Corre. No descampado em que estiver a multidão, todos os lados são horizonte.
E tua estrela reluz, seja noite, seja dia.
E a medida que vira ponto e some no longe, fica pequeno nos olhos de quem vê
Mas cresce em si a cada passo.
E se ser ponto é ser crucificado,
Lembra que quando tua cabeça cair em morte aos olhos alheios,
Que estará se erguendo, e em si nascendo Eu,
Deixando de ser um, pra ser O.
Artigo definido.
Para si,
E tantas outras instâncias como o mundo: que pouco importam.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Androgenia construtiva.
Não sei bem como é que funciona isso. Anda sendo moda ser andrógeno. Restart e afins estão aí pra provar este ponto. A distinção entre homem e mulher cai numa linha tênue. E as mentes mais suscetíveis acabam por comprar esta idéia amplamente divulgada. Pessoalmente, não sou fã. Nada contra. Questão de complexidade, estilo e valorização de esforços mais nobrees.
Porém, acredito numa androgenia mais construtiva. Chega a ser inocente, besta e pouco atraente, mas, num país machista, onde qualquer demonstração de caracteres tradicionalmente femininos é considerada homossexualidade. E veja bem, são apenas trejeitos que foram considerados PELA SOCIEDADE como femininos.
Sentimentalismo, romance, vaidade, detalhismo, e tantas outras características que, em homens, são carinhosamente colocadas pelos "machões" como "boiolagem".
Sabe, às vezes, as pessoas deturpam o sentido dos atos. E não só homens. Mulheres também. Quantas vezes não se ouve comentários acéfalos como "eu gosto de HOMEM, e não disso". Só que esse homem eternizado pela pequeneza do intelecto humano é uma noção grotesca de falta de educação, ignorância, machismo, porquisse, dentre tantas outras "qualidades indispensáveis".
E no fim das contas, acho que, mais do que força e burrice, ser homem é ser corajoso.
Mas coragem, significa competir de igual pra igual com mulheres por um posto de trabalho. É ser educado espotaneamente. É ser romântico às vezes e prático em tantas outras.
Acima de tudo, é admitir que ser você mesmo não tem nada demais, e não ficar se escondendo da crítica detrás de uma cortina chamada senso-comum.
É saber que as escolhas que fazemos, antes de agradar à qualquer um, tem de agradar à nós, e que deixar de fazer algo de que se gosta pelo medo da opinião alheia é omissão e mediocridade.
E não importa se eu quiser ser utópico, romântico, educado, dar risada e torcer por uma comédia romântica água-com-açúcar, ou ouvir músicas de quatro acordes falando de amor. Não importa se eu quiser combinar a camiseta com o tênis e pentear o cabelo todos os dias antes de sair de casa. E realmente acreditar que, mesmo que o mundo inteiro seja superficial, ainda tem uma pessoa que seja que pode gostar da minha pessoa pelo que eu sou, e não pelo papel que eu finjo ter nessa tragicomédia chamada sociedade.
Porque, quando eu olhar no espelho, eu vou saber que o que eu vejo ali, dentro dos olhos, é o que todos podem ver claramente, e não o que todos desejam ver.
É ser eu, e ser mais eu, antes de tentar gostar de outra pessoa.
Porém, acredito numa androgenia mais construtiva. Chega a ser inocente, besta e pouco atraente, mas, num país machista, onde qualquer demonstração de caracteres tradicionalmente femininos é considerada homossexualidade. E veja bem, são apenas trejeitos que foram considerados PELA SOCIEDADE como femininos.
Sentimentalismo, romance, vaidade, detalhismo, e tantas outras características que, em homens, são carinhosamente colocadas pelos "machões" como "boiolagem".
Sabe, às vezes, as pessoas deturpam o sentido dos atos. E não só homens. Mulheres também. Quantas vezes não se ouve comentários acéfalos como "eu gosto de HOMEM, e não disso". Só que esse homem eternizado pela pequeneza do intelecto humano é uma noção grotesca de falta de educação, ignorância, machismo, porquisse, dentre tantas outras "qualidades indispensáveis".
E no fim das contas, acho que, mais do que força e burrice, ser homem é ser corajoso.
Mas coragem, significa competir de igual pra igual com mulheres por um posto de trabalho. É ser educado espotaneamente. É ser romântico às vezes e prático em tantas outras.
