Gostaria de me perder a ponto de me encontrar, de me descobrir. Mas para isso, seria necessário muito mais do que apenas me perder, seria preciso estar apta à compreensão de mim mesma, o que não seria fácil. Quero poder me perder, sem me encontrar assim tão cedo, sem me preocupar, sem me culpar.
Quero poder parar no tempo, sentar olhando o horizonte, sem maiores intervenções: e apenas olhar. Mas não apenas olhar, olhar e pensar no quanto sou abençoada de poder estar ali, e o estar não só do corpo, o estar da mente também. Indo além do automático, dos gestos sem pensar. Quero poder refletir, quero pensar sobre o que me assusta – e entender o que me assusta! -, quero acima de tudo ter tempo para poder pensar -o que nos dias de hoje vai se tornando cada vez mais impossível-, para poder resolver os problemas com calma, meu Deus, quero apenas poder pensar com calma! Quero fugir da correria caótica do dia-a-dia, quero fugir desse mundo de pessoas fúteis, quero fugir para o meu mundo- primeiramente, descobrir qual é o meu mundo-, quero poder fugir de pessoas ignorantes, pessoas que se preocupam mais com o exterior do que com o interior. Quero me preocupar menos, viver mais. Quero me empenhar mais, ou menos até.
Estou cansada. Cansada desses dias intermináveis, dessas pessoas incansáveis, desse eterno tédio de tarefas que não gostaria de executar; cansada de nunca conseguir me entender, de nunca conseguir entender as pessoas, de nunca conseguir entender nada! Não quero mais essa falta de respostas, esse excesso de perguntas, esse indomável excesso de informação. Abomino esse comodismo, essa relutância em aceitar opiniões diferentes das suas, essa intolerância e ignorância de não saber ouvir. Não quero escolher as palavras certas, não quero mostrar o que escrevo, não quero me preocupar com o que pensam de mim ou o que eu faço. Quero respostas, mas para isso é preciso que se formulem as perguntas.
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