No tempo em que os velhos jovens serão os jovens adultos,
No tempo em que eu acredito no romantismo
E que posso viver os dez amores da minha vida
E os inúmeros melhores momentos dessa subida.
Fazer dezenas de vezes as coisas que deveriam ser
Uma na vida, outra na morte.
Quem me diz o que fazer,
Senão quem está preso demais pra perceber
Que pode fazer o que quiser,
E sofrer as conseqüências que vierem.
Quem me disse que eu tenho que não me importar
Pra começar a me fazer ser amado.
E disse pra eu deixar pra lá a vontade
De fazer valer tudo o dedicado.
Não, ninguém vence o guerreiro no meu sonho
Ninguém é eterno, nem dorme tranqüilo
Se não for sincero, será fugaz.
O mundo é meu, é repouso, é desperto.
E se todo mundo tiver que desacreditar,
Louco que sou, eu recomeço.
Porque, no fim das contas,
Através dos olhos de um louco,
A verdade é só mais um palpite imaturo.
O impossível,
Só mais um detalhe corriqueiro,
Mais um afazer do dia de amanhã.
domingo, 29 de agosto de 2010
Desconstrução Maquiavélica.
O filósofo do absolutismo Nicolau Maquiavel esteve certo na sua avaliação, frente à situação em que ele estava. Malandro como sempre fora, Maquiavel preso e condenado escreveu sua obra prima “O Príncipe”, livrando-se de sua pena e constituindo uma das bases mais sólidas da filosofia dos estados nacionais recém-formados e seus denominados “detentores”. Juntamente com Jean Bodin e seu “direito divino”, ou Thomas Hobbes e o monstro “Leviatã”, essa idéia levaria os líderes megalomaníacos acreditarem que eram deuses, mergulhando a Europa num período nefasto de relações não-lineares, desiguais e injustas.
A frase mais famosa atribuída a Nicolau Maquiavel é a máxima ”os fins justificam os meios”. Óbvio que reis sedentos de poder acharam a desculpa perfeita para justificarem suas sandices reais. Tudo pode ser feito com um objetivo. Isso, aliado com a Igreja e sua doutrina agostiniana de pregar aos quatro ventos que Deus já nos escolhia para uma função, inibindo as aspirações de crescimento e mudança. Há um motivo claro para dizer que essa foi a “idade das trevas”. E não é a falta de produção científico-artística, definitivamente. As trevas se estendem sobre a opinião mediana, coletiva, que era acobertada pela ignorância imposta a partir da conjuntura sócio-política.
Só que hoje, não há mais filosofia engrandecedora de líderes, mas sim de poder. Hoje, o poder não é mais hereditário (pelo menos em tese). A doutrina do consumo, do liberalismo e da competição capitalista abre um precedente de possibilidade da ascensão social a partir do esforço, do trabalho. Filosofia surgida a partir dos dizeres de Calvin e Luther, que com sua contestação frente ao “inquestionável” poder real criaram novas religiões como forma de protesto. A máxima de Calvin é “O trabalho dignifica o homem”. Para uma burguesia sedenta, foi a desculpa perfeita para se apossar o quanto antes dos meios de produção e dar à administração status de trabalho. Assim a administração do patrimônio, mesmo que exploratória, é encarada como seriedade, esforço e trabalho, e assim dignificante. A idéia de Calvin misturada com a idéia de Maquiavel criou o que encaramos hoje:
O rei absolutista do mundo de hoje é o capital, é o dinheiro. Só que ao contrário do rei humano, que detinha propriedade dos seus súditos, os súditos do capital podem tê-lo, deter uma parte do seu “poder divino”, uma parcela dessa realeza, e exercer poder sobre aqueles que têm menos. Assim, no mundo contemporâneo, os fins justificam os meios de uma forma mais arraigada. O fim “ganhar dinheiro e ter poder” justifica qualquer tentativa de chegar a esse patamar. Por isso hoje temos médicos que atendem pacientes em série, bancos que identificam pessoas como números, a impessoalidade das relações, a leviandade da importância do próximo. Os interesses dentro de amizades, de namoros, de relações pai-filho.
