Abordar um problema. Isso em si já é um grande problema. Não por si só, mas pelo modo como nós, seres humanos, fazemos isso.
Em primeiro lugar, ao invés de procurarmos soluções, nós procuramos algo para culpar, alguém, alguma coisa. É uma busca incessante por livrar-se de uma responsabilidade, quando na verdade ela só diz respeito a você.
Em segundo lugar, é se deixar abater por tudo, Quando o problema vem, nossa reação é praguejar, ficar triste, nos entregarmos ao desânimo da perda e nos protegermos sob essa fragilidade e sob essa procrastinação eterna, de modo a justificar erros futuros.
Em terceiro lugar, atribuir à Deus, ou qualquer que seja (ou não) sua entidade divina, o seu insucesso. A questão maior é que a Divindade não fará sua vida pra você viver. Se você quer passar em uma prova, Ela não colocará o conhecimento em sua mente sem qualquer justificativa. E o pior, ninguém se lembra de Quem nos deu olhos e ouvidos pra perceber, ou braços e pernas pra correr atrás e agarrar os objetivos! Não haverá produto, mas peças e ferramentas necessárias à montagem. Cabe agora a você e ao seu livre-arbítrio decidir usar a sua capacidade.
No possível caso de você não ter uma Divindade, tente pelo menos acreditar em si mesmo, e não protelar os próprios problemas, empurrando a responsabilidade para o acaso.
Todos temos o necessário para correr, só falta a gana, a vontade de vencer. A oportunidade só tem um nome: esforço. A tradução disso reside em não rezar por milagres, mas agradecer por ser um.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
As paixões e os amores.
As paixões. Quem vive delas há de ser muito, muito feliz, por um tempo bem curto. A questão do hormônio, da "química", do domínio sexual, da posse, da estética, da beleza só por si mesma e desse "fogo" que consome toda a energia que se tem.
Os amores. Quem aprende a realmente amar, há de estar constantemente feliz. É o aprendizado cotidiano, da não-posse, mas do compartilhamento, o respeito intelectual, conjugal e sexual. É um calor brando, mas duradouro, que não queima, não desgasta.
Analogia cabível, é a do esfomeado que se enche de um comida, e depois nem quer saber mais, daquilo, que deu indigestão.Já o degustador, aquele que consegue perceber um novo aroma a cada palatada, experiência essa que só vem com o tempo.
Ao longo da vida, nascemos mais animalescos, instintivos e passionais. Com a idade, vêm duas coisas paralelas e distintas. Ou a não consciência de um verdadeiro sentido a vida, acompanhada da incessável busca por eternas paixões baseada em preceitos adolescentes, fúteis. Nunca há de se contentar. Ou a consciência da transitoriedade do físico, do estético e do material, que levará à maturidade, à construção de novos valores e à valorização de coisas cada vez mais válidas: uma amor verdadeiro, um amor-próprio.
No dia em que deixarmos de procurar a paixão própria e passarmos a buscar o amor-próprio, nesse dia, poderemos ser adultos, ou morrermos tentando.
Os amores. Quem aprende a realmente amar, há de estar constantemente feliz. É o aprendizado cotidiano, da não-posse, mas do compartilhamento, o respeito intelectual, conjugal e sexual. É um calor brando, mas duradouro, que não queima, não desgasta.
Analogia cabível, é a do esfomeado que se enche de um comida, e depois nem quer saber mais, daquilo, que deu indigestão.Já o degustador, aquele que consegue perceber um novo aroma a cada palatada, experiência essa que só vem com o tempo.
Ao longo da vida, nascemos mais animalescos, instintivos e passionais. Com a idade, vêm duas coisas paralelas e distintas. Ou a não consciência de um verdadeiro sentido a vida, acompanhada da incessável busca por eternas paixões baseada em preceitos adolescentes, fúteis. Nunca há de se contentar. Ou a consciência da transitoriedade do físico, do estético e do material, que levará à maturidade, à construção de novos valores e à valorização de coisas cada vez mais válidas: uma amor verdadeiro, um amor-próprio.
No dia em que deixarmos de procurar a paixão própria e passarmos a buscar o amor-próprio, nesse dia, poderemos ser adultos, ou morrermos tentando.
A Velha estirpe do Ano-Novo
E novamente, estamos aqui. Falando o mesmo, prometendo de novo, sem realmente saber um porque das coisas terem que recomeçar só porque é 31 de Dezembro. As promessas, os desejos: hipocrisia ou esperança?
Alguns encaram com ceticismo, falando que é só mais um dia, o tal 31 de Dezembro. Outros encaram como momento pra se esquecer do ano anterior, torcendo para que uma reviravolta cármica motivada por sei-lá-o-quê a qual altera a maneira como agimos e pensamos, aconteça em nosso desmerecido favor.
