

Gira meu mundo
E minha sirene.

Magnetismo.

Esse teu olhar magnético, sulista
Norteia meus pensamentos.

Limiar, linha de força e expressão.
Carga, peso que me puxa, eletrostática.
Velozmente me aproximo, são cargas opostas?
Campo, de visão, só você à vista.

Só os olhos.

Fico te circundando, sua atração tangente
E uniformemente girando
Em torno de seu sul magnético
O meu norte frenético.

Que posso fazer?
Que vê bem sem ter?
É pura física.

Nascimento.

Nascimento,
E o entupimento com influências
Ideologias, os pais, o mundo.
Fazem-nos engolir tudo o que é vigente.
Aquilo que se julga correto.

A sorte maior,
É a incapacidade de compreender,
A inocência leva somente à absorção do necessário.
Pena que a criança precisa comer.
E brincar com soldadinhos que carregam a bandeira americana.

Conflito de interesses.

O conflito armado pelos braços,
Não bastassem dois gigantes,
Haviam agora quatro
Que queriam dividir o mundo.

Disfarçaram seu capital, e chamaram-no nacionalismo.
Questões, disputas pelos ossos,
É o fim de um arquiduque,
É o início do conflito.

Que se movimentassem apenas
Mas olhar avanço bi-lateral
Obrigou-os a abrir trincheiras
Linha norte-sul

Abriu a veia da Europa,
Abriu a trincheira em milhões de corações
Ferida aberta na história,
Agora, os corações é que se movimentavam em fuga.

De que valeu tudo isso?
Além do tempo que era corrente
A raiz ressurgiria na intolerância
Tudo isso recomeçaria.

Como é que eu digo que te amo?

Como é que eu digo que te amo?
Se eu falo normalmente
De assuntos triviais
Se eu mesmo represento
Trivialidade no seu dia-a-dia

Como é que eu falo o que sinto?
Se não parece que digo a verdade
Você pode até pensar que minto
Mas não, eu fico só tentando
Desse jeito atrapalhado, demonstrar.

Como, acaso, eu poderia saber
Se, lá no fundo, você sabe de mim
Se corresponde, se fica indiferente
Porque se falta perceber,
Não faltou tentar.

Completar-se-á.

De que vale uma virtude
Além de quando se está sozinho?
Vale de saber, de compreender.
Mas a compreensão é, por vezes, indesejada.

Pode-se conhecer terras, bibliotecas
Pode-se falar línguas diversas
Quando se está sozinho
Quando se fica em silêncio, nada conta.

E é porisso que pra fazer valer
Qualquer virtude que se tenha
É necessário conhecer, trocar idéias,
É necessário o ouvido que perceba a melodia.

Então, seja o complemento,
Sei que não sou tanto quanto queira
Mas seja quem sente meus poucos calores
Que concretizasse um dos meus poucos clamores

Somente torne esse fragmento completo.

Fluidos corporais.

Equilíbrio da vida,
Tanto quanto de uma nação,
É um equilíbrio de excrementos
E fluidos corporais:
Basicamente, é um balanço de
Quanta merda se faz e
Quanto de sangue se dá.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Acróstico Invertido.

Ainda que eu não seja lembrado
Não serei tanto assim esquecido
Apenas guardado num canto mais inóspito da lembrança
Isolado? Não. Com a companhia de meus amigos e esperança!
Rindo a toa, esperando pacientemente!
Ainda que não seja lembrado
Morarei lá, e você há de saber me ver em ti!

Inove!

Só se vive um amor.
Diferentes personagens,
Inovações criativas.
Mas o enredo é o mesmo
Como numa releitura
De uma obra bem-sucedida!

Sentimento, Vontade
Apreço, desejo.
Não, o seu não é o maior amor do mundo.
Mas sabe, pode ser o mais válido.

Vive-se um amor por vez,
Vive-se um sentimento por tempo,
Talvez sentir-se e intensamente.
Senti-lo ou senti-la,
Como parte de si, é comum.