Não é culpa nossa viver assim. A única culpa é aceitar tudo sem tentar mudar. Maquiavel estava errado, Calvin, equivocado. Os meios sempre tem que justificar os fins, isso sim. Porque o fim é a morte. E a morte não justifica nada. Ter uma vida válida, feliz, realizada e principalmente sem omissões justifica a vida, compreende a morte. E não é o trabalho que dignifica o homem, mas sim a conduta. Se sua conduta for a correta, se seu esforço for bem empregado, não só no trabalho, mas no descanso, no dia-a-dia, no viver bem e intensamente, isso te dignificará.
Finalmente é chegada a hora de nos desapegarmos de filosofias seculares pra começar a aprender com os erros e não deixar que eles continuem sendo nossa doutrina. A história não se repete. Nossos erros é que insistem em serem cometidos sempre.
A frase mais famosa atribuída a Nicolau Maquiavel é a máxima ”os fins justificam os meios”. Óbvio que reis sedentos de poder acharam a desculpa perfeita para justificarem suas sandices reais. Tudo pode ser feito com um objetivo. Isso, aliado com a Igreja e sua doutrina agostiniana de pregar aos quatro ventos que Deus já nos escolhia para uma função, inibindo as aspirações de crescimento e mudança. Há um motivo claro para dizer que essa foi a “idade das trevas”. E não é a falta de produção científico-artística, definitivamente. As trevas se estendem sobre a opinião mediana, coletiva, que era acobertada pela ignorância imposta a partir da conjuntura sócio-política.
Só que hoje, não há mais filosofia engrandecedora de líderes, mas sim de poder. Hoje, o poder não é mais hereditário (pelo menos em tese). A doutrina do consumo, do liberalismo e da competição capitalista abre um precedente de possibilidade da ascensão social a partir do esforço, do trabalho. Filosofia surgida a partir dos dizeres de Calvin e Luther, que com sua contestação frente ao “inquestionável” poder real criaram novas religiões como forma de protesto. A máxima de Calvin é “O trabalho dignifica o homem”. Para uma burguesia sedenta, foi a desculpa perfeita para se apossar o quanto antes dos meios de produção e dar à administração status de trabalho. Assim a administração do patrimônio, mesmo que exploratória, é encarada como seriedade, esforço e trabalho, e assim dignificante. A idéia de Calvin misturada com a idéia de Maquiavel criou o que encaramos hoje:
O rei absolutista do mundo de hoje é o capital, é o dinheiro. Só que ao contrário do rei humano, que detinha propriedade dos seus súditos, os súditos do capital podem tê-lo, deter uma parte do seu “poder divino”, uma parcela dessa realeza, e exercer poder sobre aqueles que têm menos. Assim, no mundo contemporâneo, os fins justificam os meios de uma forma mais arraigada. O fim “ganhar dinheiro e ter poder” justifica qualquer tentativa de chegar a esse patamar. Por isso hoje temos médicos que atendem pacientes em série, bancos que identificam pessoas como números, a impessoalidade das relações, a leviandade da importância do próximo. Os interesses dentro de amizades, de namoros, de relações pai-filho.
Não é culpa nossa viver assim. A única culpa é aceitar tudo sem tentar mudar. Maquiavel estava errado, Calvin, equivocado. Os meios sempre tem que justificar os fins, isso sim. Porque o fim é a morte. E a morte não justifica nada. Ter uma vida válida, feliz, realizada e principalmente sem omissões justifica a vida, compreende a morte. E não é o trabalho que dignifica o homem, mas sim a conduta. Se sua conduta for a correta, se seu esforço for bem empregado, não só no trabalho, mas no descanso, no dia-a-dia, no viver bem e intensamente, isso te dignificará.