Acima de tudo, é admitir que ser você mesmo não tem nada demais, e não ficar se escondendo da crítica detrás de uma cortina chamada senso-comum.
É saber que as escolhas que fazemos, antes de agradar à qualquer um, tem de agradar à nós, e que deixar de fazer algo de que se gosta pelo medo da opinião alheia é omissão e mediocridade.
E não importa se eu quiser ser utópico, romântico, educado, dar risada e torcer por uma comédia romântica água-com-açúcar, ou ouvir músicas de quatro acordes falando de amor. Não importa se eu quiser combinar a camiseta com o tênis e pentear o cabelo todos os dias antes de sair de casa. E realmente acreditar que, mesmo que o mundo inteiro seja superficial, ainda tem uma pessoa que seja que pode gostar da minha pessoa pelo que eu sou, e não pelo papel que eu finjo ter nessa tragicomédia chamada sociedade.
Porque, quando eu olhar no espelho, eu vou saber que o que eu vejo ali, dentro dos olhos, é o que todos podem ver claramente, e não o que todos desejam ver.
É ser eu, e ser mais eu, antes de tentar gostar de outra pessoa.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Minissérie #3
Os ânimos estavam acirrados. Sabe-se lá porquê aquele dia parecia tão agitado pra ela. As pessoas estavam preocupadas com provas, ou quaisquer outras coisas que não estariam tão evidentes. Ela vislumbrava a janela, em que escorriam gotas de uma chuva chata, daquelas fininhas que encharcam a roupa, e que refletia sua face bonita, com olheiras que refletiam algum esforço inútil em ter estudado de madrugada.
Aquilo não era pra ela. Estudar não. Talvez nem tanto outras coisas também. Ela realmente não pensara em nada pra fazer. Como não pudera ficar vagabundando o dia todo em casa, iria para a escola, somente pra preencher um tempo que não seria empregado em nada. Afinal, por que simplesmente ela não poderia ser uma especialista em nada? Quem disse que isso é errado?
Ele vislumbrava a manhã nublada como uma qualquer, a não ser pelo fato que as pessoas se aproximavam muito mais dele nesse período pré-prova. Não que importasse. Ele fazia os comentários que faria mentalmente sobre a matéria, se não o indagassem. E ainda era considerado simpático.
Claro, também, que ele vislumbrava as pessoas que simplesmente não se importavam com nada. Ficavam lá, nos cantos, escutando música e/ou pensando em qualquer outra coisa que não a prova. Não que importassem também. Mas só lhe intrigava o fato de alguem conseguir ficar em tamanho ócio mental, mesmo frente à uma obrigação simples e corriqueira como aquela.
Como fosse, fizeram a prova. Nada demais: para um, rotina. Exatamente o que fora exposto em sala. Para outra: indiferença. nada daquilo que se apresentava fazia sentido. Nem tampouco o professor que lhe dera a matéria vinha à sua mente.
A subsequência se deu como sempre, cada um retorna a sua rotina, nada demais, até que saísse a nota da prova. Ele tinha ido bem. Ela tinha zerado mais uma prova. E nem lhe afetaria esse fato, se logo em seguida ela não tivesse de ir à sala do diretor. E mesmo isso não seria um incômodo se sua mãe não estivesse naquela sala.
O diretor falava, e dramatizava, dizia que falara mil vezes para ela se concentrar, prestar atenção, que todos os professores falavam, que ninguém poderia convencê-la de estudar e tomar um rumo na vida, enquanto a mãe ia ficando constrangida e chorosa, e a menina indiferente.
Mas lá dentro, ela estava frustrada, porque, a única coisa com que se importara na vida, era o bem-estar da mãe. De um jeito desastrado e leviano, mas ainda assim, sincero. Fazer a mãe sofrer era tudo o que ela não pretendia. Desse modo é que ela acabou por começar a frequentar o colégio. E não pareceria tão difícil, se fosse algo somente presencial. Mas ela realmente não esperava por este golpe. Ainda assim, sua face estampava indiferença, mais pelo costume do que pelo vir-a-ser.
