terça-feira, 19 de abril de 2011
Pele de cobra
A gente faz a luz pra ver de noite a beleza que poderia ser vista à olhos limpos ao dia. E embebe em álcool a própria percepção só pra conquistar aquilo que queremos sóbrios. Sem sentir.. Sem precisar. Só pelo prazer de poder errar sem medo. E poder ver menos em luz artificial do que a timidez possa impedir À luz do dia. Eu posso construir uma beleza. Mas você realmente pode tê-la?
Porque é assim sempre né?
Vou combinar com o Sol, pra ver se ele nasce às 10 e eu possa dormir mais, sem ter que fechar a cortina. Combino com minha mãe pra que ela não tenha que trabalhar, pra poder fazer o meu café, e obviamente, meu pai vai estar À minha espera pra me levar à escola. E vou combinar pra que hoje seja feriado, e que só a Lívia se esqueça também disso. Claro que minha mãe já vai ter colocado um guarda-chuva e uma blusa extra na mochila. E como a Lívia mora no mesmo bairro que eu, além do mais, agora meu pai teve que trabalhar, não ia ser problema nenhum eu emprestar a blusa pra Lívia, e dar uma “caroninha” debaixo do guarda-chuva. E é claro que ela adora Arctic Monkeys e prefer não se envolver em discussões políticas. É claro que ela prefere ser modelo e não se importa nem um pouco com a minha carreira, e sim com como eu sou simpático e toco guitarra numa bandinha de garagem. E é claro que ela vai se virar pra falar comigo ao mesmo tempo que eu “acidentalmente” chegar perto demais, dando um beijo nela.. E é claro que, em meio ao susto que ela vai adorar, e que não vai reclamar que eu me despeça dela com um beijo de verdade. E eu vou chegar em casa, e lá estará, o almoço na mesa, o celular da Lívia anotado no celular, só pra eu ignorar até que ela ligue de novo e a minha cama esperando pra que eu volte a dormir. E pode desligar o Sol de novo, porque meu dia já teve tudo o que eu queria. Porque é assim sempre mesmo né..
segunda-feira, 4 de abril de 2011
In The Heat Of The Moment...
Estava cá fuçando em algumas notícias nessa última manhã de folga antes de iniciar um módulo novo na faculdade, quando me deparei com uma notícia assim entitulada:
"Só não estuda quem não quer, diz Dilma sobre financiamentos".
http://www1.folha.uol.com.br/saber/897868-so-nao-estuda-quem-nao-quer-diz-dilma-sobre-financiamentos.shtml
Sério, dá pra levar em consideração algo assim? O brasileiro é, por excelência, um sujeito de momento. As soluções do brasileiro são inegavelmente práticas e costumam serem eficazes para o fim imediato que se estabelece. Não à toa, os brasileiros se orgulham de dizer que tomam emprego dos estrangeiros em suas próprias terras pelo trabalho e pela inteligência prática.
Mas já reparou que esses brasileiros, em grande maioria, ocupam funções de base, como empregados ou mesmo temporários? Em empregos de aplicação prática e objetiva e sem muita perspectiva de crescimento e criação. Obviamente que a remuneração é desproporcional ao que se tem aqui, e o pouco suado que se ganha lá fora é muito aqui, dando uma falsa impressão de sucesso brando.
Enquanto isso, pessoas com visão sistêmica, que vêem além do momento criam uma metodologia de desenvolvimento, um plano de metas, um caminho a se trilhar. É mais longo, verdade. Funciona a longo prazo, exige paciência, e isso é o que o brasileiro não tem. Veja por exemplo, nos esportes: um time vai muito bem, perde uma partida, já se fala em demitir técnico, em demitir jogador. No fundo, foi uma partida só, e essa derrota foi decorrência do esforço de um elenco desgastado. E que no fim das contas, mesmo frente a ela, pode sair vitorioso em um campeonato, que esse sim, é o objetivo final. Mas é claro que só dá pra acontecer isso com o apoio da torcida.
Mas O QUE RAIOS ISSO TUDO TEM A VER COM O QUE A DILMA FALOU?
Pois bem, que nessa onda de praticidade, temos poucos universitários no Brasil. O que o governo faz? Permite a abertura de um monte de faculdades meia-boca, financia os estudos de todo mundo a torto-direito e forma um monte de profissionais despreparados pro mercado, aí pra serem agentes meia-boca de uma indústria meia-boca de um país meia-boca. Com dinheiro? Sim, mas para os outros aproveitarem.
Porque, não seria mais fácil dar uma boa educação na base e permitir que todos, independentemente de classes sociais disputassem em pé de igualdade às vagas em centros de conhecimento renomados, ao invés de se conformarem os menos preparados (por culpa da má-educação do país, que fique claro) com formações deficientes em centros improvisados?
Aí, os mais abastados custeiam uma caríssima (e extremamente lucrativa) "indústria do conhecimento" que são os colégios de ponta, formam seus filhos para as melhores faculdades, permitem a eles serem profissionais mais completos e melhor remunerados, assim mantendo eles como pessoas mais abastadas e as outras como menos, congelando o sistema social.
Ao invés de fazer remendos na educação, podemos criar umabase mais forte e sólida, com esse tão anunciado status de "potência" que temos, graças ao dinheiro de poucos. Criar jovens mais cultos, mais críticos e competitivos, preparados para o futuro e sem o conformismo de remendos para enganar aos entusiastas do momento.
Fica a dica..
