sábado, 7 de maio de 2011

Minissérie #2

Ele era acordado pelo despertador e, religiosamente levantava após três “sonecas”. Tomava seu banho pra acordar e passava o mesmo perfume de sempre. Penteava o cabelo da forma melhor que lhe afinava o rosto, colocava uma correntinha estilizada com uma imagem de estrela-de-davi que ganhara da avó, judia.

Não tinha em si uma crença pré-definida, nem tampouco desacreditava de uma orientação universal. Só preferia ficar na dúvida pra agradar gregos e troianos. Seja pelo que fosse, não ia desagradar ao Deus de um pra acreditar nos outros. Seja o que for essa orientação espiritual, “tamo junto”!

Sempre teve cuidado com a aparência, pelo simples fato de não ser o cara mais bonito que já se vira. Não que fosse fazer diferença, afinal, só se nota detalhes, frente à linhas gerais bem-definidas. Mas na via das dúvidas, melhor já ter em si alguns detalhes.. Nunca se sabe quando Deus ou Buda fosse colocar algum olhar oportuno cruzando seus detalhes em quadro branco.

Tomava café à mesa com os pais. Assistiam juntos ao jornal ao som da cafeteira e ele levantava tão rápido o relógio apontasse sete e meia. Despedia-se com um beijo no rosto dos pais e partia pro colégio. Como gostasse de música, escolhia suas trilhas sonoras de época em época. Naquele dia em especial, poderia estar ouvindo Donavon Frankenreiter ou, mesmo algum dos “Nocturne” de Chopin. Não que isso importasse ao resto do mundo.

Chegava ao colégio, metódico como sempre, tirava o material do dia da mochila e colocava sob a cadeira. Não que gostasse das aulas e dos professores. Mas simplesmente sabia que aquilo tudo era um caminho, uma trilha a se seguir pra conseguir chegar à um ponto onde poderia fazer o que quisesse.

E era esse ímpeto que lhe ajudava a suportar as aulas, até com certo interesse, a perguntar, a questionar, e todas as coisas que os professores tanto prezavam. Ainda não sabia o que queria fazer da vida, nem lhe passava pela cabeça. Mas sabia que não iria ficar sem nada pra fazer.

Os intervalos eram algo meio frustrante pra ele. Não que não tivesse amigos. Mas é que simplesmente não lhe entusiasmavam os papos dos amigos. Eram sempre as mesmas coisas, sempre falando das bonitinhas exibidas que, provavelmente deveriam estar falando deles. Não dele, dos amigos.

Claro que seria uma puta hipocrisia, dizer que ele não queria dar uns amassos nelas. Ele era homem também, afinal. Mas era recíproco: ele não via muito propósito, e elas também não viam nada nele. Então, era unir o inútil ao desagradável.

Após a aula, não se demorava muito a ir pra casa. Estudava um pouco, saia pra caminhar à tardezinha, e no fim do dia, ficava com os pais na sala de casa, onde conversavam e assistiam à televisão. Depois, dava boa-noite aos pais e ia pra cama, onde ficaria algumas horas refletindo sobre divagações da vida.

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