Finalmente é chegada a hora de nos desapegarmos de filosofias seculares pra começar a aprender com os erros e não deixar que eles continuem sendo nossa doutrina. A história não se repete. Nossos erros é que insistem em serem cometidos sempre.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Em roma, como os romanos.. ou plebeus
Não sei ao certo se nasci na época certa. Mas certamente que os conflitos internos que os “valores” externos me causam não são uma coisa dependente do meio. Até porque hoje a gente tem uma massificação do que se pensa e faz, massificação essa que não permite a formação de meios totalmente independentes. A gente sempre vai encontrar “tipinhos” em qualquer meio, estereótipos desgastados na cabeça de quem os vê, seguros na cabeça de quem os contém (ou neles está contido).
Afinal, os padrões comportamentais, padrões ideológicos. O derrotismo passivo, aquela coisa de predestinação divina que Santo Agostinho insistia em defender como lei de Deus. Coisa de fracos! Fracos que somos. Como ninguém tem personalidade suficiente pra ir contra a maré, é mais fácil aceitar que a vida é assim do que tentar nadar contra a correnteza. Claro também que quem está nas bordas tem onde segurar, e não quer sair dali. Portanto, o mais interessante pra quem é favorecido por essa situação sócio-cultural e manter os outros subjugados, mantê-los se debatendo contra as pedras da “correnteza moral”.
O mais curioso é que virou bonito ir “contra em termos”. Gente pseudo-bem-intencionada que tem como função e promoção criticar o meio vigente. Ir contra tudo com palavras ditas com uma única intenção: DESTACAR-SE no meio vigente, e não tentar mudá-lo. As pessoas fazem suas críticas em direção à algo que elas gostariam de ter como um suporte para a sua ascendência em detrimento do resto, que já está preso nos trâmites da sociedade-correnteza.
Claro que, pelo menos para mim, é irritante ver a pessoa que se entrega a todas as modinhas, a tudo aquilo que já foi dado “mastigado e digerido” para lhe dar uma bela congestão! Afinal, acho que a capacidade crítica de julgamento gera uma “alergia” à maioria das modinhas superficiais.
Seria cínico da minha parte dizer que eu não faço parte de nenhuma modinha, já que inserido no contexto social em que estou, fica impossível não ter contato com nenhuma expressão mais clichê. Como diria um poema que há muito eu li (e que de cujo autor não me recordo), um homem não é uma ilha. Ninguém vai conseguir ser imune à todas as defecações (expressões) que são espalhadas no ventilador (mídia), causando uma grande sujeira (repercussão).
Mas ainda assim, chega a ser ridículo ver pessoas (a grande maioria) se deixando levar por tudo que é correnteza. E criticando com força tudo o que não vai a favor da corrente, a favor da facilitação de compreensão, a favor do não-pensar. Sim, eu sei que no mundo de hoje, somos julgados por etiquetas, por dinheiro, pela produtividade. E que não da tanto tempo pra parar e pensar no que se está ouvindo, lendo, conversando com a devida atenção. Aí, indubitavelmente, o que for mais digerível fica mais pertinente.
O maior problema é que a magnitude que essa expressão pobre de valores e idéias toma é tamanho, que até as pessoas que podem procurar algo mais estacionam no conforto da pobreza semântica. É muito mais fácil se conformar com tudo que lhe dão quando isso só fala de coisas básicas, com melodias parecidas e sem variações, com palavras batidas e sem significações maiores do que está lá, no papel.
Além é claro do vouyerismo cultuado, cultivado e muito bem crescido na mídia e na mente das pessoas. Dentro de um contexto onde todos trabalham muito, batalham muito, se esforçam demais pra conseguir pouca coisa, ter um sonho, uma ilusão de que sua vida pode mudar a qualquer momento e que você pode ter uma vida de livro, ou de estrela de cinema é um combustível perfeito pra imaginação. Aí a praia do Leblon freqüentada só por gente bonita que se come, e ficar trancado em uma casa com um bando de gente bonita e que vai ter status de estrela assim que sair dali sem um motivo real e válido, isso é tentador. Isso é invejável. E ninguém pensa duas vezes em valores, em ser íntegro e honesto quando você sabe que tem muito dinheiro envolvido na jogada. E é legal ver até onde as pessoas vão por isso. Só que também é frustrante pra quem reflete, porque a pessoa pensa em tudo o que ela faz na esperança de que seja algo bom, engrandecedor. E aquelas pessoas que contradisseram tudo o que no que ele acredita são muito, muito mais valorizadas que ele.