A questão reside exatamente aí. Como diria Drummond, não é por "decreto" que as coisas encontrarão um rumo de mudança. O mundo, tampouco os outros prestam atenção no que te diz respeito.
O ano-novo se faz quando nós nos renovamos espiritualmente, propondo mudanças e encontrando inspirações para promovê-las. Quer isso aconteça em Dezembro ou Julho, o novo nisso tudo não estará no ano, mas em você. É só porque a vida anda corrida, que temos um pequeno lembrete de que necessitamos mudar um pouco para não cair na repetição. É uma pequena parada para refletirmos sobre o que valeu a pena, e sobre o que precisamos mudar e melhorar em nossas vidas.
Alguns encaram com ceticismo, falando que é só mais um dia, o tal 31 de Dezembro. Outros encaram como momento pra se esquecer do ano anterior, torcendo para que uma reviravolta cármica motivada por sei-lá-o-quê a qual altera a maneira como agimos e pensamos, aconteça em nosso desmerecido favor.
A questão reside exatamente aí. Como diria Drummond, não é por "decreto" que as coisas encontrarão um rumo de mudança. O mundo, tampouco os outros prestam atenção no que te diz respeito.
O ano-novo se faz quando nós nos renovamos espiritualmente, propondo mudanças e encontrando inspirações para promovê-las. Quer isso aconteça em Dezembro ou Julho, o novo nisso tudo não estará no ano, mas em você. É só porque a vida anda corrida, que temos um pequeno lembrete de que necessitamos mudar um pouco para não cair na repetição. É uma pequena parada para refletirmos sobre o que valeu a pena, e sobre o que precisamos mudar e melhorar em nossas vidas.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Dissolução
Se eu tivesse nascido mulher
Seria a sombra de minha existência concreta
Seria sim, outra pessoa
Com mesmo sobrenome e expressão, pais e casa
Outros genes, outra visão, outras dúvidas.
Teria liberdades mais úteis
E necessidades mais fúteis
Dores mais intensas
Noites mais extensas.
Eu é que não correria atrás de uma amor
Ele é que corresse atrás de mim.
Embora talvez fosse a espera a minha dor
Talvez fosse melhor assim.
Mas certamente me perguntaria,
Como acaso seria,
Quantas diferenças estariam vindo,
Se acaso eu tivesse nascido homem?
Seria a sombra de minha existência concreta
Seria sim, outra pessoa
Com mesmo sobrenome e expressão, pais e casa
Outros genes, outra visão, outras dúvidas.
Teria liberdades mais úteis
E necessidades mais fúteis
Dores mais intensas
Noites mais extensas.
Eu é que não correria atrás de uma amor
Ele é que corresse atrás de mim.
Embora talvez fosse a espera a minha dor
Talvez fosse melhor assim.
Mas certamente me perguntaria,
Como acaso seria,
Quantas diferenças estariam vindo,
Se acaso eu tivesse nascido homem?
Quando eu visse esse olhar
Quando eu visse esse olhar
Não saberia.
De novo eu tentaria parecer melhor
Sem conseguir.
Às vezes me pego te vendo
Nas coisas que não têm você
Me pego refletindo em memórias
Que eu sempre quis ter
Só pude perceber que muito me fez ver
Que não importa os olhos com que se vê
Mas realmente a gente sente
Quando deveria ser
Por além desses olhos que eu desejo
O meu desejo maior era poder ver por eles
E poder vislumbrar com esse pensamento
Alguém melhor do que eu vejo
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
As lágrimas alheias à tristeza intrínseca.
Chora o céu,
Choram os homens,
O céu derrama lágrimas de alegria
Que escorrem nos rostos
E entristecem.
Sabor amargo,
Na verdade insípido,
Mas insolúvel.
Não é por que são melancólicas,
É porque somos melancólicos
E tornamos em dor próxima
O simples passar distante.
Dor sentida,
Sensibilidade sem sentido.
Assim como os problemas
Eles não são.
Tornam-se em verdade pela
Corriqueira menção e idealização.
Eles não existem por si só.
Nós os criamos e eles nos dominam.
Criamos para justificar nossas incapacidades
E acabam eles por nos tornar mais incapazes,
A Criatura domestica o criador.
Não seria mais fácil, matar a larva
Para não enfrentar a fera?
Não pensemos em soluções,
Mas em continuidade do equilíbrio.
Não façamos um remendo
Somente não criemos o buraco a se remendar.
É a hora em que deveríamos parar de pensar,
E passar a viver.
Viver sem o medo
Do que vem de nós,
Viver sem medo do que nos assombraria
A nossa consciência.
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