quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Neg(ação)

As vezes, a omissão é a melhor forma de informar
Assim como na ironia, a negação de o conceito é a sua afirmação
Situações em que se deixa de dizer coisas

Acabam por escancarar segredos,
Abrir janelas,
Cantar amores.

A insegurança é a força do omisso:
E se aquilo que eu quero for condenável?
E se aquilo em que acredito for uma ofensa?

A coragem é a força do impulso:
E se as palavras que eu não disse eram as que ela queria ouvir?
E se tudo o que ela sempre quis era que eu fosse surpreendente?

Surpreendentemente adequado, previsivelmente encantado.
Ainda não sei como te dizer as obviedades
Ao não falar o que sinto, apenas deixo evidente aquilo que quero,

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Criatividade produtiva.

Entro.
Enlaçado mentalmente em possibilidades...
Algumas nobres, outras mais sacanas.
Cada detalhe:
A boca desenhada pelo vermelho do batom
Pode falar coisas lindas, ou ser calada com um beijo bom.
Tanto faz?
Interrompo um discurso inflamado com um beijo símile
Apertado num sofá, as mãos dando firmeza na atitude e na cintura.
Corre uma sensação estranha pela coluna
Estranhamente boa.
Um milhão de pensamentos
Tudo isso? Um arrepio.
Se tudo isso vem só de um beijo roubado
Quem dirá o que eu sinto quando, meio que fatalmente esse enlace continuar?
Deixo meus pensamentos serem moldados pelas suas intenções.
Exatamente como eu queria, desde o princípio.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Não-amor

Canta-se tanto sobre o platonismo ou mesmo o quê concreto que pode ter um amor. Todos constroem suas inspirações dentro desse castelo de cartas que é o sentimento. Ninguém quer se ancorar no marasmo tranquilo da rotina, a base sustentadora e propulsora dos momentos especiais.

Um momento será mais especial, quanto menos eufórica for a rotina. A quebra da rotina é parte importante do realce na aura do momento especial, do amor, da novidade e do brilho que há nas coisas que nos surpreendem .

Conquistar decência na toada basal de nossos dias é fazer uma boa cama pra sonhos espetaculares. Um bom roteiro de fundo e núcleos de suporte para seu teatro pessoal, preparativos das melhores cenas com um que de prólogo, continuidade coerente com o que há de especial nas pequenas e grandes coisas.

Uma boa tela para boas tintas.

Algumas pinceladas sobre desesperos inevitáveis.

Consumirá algumas horas do seu dia
Aquela angústia inevitável
A falta de aceitação passiva
Frente ao fatalismo do óbvio

Faremos coisas inúteis
Seremos obrigados a elas.
Atribuições supostamente colocadas
Como um degrau na escalada

Na verdade, apenas um buraco vazio
Que se arrisca na vã esperança
De pará-lo
Desmotivá-lo na fé.

Quem tem fé, tem esperança na fugacidade
Consegue enxergar fim próximo
Dentro de um sofrimento atual
O alento futuro

Não conforta
Não anestesia
Não poupa
Apenas está

Estático, imóvel
Espera por você para mover-se
Chega mais perto passivamente
Espera.

Esperança, espera.
E nós esperamos andando,
Em direção ao alento
Ao alívio do óbvio

O inusitado.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Um decreto.

Hoje me ocorreu que posso decretar coisas na minha vida. Soa meio idiota, excessivamente transitório e meio vago. Mas tem certas coisas na vida, que tal qual a esperança que se transforma em fé; vem a transformar-se em uma experiência de consciência transformada em prática. Porque a gente idealiza muita coisa, molda dentro dos nossos egoísmos, as aspirações mais individualistas que se pode imaginar pra encaixar as peças de um quebra-cabeça chamado expectativa.
E as vezes, bem raramente, dentro de um seleto grupo de gente sortuda, as cordas do acaso vibram em frequências mais intensas do que as mesmas músicas. Que insistimos em escutar. Fatos, tempos e pessoas acontecem maravilhosamente adequadas a tudo aquilo que não planejamos.
Para essas raridades, esses episódios ímpares, é que eu brindo e decreto a minha cumplicidade com cada fatia de tempo e cada fração de perfeição que realce o croqui rabiscado que é o planejamento de vida que temos, um esboço com capricho nas idéias, mas imperfeições no traçado, como que no advento de mãos sem habilidade que prendem uma mente criativa.
Mesmo as frações perfeitas (e inesperadas) terão suas particularidades, ritmos e contratempos que não estão no planejamento (e nem devem estar).
A dedicação de desvios espontâneos na rotina planejada, é o que desejo do fundo do meu coração para todos os olhos verdes que adquirem brilhos diferentes quando no advento de algo que nunca esperaram, mas de certa forma, sempre procuraram enxergar, em meio ao que parece turvo, e pouco provavel.
Um decreto a um par de olhos verdes.

 
Site Meter