Enfim, num mundo onde o pensamento é medíocre, a reflexão generalizada é só um inalcançável, uma uva verde pra raposa que não a alcança. E não adianta, até quem não gosta prefere se dobrar às “facilidades” de ser vazio, por não ter força pra lutar contra o que acredita ser errado. Parabéns pela extraordinária mediocridade, ser humano!
Afinal, os padrões comportamentais, padrões ideológicos. O derrotismo passivo, aquela coisa de predestinação divina que Santo Agostinho insistia em defender como lei de Deus. Coisa de fracos! Fracos que somos. Como ninguém tem personalidade suficiente pra ir contra a maré, é mais fácil aceitar que a vida é assim do que tentar nadar contra a correnteza. Claro também que quem está nas bordas tem onde segurar, e não quer sair dali. Portanto, o mais interessante pra quem é favorecido por essa situação sócio-cultural e manter os outros subjugados, mantê-los se debatendo contra as pedras da “correnteza moral”.
O mais curioso é que virou bonito ir “contra em termos”. Gente pseudo-bem-intencionada que tem como função e promoção criticar o meio vigente. Ir contra tudo com palavras ditas com uma única intenção: DESTACAR-SE no meio vigente, e não tentar mudá-lo. As pessoas fazem suas críticas em direção à algo que elas gostariam de ter como um suporte para a sua ascendência em detrimento do resto, que já está preso nos trâmites da sociedade-correnteza.
Claro que, pelo menos para mim, é irritante ver a pessoa que se entrega a todas as modinhas, a tudo aquilo que já foi dado “mastigado e digerido” para lhe dar uma bela congestão! Afinal, acho que a capacidade crítica de julgamento gera uma “alergia” à maioria das modinhas superficiais.
Seria cínico da minha parte dizer que eu não faço parte de nenhuma modinha, já que inserido no contexto social em que estou, fica impossível não ter contato com nenhuma expressão mais clichê. Como diria um poema que há muito eu li (e que de cujo autor não me recordo), um homem não é uma ilha. Ninguém vai conseguir ser imune à todas as defecações (expressões) que são espalhadas no ventilador (mídia), causando uma grande sujeira (repercussão).
Mas ainda assim, chega a ser ridículo ver pessoas (a grande maioria) se deixando levar por tudo que é correnteza. E criticando com força tudo o que não vai a favor da corrente, a favor da facilitação de compreensão, a favor do não-pensar. Sim, eu sei que no mundo de hoje, somos julgados por etiquetas, por dinheiro, pela produtividade. E que não da tanto tempo pra parar e pensar no que se está ouvindo, lendo, conversando com a devida atenção. Aí, indubitavelmente, o que for mais digerível fica mais pertinente.
O maior problema é que a magnitude que essa expressão pobre de valores e idéias toma é tamanho, que até as pessoas que podem procurar algo mais estacionam no conforto da pobreza semântica. É muito mais fácil se conformar com tudo que lhe dão quando isso só fala de coisas básicas, com melodias parecidas e sem variações, com palavras batidas e sem significações maiores do que está lá, no papel.
Além é claro do vouyerismo cultuado, cultivado e muito bem crescido na mídia e na mente das pessoas. Dentro de um contexto onde todos trabalham muito, batalham muito, se esforçam demais pra conseguir pouca coisa, ter um sonho, uma ilusão de que sua vida pode mudar a qualquer momento e que você pode ter uma vida de livro, ou de estrela de cinema é um combustível perfeito pra imaginação. Aí a praia do Leblon freqüentada só por gente bonita que se come, e ficar trancado em uma casa com um bando de gente bonita e que vai ter status de estrela assim que sair dali sem um motivo real e válido, isso é tentador. Isso é invejável. E ninguém pensa duas vezes em valores, em ser íntegro e honesto quando você sabe que tem muito dinheiro envolvido na jogada. E é legal ver até onde as pessoas vão por isso. Só que também é frustrante pra quem reflete, porque a pessoa pensa em tudo o que ela faz na esperança de que seja algo bom, engrandecedor. E aquelas pessoas que contradisseram tudo o que no que ele acredita são muito, muito mais valorizadas que ele.