Agora fazer com que alguém faça
Efetivamente parte da sua vida,
Isso é um amor,
Isso é continuidade,
É inovação, Escrever uma nova obra
Uma maneira de se provar que
O seu amor é não o maior, mas o melhor do mundo!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Complexo de Isaac

Capacidade contínua.
Estática, dinâmica.
Cria-se muito bem
Quando tudo que incide
Sobre você resulta em nada.
A resultante nula.
A idéia flui
E se desdobra em outras milhares.
É a reação à ação de tentar.
Consegue-se muito bem.
Agora.
Caneta e papel,
Atrito físico e mental,
A reação de tentar,
Dissipa a ação,
Desaceleração,
Sistema não conservativo,
Temperatura alta,
Cérebro fundindo,
Repouso
Delta tinta = x,
Delta texto = 0,
sem ponto final

Beijo

Ácido gama-aminobutírico
Noradrenalina, Simpático
Pensamentos, possibilidades
Pupilas dilatadas, taquicardia
Respiração descontroladamente rápida
Uma parada no tempo:
Pára o nó sinoatrial.
O encontro dos lábios,
Dopamina, Serotonina,
Acetilcolina, Parassimpático
Bradicardia, olhos ao normal
Respiração normalizando.
Pronta pra outra?

Ignorância Prostituta.

Feliz é a vida do ignorante trivial, comum.
Acredita no cotidiano, no mágico,
No trabalho e no Deus compassivo.
Move o mundo com as mãos
Quer apenas o direito de ter esperança
Troca injusta.

Triste é o ignorante consciente,
Estuda mas prefere se prostituir.
Vender sua personalidade e se misturar
Engolir a ideologia dos fracos
Defender a mediocridade para se sobressair
Rebaixamento justo.

O Brilho e o Alheio

Se olhar ao acaso para as estrelas,
Verá que algumas brilham mais do que outras.
Elas também nos olham,
Veem todas as meninas,
Cada qual com sua beleza e amores.
Mas quando olham, qual surpresa!
Umas brilham, também, mais que as outras.
Vem o Sol, estrela mais brilhante e traz o dia.
Ofusca todas as outras estrelas
Só temos olhos pra uma.
E as estrelas olham para todas até que você chega.
Traz meu dia, ofusca qualquer outra a seu redor,
E eu só tenho olhos pra você,
Menina minha, minha estrela.

Deus, sou de Vós, Vós sois de mim.

Independente de esperanças
Independente de valores
Independente de crenças falsas
Ou de falsos clamores.
A cretinice devota do preconceito.

Estive sentado com alguém que me disse
"Que não acreditem em mim quanto a
Entidade e forma de ser,
Mas em si mesmos,
Porque se há a crença naquilo que vivo,
Minha obra, imagem e semelhança,
É sobre esta pedra que edificarei meu reino."

Eu creio naquele que me fortalece: Eu mesmo.
Porque creio em Deus e sua obra: Eu mesmo.

Minha oração se chama gratidão,
Meu dízimo se chama vida,
Minha profissão de fé se chama acordar,
Minha procissão, se chama tempo,
Minha solidariedade se chama cotidiano,
Minha igreja e templo, se chama Terra.

Santíssima trindade;
Deus, nosso consciente, Pai;
Deus, nosso concreto, Filho;
Deus nosso pensamento; Espírito Santo
Divina inspiração, nos fez perfeitos
Vossa imagem semelhança,
Disse Platão, eu o digo.
Amém.

De repente, a gente é feliz e nem sabe...


De repente a gente acorda,
E não quer que o sonho se acabe
De repente a gente cai,
E esbarra numa porta que se abre
De repente a gente está seguro,
E espera por um perigo de que se salve
De repente a gente é feliz
E nem, sequer sabe.

Uma vontade desenfreada
Um livro de páginas rasgadas
Um carro acelerado
É a gente correndo contra o tempo.
O avanço rápido do filme
Nenhuma notícia com que se anime
Qualquer vestido que se arrume,
É a folha querendo levar o vento.

Um ano de duzentos dias
O tempo de duzentas vidas
O tráfego de duzentas vias
É a vontade contra o existir.
O beijo de todas as meninas
A dor de todas as partidas
Perfume de todas as pétalas floridas
É o impossível de sentir
 
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