A vida é um problema sem solução
final. Não progride com a lógica do tempo, nem tampouco com alguma lógica
encadeada. Se houver alguma lógica na vida, essa lógica é fragmentada, é
detalhe e é extremamente flexível. O que a torna, pra efeitos de razão, ilógica.
Dentro dessa proposta, a morte é
o sentido da vida. Por que é que temos vontade de fazer as coisas? Por que é
que tentamos aproveitar ao máximo os momentos? É porque eles acabarão, é por
que nossas chances irão acabar.
É a velha história do “só sentimos
falta do que não temos mais”. E se há algo que, a todo momento temos, mas que
deixamos de ter a cada segundo que passa, uma oportunidade de fazermos algo
deixando de existir.
Já dizia Epicuro, em sua carta à
Meneceu, “A morte não nos pertence, pois, uma vez que elá está presente, nós
deixamos de existir, e já não nos apetece mais”. Então, à vida, o que se
pertence. O tempo que temos é a vida.
Sorte não existe, existe
oportunidade, e modos de aproveitá-las. O tempo que passou, já se foi, e só nos
resta de recordações e lições. De resto, aproveite cada inspiração, seja do
pulmão, ou do cérebro.
A vida é muito curta, e além
disso, não nos pertence nada mais do que um nome em uma lápide.
A lembrança própria é nosso
tesouro, e as lembranças que deixamos, o que nos pertence, após não
pertencermos mais a nós mesmos.

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