Enfim, num mundo onde o pensamento é medíocre, a reflexão generalizada é só um inalcançável, uma uva verde pra raposa que não a alcança. E não adianta, até quem não gosta prefere se dobrar às “facilidades” de ser vazio, por não ter força pra lutar contra o que acredita ser errado. Parabéns pela extraordinária mediocridade, ser humano!
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Sobre a intensidade da vibração de cordas...
Como um violão tem a nos ensinar.. Como tem lição disfarçada de trivialidade num simples fazer-vibrar de cordas.
Porque o que parece a convivência, senão colocar pessoas lado a lado? Saber que as vezes, quem está ao seu lado vai vibrar enquanto você vai estar parado... Saber que uma boa parceria só é efetivamente boa quando as cordas tocam juntas, na escala certa..
Mas principalmente, saber que pra melodia rolar, todas as cordas tocam juntas, uma complementando a outra, construindo inúmeras harmonias pra constituir essa melodia..
Porque no fim, meu solo perfeito seria mesmo um dueto em oitavas, tocando no mesmo tom, vibrando em freqüências múltiplas, mas um som só.. Duas cordas, apenas um som.
Não importa onde estão essas cordas, só importa mesmo, que toquem ao mesmo tempo.. Que a batida esteja em sincronia..
E que quando ouvir uma delas tocar, a outra vai estar tocando junto.. Nem que fosse no pensamento de quem toca. Toca o pensamento.
Porque o que parece a convivência, senão colocar pessoas lado a lado? Saber que as vezes, quem está ao seu lado vai vibrar enquanto você vai estar parado... Saber que uma boa parceria só é efetivamente boa quando as cordas tocam juntas, na escala certa..
Mas principalmente, saber que pra melodia rolar, todas as cordas tocam juntas, uma complementando a outra, construindo inúmeras harmonias pra constituir essa melodia..
Porque no fim, meu solo perfeito seria mesmo um dueto em oitavas, tocando no mesmo tom, vibrando em freqüências múltiplas, mas um som só.. Duas cordas, apenas um som.
Não importa onde estão essas cordas, só importa mesmo, que toquem ao mesmo tempo.. Que a batida esteja em sincronia..
E que quando ouvir uma delas tocar, a outra vai estar tocando junto.. Nem que fosse no pensamento de quem toca. Toca o pensamento.
Marcadores:
Ma belle.
domingo, 22 de agosto de 2010
Desabafo
Gostaria de me perder a ponto de me encontrar, de me descobrir. Mas para isso, seria necessário muito mais do que apenas me perder, seria preciso estar apta à compreensão de mim mesma, o que não seria fácil. Quero poder me perder, sem me encontrar assim tão cedo, sem me preocupar, sem me culpar.
Quero poder parar no tempo, sentar olhando o horizonte, sem maiores intervenções: e apenas olhar. Mas não apenas olhar, olhar e pensar no quanto sou abençoada de poder estar ali, e o estar não só do corpo, o estar da mente também. Indo além do automático, dos gestos sem pensar. Quero poder refletir, quero pensar sobre o que me assusta – e entender o que me assusta! -, quero acima de tudo ter tempo para poder pensar -o que nos dias de hoje vai se tornando cada vez mais impossível-, para poder resolver os problemas com calma, meu Deus, quero apenas poder pensar com calma! Quero fugir da correria caótica do dia-a-dia, quero fugir desse mundo de pessoas fúteis, quero fugir para o meu mundo- primeiramente, descobrir qual é o meu mundo-, quero poder fugir de pessoas ignorantes, pessoas que se preocupam mais com o exterior do que com o interior. Quero me preocupar menos, viver mais. Quero me empenhar mais, ou menos até.