"Só não estuda quem não quer, diz Dilma sobre financiamentos".
http://www1.folha.uol.com.br/saber/897868-so-nao-estuda-quem-nao-quer-diz-dilma-sobre-financiamentos.shtml
Sério, dá pra levar em consideração algo assim? O brasileiro é, por excelência, um sujeito de momento. As soluções do brasileiro são inegavelmente práticas e costumam serem eficazes para o fim imediato que se estabelece. Não à toa, os brasileiros se orgulham de dizer que tomam emprego dos estrangeiros em suas próprias terras pelo trabalho e pela inteligência prática.
Mas já reparou que esses brasileiros, em grande maioria, ocupam funções de base, como empregados ou mesmo temporários? Em empregos de aplicação prática e objetiva e sem muita perspectiva de crescimento e criação. Obviamente que a remuneração é desproporcional ao que se tem aqui, e o pouco suado que se ganha lá fora é muito aqui, dando uma falsa impressão de sucesso brando.
Enquanto isso, pessoas com visão sistêmica, que vêem além do momento criam uma metodologia de desenvolvimento, um plano de metas, um caminho a se trilhar. É mais longo, verdade. Funciona a longo prazo, exige paciência, e isso é o que o brasileiro não tem. Veja por exemplo, nos esportes: um time vai muito bem, perde uma partida, já se fala em demitir técnico, em demitir jogador. No fundo, foi uma partida só, e essa derrota foi decorrência do esforço de um elenco desgastado. E que no fim das contas, mesmo frente a ela, pode sair vitorioso em um campeonato, que esse sim, é o objetivo final. Mas é claro que só dá pra acontecer isso com o apoio da torcida.
Mas O QUE RAIOS ISSO TUDO TEM A VER COM O QUE A DILMA FALOU?
Pois bem, que nessa onda de praticidade, temos poucos universitários no Brasil. O que o governo faz? Permite a abertura de um monte de faculdades meia-boca, financia os estudos de todo mundo a torto-direito e forma um monte de profissionais despreparados pro mercado, aí pra serem agentes meia-boca de uma indústria meia-boca de um país meia-boca. Com dinheiro? Sim, mas para os outros aproveitarem.
Porque, não seria mais fácil dar uma boa educação na base e permitir que todos, independentemente de classes sociais disputassem em pé de igualdade às vagas em centros de conhecimento renomados, ao invés de se conformarem os menos preparados (por culpa da má-educação do país, que fique claro) com formações deficientes em centros improvisados?
Aí, os mais abastados custeiam uma caríssima (e extremamente lucrativa) "indústria do conhecimento" que são os colégios de ponta, formam seus filhos para as melhores faculdades, permitem a eles serem profissionais mais completos e melhor remunerados, assim mantendo eles como pessoas mais abastadas e as outras como menos, congelando o sistema social.
Ao invés de fazer remendos na educação, podemos criar umabase mais forte e sólida, com esse tão anunciado status de "potência" que temos, graças ao dinheiro de poucos. Criar jovens mais cultos, mais críticos e competitivos, preparados para o futuro e sem o conformismo de remendos para enganar aos entusiastas do momento.
Fica a dica..
domingo, 3 de abril de 2011
#11
A quebra da rotina é o entorpecente do ser humano. Tudo quanto for prazeroso é, de certa forma uma quebra da rotina, um ponto singular na linearidade dos fatos da nossa vida. As sensações, as impressões, os momentos e motivações. E tudo quanto for de fora pra dentro e nos fazer únicos em determinado momento.
Talvez eu possa estar sendo só um lugar-comum na descrição das sensações, mas, por Deus, como é extasiante descrever a quebra da rotina! Talvez, depois dessa quebra, eu retorne à passividade do meu dia-a-dia. Mas que fique registrado, fui feliz. Saí sem rumo para um lugar qualquer, com pessoas diferentes, com impressões diferentes e me deixei ser lentamente decifrado (ou não). Estou ouvindo músicas completamente diferentes do que estou acostumado, retornando a falar com pessoas que, há muito não falava; retornando a pensar em certas decisões do passado.
A cabeça vai a mil. Coisas diferentes! Trabalho, raciocínio, “fosfato”! E no entanto, ainda estamos embebidos nela.
Para negar alguma coisa, precisamos primeiro, admitir que ela existe. Para exaltar a quebra da rotina, estaremos contrapondo o que fazemos no momento ao que sempre fazemos. Então, no fundo, estaremos com a rotina em mente, mesmo nessa quebra. É como correr da própria sombra.
Só que ainda assim, é a única forma de prazer que teremos. Seja com drogas, com música, com eventos, esportes, realizações. Tudo o que queremos é fugir de uma rotina que existe em nós e conosco.
Talvez eu possa estar sendo só um lugar-comum na descrição das sensações, mas, por Deus, como é extasiante descrever a quebra da rotina! Talvez, depois dessa quebra, eu retorne à passividade do meu dia-a-dia. Mas que fique registrado, fui feliz. Saí sem rumo para um lugar qualquer, com pessoas diferentes, com impressões diferentes e me deixei ser lentamente decifrado (ou não). Estou ouvindo músicas completamente diferentes do que estou acostumado, retornando a falar com pessoas que, há muito não falava; retornando a pensar em certas decisões do passado.
A cabeça vai a mil. Coisas diferentes! Trabalho, raciocínio, “fosfato”! E no entanto, ainda estamos embebidos nela.
Para negar alguma coisa, precisamos primeiro, admitir que ela existe. Para exaltar a quebra da rotina, estaremos contrapondo o que fazemos no momento ao que sempre fazemos. Então, no fundo, estaremos com a rotina em mente, mesmo nessa quebra. É como correr da própria sombra.
Só que ainda assim, é a única forma de prazer que teremos. Seja com drogas, com música, com eventos, esportes, realizações. Tudo o que queremos é fugir de uma rotina que existe em nós e conosco.
Assinar:
Postagens (Atom)