Ela fazia as mesmas promessas vazias de que iria se empenhar para melhorar, frente à professor e diretores. Mas ter aquele silêncio cabisbaixo da mãe acompanhando o som dos passos de um all-star surrado, numa dessas ruas de subúrbio pouco movimentadas que iam dar de encontro com sua casa, era uma sensação desesperadora.
A mãe não confiara plenamente em sua capacidade. Mas confiava um pouco. Era daquelas mães iludidas, que sempre pensam que o insucesso do filho é uma obra do acaso. Não enxergam que incentivando o insucesso, só irão tornar os filhos mais confortáveis na mediocridade.
No dia seguinte, as olheiras ainda pesavam sob os olhos inchados. Se a indiferença estampava os arredores daquelas olheiras agora, certamente que não se pareciam com a expressão carregada de lágrimas frustradas. Sua mãe acompanhaou sua ida à escola dessa vez. Não tocara no assunto uma vez sequer. Só disse "faça o melhor, eu sei que você pode". E se despediu com um abraço de mãe, daqueles que aquecem a gente de dentro pra fora.
O início da aula foi complicado. Ela se sentia na obrigação de reagir. Já sentira isso em outras vezes nas quais fora advertida pela falta de interesse. Mas como sempre, não sabia como começar. Ficava com vergonha de perguntar, pois não sabia do que se tratava. Nem a mínima idéia. E esse primeiro dia geralmente passava numa confusão mental, que terminava na desilusão dela, acerca de entender alguma coisa.
Mas não daquela vez. Daquela vez, o que estava em jogo era mais do que o jugo dos professores. Era a esperança da mãe. Aquela esperança que vinha como o tempo. O tempo, independente de você aproveitá-lo ou não, virá. E se for pra gastá-lo com nada, terá sido em vão. Assim era a esperança da mãe. E ela não poderia jpgar fora isso, mas do que já havia feito.
E assim, ela conseguiu ver algo que antes não conseguira. Outras pessoas conseguiam corresponder. O que é que eles têm? Ela não sabia. E talvez, essa necessidade seria o início de um grande impasse na vida dela. No momento em que decidiu pedir ajuda à ele.
Aquilo não era pra ela. Estudar não. Talvez nem tanto outras coisas também. Ela realmente não pensara em nada pra fazer. Como não pudera ficar vagabundando o dia todo em casa, iria para a escola, somente pra preencher um tempo que não seria empregado em nada. Afinal, por que simplesmente ela não poderia ser uma especialista em nada? Quem disse que isso é errado?
Ele vislumbrava a manhã nublada como uma qualquer, a não ser pelo fato que as pessoas se aproximavam muito mais dele nesse período pré-prova. Não que importasse. Ele fazia os comentários que faria mentalmente sobre a matéria, se não o indagassem. E ainda era considerado simpático.
Claro, também, que ele vislumbrava as pessoas que simplesmente não se importavam com nada. Ficavam lá, nos cantos, escutando música e/ou pensando em qualquer outra coisa que não a prova. Não que importassem também. Mas só lhe intrigava o fato de alguem conseguir ficar em tamanho ócio mental, mesmo frente à uma obrigação simples e corriqueira como aquela.
Como fosse, fizeram a prova. Nada demais: para um, rotina. Exatamente o que fora exposto em sala. Para outra: indiferença. nada daquilo que se apresentava fazia sentido. Nem tampouco o professor que lhe dera a matéria vinha à sua mente.
A subsequência se deu como sempre, cada um retorna a sua rotina, nada demais, até que saísse a nota da prova. Ele tinha ido bem. Ela tinha zerado mais uma prova. E nem lhe afetaria esse fato, se logo em seguida ela não tivesse de ir à sala do diretor. E mesmo isso não seria um incômodo se sua mãe não estivesse naquela sala.
O diretor falava, e dramatizava, dizia que falara mil vezes para ela se concentrar, prestar atenção, que todos os professores falavam, que ninguém poderia convencê-la de estudar e tomar um rumo na vida, enquanto a mãe ia ficando constrangida e chorosa, e a menina indiferente.
Mas lá dentro, ela estava frustrada, porque, a única coisa com que se importara na vida, era o bem-estar da mãe. De um jeito desastrado e leviano, mas ainda assim, sincero. Fazer a mãe sofrer era tudo o que ela não pretendia. Desse modo é que ela acabou por começar a frequentar o colégio. E não pareceria tão difícil, se fosse algo somente presencial. Mas ela realmente não esperava por este golpe. Ainda assim, sua face estampava indiferença, mais pelo costume do que pelo vir-a-ser.