Estou cansada. Cansada desses dias intermináveis, dessas pessoas incansáveis, desse eterno tédio de tarefas que não gostaria de executar; cansada de nunca conseguir me entender, de nunca conseguir entender as pessoas, de nunca conseguir entender nada! Não quero mais essa falta de respostas, esse excesso de perguntas, esse indomável excesso de informação. Abomino esse comodismo, essa relutância em aceitar opiniões diferentes das suas, essa intolerância e ignorância de não saber ouvir. Não quero escolher as palavras certas, não quero mostrar o que escrevo, não quero me preocupar com o que pensam de mim ou o que eu faço. Quero respostas, mas para isso é preciso que se formulem as perguntas.
Quero poder parar no tempo, sentar olhando o horizonte, sem maiores intervenções: e apenas olhar. Mas não apenas olhar, olhar e pensar no quanto sou abençoada de poder estar ali, e o estar não só do corpo, o estar da mente também. Indo além do automático, dos gestos sem pensar. Quero poder refletir, quero pensar sobre o que me assusta – e entender o que me assusta! -, quero acima de tudo ter tempo para poder pensar -o que nos dias de hoje vai se tornando cada vez mais impossível-, para poder resolver os problemas com calma, meu Deus, quero apenas poder pensar com calma! Quero fugir da correria caótica do dia-a-dia, quero fugir desse mundo de pessoas fúteis, quero fugir para o meu mundo- primeiramente, descobrir qual é o meu mundo-, quero poder fugir de pessoas ignorantes, pessoas que se preocupam mais com o exterior do que com o interior. Quero me preocupar menos, viver mais. Quero me empenhar mais, ou menos até.
Estou cansada. Cansada desses dias intermináveis, dessas pessoas incansáveis, desse eterno tédio de tarefas que não gostaria de executar; cansada de nunca conseguir me entender, de nunca conseguir entender as pessoas, de nunca conseguir entender nada! Não quero mais essa falta de respostas, esse excesso de perguntas, esse indomável excesso de informação. Abomino esse comodismo, essa relutância em aceitar opiniões diferentes das suas, essa intolerância e ignorância de não saber ouvir. Não quero escolher as palavras certas, não quero mostrar o que escrevo, não quero me preocupar com o que pensam de mim ou o que eu faço. Quero respostas, mas para isso é preciso que se formulem as perguntas.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Descomplicar
Esforço, amor, obstáculos; é isso o que me move, me motiva. Em cada degrau da subida se vê suor, força e paixão, afinal, sem isso talvez não fosse capaz de subir. Por mais difícil que seja, essa dificuldade me levanta, estende sua mão e de certa forma me auxilia a cada passo, a cada movimento.
Obstáculos não foram feitos para derrubar-nos e deixar-nos no chão, mas sim para empurrar-nos com uma mão, e levantar-nos com a outra, daí a dificuldade de se levantar, de apalpá-la e finalmente achar essa mão no escuro, no obscuro. Certa vez ouvi minha avó dizer que “depois que nossos olhos se acostumam com o escuro, somos capazes de enxergar através dele”, o que me fez refletir e chegar à conclusão de que é isso, nada mais do que isso. É no meio da confusão que descobrimos a solução, no meio do escuro que somos capazes de enxergar uma luz, em meio ao desespero somos capazes de tomar atitudes fundamentais; que talvez não fossemos em meio à calma e consciência.
Na maioria das vezes, as soluções se encontram mais fáceis do que percebemos, e temos sempre o hábito de complicá-las, de torná-las problemáticas e impassíveis.
Obstáculos não foram feitos para derrubar-nos e deixar-nos no chão, mas sim para empurrar-nos com uma mão, e levantar-nos com a outra, daí a dificuldade de se levantar, de apalpá-la e finalmente achar essa mão no escuro, no obscuro. Certa vez ouvi minha avó dizer que “depois que nossos olhos se acostumam com o escuro, somos capazes de enxergar através dele”, o que me fez refletir e chegar à conclusão de que é isso, nada mais do que isso. É no meio da confusão que descobrimos a solução, no meio do escuro que somos capazes de enxergar uma luz, em meio ao desespero somos capazes de tomar atitudes fundamentais; que talvez não fossemos em meio à calma e consciência.
