Tinha um espinho na planta do pé.
Fosse por que fosse, nascera com ele.
Quando pisava o chão, era dor,
Era cada passo um ardor
Que em estar lhe acompanhando a vida
Tornara-se leve como o respirar
Estava lá, como de um coração a batida
Sem que mais percebesse.
A dor estava lá, companheira
E ao passo do menor sinal
A lembrança corriqueira
Do ardor que lhe acometera
E ele praguejava, e xingava
E maldizia, sua dor constante
Seu passo errante
Sua condenação à revelia
Um dia sem pretensão
Pisara num caco qualquer
Em cima do espinho que não...
... mais estaria em seu pé
De dores agudas, pesadelos alheios
Lhe viria o maior presente
O fim da dor perene,
A eterna lembrança intermitente
E mesmo que lhe dissessem
Que não valia a dor intermitente aguda
Que fosse melhor a dor latente e muda
Mas no fundo ele sabia
Jamais trocaria uma dor que passa
Pela incapacidade de poder não sentir dor
Ao menos por um segundo...
sábado, 7 de maio de 2011
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