domingo, 3 de abril de 2011

#11

A quebra da rotina é o entorpecente do ser humano. Tudo quanto for prazeroso é, de certa forma uma quebra da rotina, um ponto singular na linearidade dos fatos da nossa vida. As sensações, as impressões, os momentos e motivações. E tudo quanto for de fora pra dentro e nos fazer únicos em determinado momento.

Talvez eu possa estar sendo só um lugar-comum na descrição das sensações, mas, por Deus, como é extasiante descrever a quebra da rotina! Talvez, depois dessa quebra, eu retorne à passividade do meu dia-a-dia. Mas que fique registrado, fui feliz. Saí sem rumo para um lugar qualquer, com pessoas diferentes, com impressões diferentes e me deixei ser lentamente decifrado (ou não). Estou ouvindo músicas completamente diferentes do que estou acostumado, retornando a falar com pessoas que, há muito não falava; retornando a pensar em certas decisões do passado.

A cabeça vai a mil. Coisas diferentes! Trabalho, raciocínio, “fosfato”! E no entanto, ainda estamos embebidos nela.

Para negar alguma coisa, precisamos primeiro, admitir que ela existe. Para exaltar a quebra da rotina, estaremos contrapondo o que fazemos no momento ao que sempre fazemos. Então, no fundo, estaremos com a rotina em mente, mesmo nessa quebra. É como correr da própria sombra.

Só que ainda assim, é a única forma de prazer que teremos. Seja com drogas, com música, com eventos, esportes, realizações. Tudo o que queremos é fugir de uma rotina que existe em nós e conosco.

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