Ela fazia as mesmas promessas vazias de que iria se empenhar para melhorar, frente à professor e diretores. Mas ter aquele silêncio cabisbaixo da mãe acompanhando o som dos passos de um all-star surrado, numa dessas ruas de subúrbio pouco movimentadas que iam dar de encontro com sua casa, era uma sensação desesperadora.
A mãe não confiara plenamente em sua capacidade. Mas confiava um pouco. Era daquelas mães iludidas, que sempre pensam que o insucesso do filho é uma obra do acaso. Não enxergam que incentivando o insucesso, só irão tornar os filhos mais confortáveis na mediocridade.
No dia seguinte, as olheiras ainda pesavam sob os olhos inchados. Se a indiferença estampava os arredores daquelas olheiras agora, certamente que não se pareciam com a expressão carregada de lágrimas frustradas. Sua mãe acompanhaou sua ida à escola dessa vez. Não tocara no assunto uma vez sequer. Só disse "faça o melhor, eu sei que você pode". E se despediu com um abraço de mãe, daqueles que aquecem a gente de dentro pra fora.
O início da aula foi complicado. Ela se sentia na obrigação de reagir. Já sentira isso em outras vezes nas quais fora advertida pela falta de interesse. Mas como sempre, não sabia como começar. Ficava com vergonha de perguntar, pois não sabia do que se tratava. Nem a mínima idéia. E esse primeiro dia geralmente passava numa confusão mental, que terminava na desilusão dela, acerca de entender alguma coisa.
Mas não daquela vez. Daquela vez, o que estava em jogo era mais do que o jugo dos professores. Era a esperança da mãe. Aquela esperança que vinha como o tempo. O tempo, independente de você aproveitá-lo ou não, virá. E se for pra gastá-lo com nada, terá sido em vão. Assim era a esperança da mãe. E ela não poderia jpgar fora isso, mas do que já havia feito.
E assim, ela conseguiu ver algo que antes não conseguira. Outras pessoas conseguiam corresponder. O que é que eles têm? Ela não sabia. E talvez, essa necessidade seria o início de um grande impasse na vida dela. No momento em que decidiu pedir ajuda à ele.
sábado, 7 de maio de 2011
Dentre os seus espinhos e os meus cacos.
Tinha um espinho na planta do pé.
Fosse por que fosse, nascera com ele.
Quando pisava o chão, era dor,
Era cada passo um ardor
Que em estar lhe acompanhando a vida
Tornara-se leve como o respirar
Estava lá, como de um coração a batida
Sem que mais percebesse.
A dor estava lá, companheira
E ao passo do menor sinal
A lembrança corriqueira
Do ardor que lhe acometera
E ele praguejava, e xingava
E maldizia, sua dor constante
Seu passo errante
Sua condenação à revelia
Um dia sem pretensão
Pisara num caco qualquer
Em cima do espinho que não...
... mais estaria em seu pé
De dores agudas, pesadelos alheios
Lhe viria o maior presente
O fim da dor perene,
A eterna lembrança intermitente
E mesmo que lhe dissessem
Que não valia a dor intermitente aguda
Que fosse melhor a dor latente e muda
Mas no fundo ele sabia
Jamais trocaria uma dor que passa
Pela incapacidade de poder não sentir dor
Ao menos por um segundo...
Fosse por que fosse, nascera com ele.
Quando pisava o chão, era dor,
Era cada passo um ardor
Que em estar lhe acompanhando a vida
Tornara-se leve como o respirar
Estava lá, como de um coração a batida
Sem que mais percebesse.
A dor estava lá, companheira
E ao passo do menor sinal
A lembrança corriqueira
Do ardor que lhe acometera
E ele praguejava, e xingava
E maldizia, sua dor constante
Seu passo errante
Sua condenação à revelia
Um dia sem pretensão
Pisara num caco qualquer
Em cima do espinho que não...
... mais estaria em seu pé
De dores agudas, pesadelos alheios
Lhe viria o maior presente
O fim da dor perene,
A eterna lembrança intermitente
E mesmo que lhe dissessem
Que não valia a dor intermitente aguda
Que fosse melhor a dor latente e muda
Mas no fundo ele sabia
Jamais trocaria uma dor que passa
Pela incapacidade de poder não sentir dor
Ao menos por um segundo...
