segunda-feira, 4 de abril de 2011

In The Heat Of The Moment...

Estava cá fuçando em algumas notícias nessa última manhã de folga antes de iniciar um módulo novo na faculdade, quando me deparei com uma notícia assim entitulada:

"Só não estuda quem não quer, diz Dilma sobre financiamentos".
http://www1.folha.uol.com.br/saber/897868-so-nao-estuda-quem-nao-quer-diz-dilma-sobre-financiamentos.shtml

Sério, dá pra levar em consideração algo assim? O brasileiro é, por excelência, um sujeito de momento. As soluções do brasileiro são inegavelmente práticas e costumam serem eficazes para o fim imediato que se estabelece. Não à toa, os brasileiros se orgulham de dizer que tomam emprego dos estrangeiros em suas próprias terras pelo trabalho e pela inteligência prática.

Mas já reparou que esses brasileiros, em grande maioria, ocupam funções de base, como empregados ou mesmo temporários? Em empregos de aplicação prática e objetiva e sem muita perspectiva de crescimento e criação. Obviamente que a remuneração é desproporcional ao que se tem aqui, e o pouco suado que se ganha lá fora é muito aqui, dando uma falsa impressão de sucesso brando.

Enquanto isso, pessoas com visão sistêmica, que vêem além do momento criam uma metodologia de desenvolvimento, um plano de metas, um caminho a se trilhar. É mais longo, verdade. Funciona a longo prazo, exige paciência, e isso é o que o brasileiro não tem. Veja por exemplo, nos esportes: um time vai muito bem, perde uma partida, já se fala em demitir técnico, em demitir jogador. No fundo, foi uma partida só, e essa derrota foi decorrência do esforço de um elenco desgastado. E que no fim das contas, mesmo frente a ela, pode sair vitorioso em um campeonato, que esse sim, é o objetivo final. Mas é claro que só dá pra acontecer isso com o apoio da torcida.

Mas O QUE RAIOS ISSO TUDO TEM A VER COM O QUE A DILMA FALOU?

Pois bem, que nessa onda de praticidade, temos poucos universitários no Brasil. O que o governo faz? Permite a abertura de um monte de faculdades meia-boca, financia os estudos de todo mundo a torto-direito e forma um monte de profissionais despreparados pro mercado, aí pra serem agentes meia-boca de uma indústria meia-boca de um país meia-boca. Com dinheiro? Sim, mas para os outros aproveitarem.

Porque, não seria mais fácil dar uma boa educação na base e permitir que todos, independentemente de classes sociais disputassem em pé de igualdade às vagas em centros de conhecimento renomados, ao invés de se conformarem os menos preparados (por culpa da má-educação do país, que fique claro) com formações deficientes em centros improvisados?

Aí, os mais abastados custeiam uma caríssima (e extremamente lucrativa) "indústria do conhecimento" que são os colégios de ponta, formam seus filhos para as melhores faculdades, permitem a eles serem profissionais mais completos e melhor remunerados, assim mantendo eles como pessoas mais abastadas e as outras como menos, congelando o sistema social.

Ao invés de fazer remendos na educação, podemos criar umabase mais forte e sólida, com esse tão anunciado status de "potência" que temos, graças ao dinheiro de poucos. Criar jovens mais cultos, mais críticos e competitivos, preparados para o futuro e sem o conformismo de remendos para enganar aos entusiastas do momento.

Fica a dica..

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