Na maioria das vezes, as soluções se encontram mais fáceis do que percebemos, e temos sempre o hábito de complicá-las, de torná-las problemáticas e impassíveis.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Ascenção, fuga e covardia.
Venho há muito tempo tentando fugir dessa vontade de simplesmente colocar tudo para fora. A fuga das palavras vem me atormentando, mas o prazer de usá-las fala mais alto, pedindo pela ascensão da alma, quase uma apoteose. Essa ascensão é o maior prazer que já poderia ter sentido, uma sensação de liberdade, como se seu espírito ansiasse por essas palavras, por essa confusão contínua de verbos, pontos, vírgulas e sentimento.
Não sou capaz de distinguir o porquê, mas palavras me acalmam,extinguem o fogo que incendeia tudo aqui dentro; esse fogo incandescente, incontrolável, que cada vez me consome mais. É nesse ponto que percebo minha falta de coragem para usar palavras no dia-a-dia, é ai que se encaixa minha necessidade do lápis e papel; sim, pura covardia, mas o que me faz bem. Não desperdiçarei, portanto, esse “dom”, tal e qual uma qualidade ruim o bastante para poder ser comparada a um ridículo defeito, capaz de arruinar uma vida.
Cá estou. Lápis, papel, e essa dificuldade para montar orações, frases ou mesmo colocar em ordem palavras que possam exprimir um pouco do que sinto, ou nem sinto; só quero continuar escrevendo, continuar tentando enquadrar sentimentos em poesia, ansiedades em verbos e angústias em prosa, o que poderia ser extremamente difícil, mas não passa de uma avalanche de palavras confusas.
Tudo o que sei é que a cada sílaba aqui colocada, a paz dentro de mim aumenta, esse prazer de estar sempre em busca de novas formas para se expressar também aumenta, e é quando acontece sua ascensão. Ascensão da alma, do espírito e das palavras, pois, mesmo que estas não toquem mais coração algum, saíram de um coração despedaçado que ansiava por esse encontro de sentimentos e verbo.
Não sou capaz de distinguir o porquê, mas palavras me acalmam,extinguem o fogo que incendeia tudo aqui dentro; esse fogo incandescente, incontrolável, que cada vez me consome mais. É nesse ponto que percebo minha falta de coragem para usar palavras no dia-a-dia, é ai que se encaixa minha necessidade do lápis e papel; sim, pura covardia, mas o que me faz bem. Não desperdiçarei, portanto, esse “dom”, tal e qual uma qualidade ruim o bastante para poder ser comparada a um ridículo defeito, capaz de arruinar uma vida.
Cá estou. Lápis, papel, e essa dificuldade para montar orações, frases ou mesmo colocar em ordem palavras que possam exprimir um pouco do que sinto, ou nem sinto; só quero continuar escrevendo, continuar tentando enquadrar sentimentos em poesia, ansiedades em verbos e angústias em prosa, o que poderia ser extremamente difícil, mas não passa de uma avalanche de palavras confusas.
Tudo o que sei é que a cada sílaba aqui colocada, a paz dentro de mim aumenta, esse prazer de estar sempre em busca de novas formas para se expressar também aumenta, e é quando acontece sua ascensão. Ascensão da alma, do espírito e das palavras, pois, mesmo que estas não toquem mais coração algum, saíram de um coração despedaçado que ansiava por esse encontro de sentimentos e verbo.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Pra Minha Monalisa
Seu sorriso em meio arco
Como em tintas de Leonardo
Vindo de outro Plano alto
É todo o meu mistério
Esses olhos zombateiros
Sabem mais sobre o que eu vejo
Do que eu mesmo sei
E já me acostumei
Vejo que foi planejada
Como uma pintura de Deus
Mas não é inerte como
As tintas presas nas telas dos museus.
Como em tintas de Leonardo
Vindo de outro Plano alto
É todo o meu mistério
Esses olhos zombateiros
Sabem mais sobre o que eu vejo
Do que eu mesmo sei
E já me acostumei
Vejo que foi planejada
Como uma pintura de Deus
Mas não é inerte como
As tintas presas nas telas dos museus.
Marcadores:
Melzinhaa
Assinar:
Postagens (Atom)