Minissérie #2
Ele era acordado pelo despertador e, religiosamente levantava após três “sonecas”. Tomava seu banho pra acordar e passava o mesmo perfume de sempre. Penteava o cabelo da forma melhor que lhe afinava o rosto, colocava uma correntinha estilizada com uma imagem de estrela-de-davi que ganhara da avó, judia.
Não tinha em si uma crença pré-definida, nem tampouco desacreditava de uma orientação universal. Só preferia ficar na dúvida pra agradar gregos e troianos. Seja pelo que fosse, não ia desagradar ao Deus de um pra acreditar nos outros. Seja o que for essa orientação espiritual, “tamo junto”!
Sempre teve cuidado com a aparência, pelo simples fato de não ser o cara mais bonito que já se vira. Não que fosse fazer diferença, afinal, só se nota detalhes, frente à linhas gerais bem-definidas. Mas na via das dúvidas, melhor já ter em si alguns detalhes.. Nunca se sabe quando Deus ou Buda fosse colocar algum olhar oportuno cruzando seus detalhes em quadro branco.
Tomava café à mesa com os pais. Assistiam juntos ao jornal ao som da cafeteira e ele levantava tão rápido o relógio apontasse sete e meia. Despedia-se com um beijo no rosto dos pais e partia pro colégio. Como gostasse de música, escolhia suas trilhas sonoras de época em época. Naquele dia em especial, poderia estar ouvindo Donavon Frankenreiter ou, mesmo algum dos “Nocturne” de Chopin. Não que isso importasse ao resto do mundo.
Chegava ao colégio, metódico como sempre, tirava o material do dia da mochila e colocava sob a cadeira. Não que gostasse das aulas e dos professores. Mas simplesmente sabia que aquilo tudo era um caminho, uma trilha a se seguir pra conseguir chegar à um ponto onde poderia fazer o que quisesse.
E era esse ímpeto que lhe ajudava a suportar as aulas, até com certo interesse, a perguntar, a questionar, e todas as coisas que os professores tanto prezavam. Ainda não sabia o que queria fazer da vida, nem lhe passava pela cabeça. Mas sabia que não iria ficar sem nada pra fazer.
Os intervalos eram algo meio frustrante pra ele. Não que não tivesse amigos. Mas é que simplesmente não lhe entusiasmavam os papos dos amigos. Eram sempre as mesmas coisas, sempre falando das bonitinhas exibidas que, provavelmente deveriam estar falando deles. Não dele, dos amigos.
Claro que seria uma puta hipocrisia, dizer que ele não queria dar uns amassos nelas. Ele era homem também, afinal. Mas era recíproco: ele não via muito propósito, e elas também não viam nada nele. Então, era unir o inútil ao desagradável.
Após a aula, não se demorava muito a ir pra casa. Estudava um pouco, saia pra caminhar à tardezinha, e no fim do dia, ficava com os pais na sala de casa, onde conversavam e assistiam à televisão. Depois, dava boa-noite aos pais e ia pra cama, onde ficaria algumas horas refletindo sobre divagações da vida.
Não tinha em si uma crença pré-definida, nem tampouco desacreditava de uma orientação universal. Só preferia ficar na dúvida pra agradar gregos e troianos. Seja pelo que fosse, não ia desagradar ao Deus de um pra acreditar nos outros. Seja o que for essa orientação espiritual, “tamo junto”!
Sempre teve cuidado com a aparência, pelo simples fato de não ser o cara mais bonito que já se vira. Não que fosse fazer diferença, afinal, só se nota detalhes, frente à linhas gerais bem-definidas. Mas na via das dúvidas, melhor já ter em si alguns detalhes.. Nunca se sabe quando Deus ou Buda fosse colocar algum olhar oportuno cruzando seus detalhes em quadro branco.
Tomava café à mesa com os pais. Assistiam juntos ao jornal ao som da cafeteira e ele levantava tão rápido o relógio apontasse sete e meia. Despedia-se com um beijo no rosto dos pais e partia pro colégio. Como gostasse de música, escolhia suas trilhas sonoras de época em época. Naquele dia em especial, poderia estar ouvindo Donavon Frankenreiter ou, mesmo algum dos “Nocturne” de Chopin. Não que isso importasse ao resto do mundo.
Chegava ao colégio, metódico como sempre, tirava o material do dia da mochila e colocava sob a cadeira. Não que gostasse das aulas e dos professores. Mas simplesmente sabia que aquilo tudo era um caminho, uma trilha a se seguir pra conseguir chegar à um ponto onde poderia fazer o que quisesse.
E era esse ímpeto que lhe ajudava a suportar as aulas, até com certo interesse, a perguntar, a questionar, e todas as coisas que os professores tanto prezavam. Ainda não sabia o que queria fazer da vida, nem lhe passava pela cabeça. Mas sabia que não iria ficar sem nada pra fazer.
Os intervalos eram algo meio frustrante pra ele. Não que não tivesse amigos. Mas é que simplesmente não lhe entusiasmavam os papos dos amigos. Eram sempre as mesmas coisas, sempre falando das bonitinhas exibidas que, provavelmente deveriam estar falando deles. Não dele, dos amigos.
Claro que seria uma puta hipocrisia, dizer que ele não queria dar uns amassos nelas. Ele era homem também, afinal. Mas era recíproco: ele não via muito propósito, e elas também não viam nada nele. Então, era unir o inútil ao desagradável.
Após a aula, não se demorava muito a ir pra casa. Estudava um pouco, saia pra caminhar à tardezinha, e no fim do dia, ficava com os pais na sala de casa, onde conversavam e assistiam à televisão. Depois, dava boa-noite aos pais e ia pra cama, onde ficaria algumas horas refletindo sobre divagações da vida.
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minisserie
Minissérie #1
Ela saía de casa com os olhos semi-cerrados pelo sono e por causa de umas brechas de Sol entre os galhos de uma árvore da calçada. Pensava em trivialidades quaisquer que não se misturassem com a escola ou algo que lhe chateasse. À trilha sonora de umas três ou quatro bandas das quais não sabia o nome, as quais baixara de uma playlist bem avaliada em um site de letras. Também não se dava ao trabalho de saber o que diziam. Ia na inércia dos passos para a escola, para que na inércia das palavras do professor, fizesse seu papel coadjuvante no script em que sua mãe depositara investimentos e esperanças de estrela.
- Educação é cara minha filha.. Estuda pra não ser como a tua mãe..
Ser como ela? Ah, ela é legal, tem um bom marido e não sei por que eu não poderia ser como ela!
Mas como toda filha sabe, mães nunca devem ser contrariadas. Então, ela concordava passivamente.
As aulas eram, no fundo, um recanto. Como os professores não a deixavam escutar música, e ela definitivamente não estava interessada no que eles estavam falando, ela usava esse tempo pra vegetar, pra manter o descanso da cabeça constante. As palavras no mesmo tom, aquela marcha disciplinada que era acompanhada por burburinhos de fofocas quaisquer. E interrompidas apenas pelas perguntas de duas ou três pessoas que incrivelmente tentavam acompanhar aquele discurso despropositado. Mas enfim. Não importa.
No intervalo, levantava da cadeira pra esticar as pernas e encontrava as outras meninas só pra falar mal dos outros. Sem propósito algum. Deve ser natural do ser humano. Porque era divertidíssimo! Mas é. Roupas, sapatos, modos, manias, nada passava desapercebido pelas outras. Ela mesma não se preocupava muito com isso, mas dava umas risadas pra não perder as amigas. Por certo que elas falavam mal dela nas costas e, ela mesma achava as meninas um pouco dispensáveis. Mas lá estavam elas, espontaneamente juntas, sem muito choro, nem muita vela.
Após a aula, saía da sala e perdia uns 20 ou 30 minutos no portão observando e comentando os transeuntes com as amigas. Era legal flertar com os rapazes bonitos que passavam ali. Um pouco monótono, diga-se. Bonita como era e sabia, não exigiria muito esforço pra fazer acontecer um affair efêmero. Um olhar diferente, e, no dia seguinte, o rapaz fingia ter atitude, e ela fingia que ele tinha, ao aceitar o seu convite pra sair.
Claro que alguns caras passavam flertando sem chance alguma. Um inconveniente necessário. E eles tinham lá sua função. No mínimo, poderiam acrescer qualquer mixaria de auto-estima. Como se ela precisasse..
E a verdade que ela nem tinha consciências de todas essas coisas que aconteciam. Era praticamente uma aplicação da lei do mínimo esforço, com o complemento da máxima recompensa possível. Uma função simples (função?).
Depois, era uma mescla de estender as conversas de intervalos e portões no computador em casa, com assistir umas séries, dessas romantescas bestas, pra não fugir dos assuntos de amanhã, e pra poder fingir que um amor daqueles, mastigados entre pessoas bonitas e populares era algo realmente melhor do que prezar algo mais.
De noite, recebia umas mensagens no celular de affairs quaisquer, que respondia com a mesma riqueza de argumentos que lhe eram apresentados, com representações cardiovasculares em caracteres alfa-arábicos e “te amo”s levianos.
E ia dormir como acordou, fechando de vez os olhos semi-cerrados pelo sono, e pra evitar as luzes que passavam pelos galhos da árvore da calçada. As luzes eram de um poste. E nem percebia o beijo de boa noite que sua mãe lhe dava depois de cobri-la e tirar o notebook do colo.
- Educação é cara minha filha.. Estuda pra não ser como a tua mãe..
Ser como ela? Ah, ela é legal, tem um bom marido e não sei por que eu não poderia ser como ela!
Mas como toda filha sabe, mães nunca devem ser contrariadas. Então, ela concordava passivamente.
As aulas eram, no fundo, um recanto. Como os professores não a deixavam escutar música, e ela definitivamente não estava interessada no que eles estavam falando, ela usava esse tempo pra vegetar, pra manter o descanso da cabeça constante. As palavras no mesmo tom, aquela marcha disciplinada que era acompanhada por burburinhos de fofocas quaisquer. E interrompidas apenas pelas perguntas de duas ou três pessoas que incrivelmente tentavam acompanhar aquele discurso despropositado. Mas enfim. Não importa.
No intervalo, levantava da cadeira pra esticar as pernas e encontrava as outras meninas só pra falar mal dos outros. Sem propósito algum. Deve ser natural do ser humano. Porque era divertidíssimo! Mas é. Roupas, sapatos, modos, manias, nada passava desapercebido pelas outras. Ela mesma não se preocupava muito com isso, mas dava umas risadas pra não perder as amigas. Por certo que elas falavam mal dela nas costas e, ela mesma achava as meninas um pouco dispensáveis. Mas lá estavam elas, espontaneamente juntas, sem muito choro, nem muita vela.
Após a aula, saía da sala e perdia uns 20 ou 30 minutos no portão observando e comentando os transeuntes com as amigas. Era legal flertar com os rapazes bonitos que passavam ali. Um pouco monótono, diga-se. Bonita como era e sabia, não exigiria muito esforço pra fazer acontecer um affair efêmero. Um olhar diferente, e, no dia seguinte, o rapaz fingia ter atitude, e ela fingia que ele tinha, ao aceitar o seu convite pra sair.
Claro que alguns caras passavam flertando sem chance alguma. Um inconveniente necessário. E eles tinham lá sua função. No mínimo, poderiam acrescer qualquer mixaria de auto-estima. Como se ela precisasse..
E a verdade que ela nem tinha consciências de todas essas coisas que aconteciam. Era praticamente uma aplicação da lei do mínimo esforço, com o complemento da máxima recompensa possível. Uma função simples (função?).
Depois, era uma mescla de estender as conversas de intervalos e portões no computador em casa, com assistir umas séries, dessas romantescas bestas, pra não fugir dos assuntos de amanhã, e pra poder fingir que um amor daqueles, mastigados entre pessoas bonitas e populares era algo realmente melhor do que prezar algo mais.
De noite, recebia umas mensagens no celular de affairs quaisquer, que respondia com a mesma riqueza de argumentos que lhe eram apresentados, com representações cardiovasculares em caracteres alfa-arábicos e “te amo”s levianos.
E ia dormir como acordou, fechando de vez os olhos semi-cerrados pelo sono, e pra evitar as luzes que passavam pelos galhos da árvore da calçada. As luzes eram de um poste. E nem percebia o beijo de boa noite que sua mãe lhe dava depois de cobri-la e tirar o notebook do colo.
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