quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Questões circunstanciais

Talvez sejamos mesmo vítimas das circunstâncias.

Não, não acredito que seja destino. Você não é aquilo o que você fala. Você não é aquilo o que você pensa. Você é aquilo o que você faz.

E o que te leva a fazer tudo como você faz?

O que te leva a acreditar que esta seja realmente a coisa certa a fazer, quando, na verdade, você está apenas dando mais um passo no escuro?

O que te faz crer nas palavras da humanidade, quando, o que realmente importa, são seus próprios atos?

O que te faz acreditar em outras pessoas? O que te faz acreditar em você mesmo?

Um dia, certamente, você se pergunta por que tudo não foi como planejado, por que tudo não foi como você julgava certo. E então você se dá conta de que sempre esteve errado, de que simplesmente acreditou em mentiras, e que seus objetivos não seriam alcançados por aquele caminho. Então você encontra uma bifurcação, e a segue como se aquela fosse realmente sua última esperança, seu último suspiro.

Mas como esquecer todas suas antigas crenças, as antigas pessoas, aquela realidade que agora parece tão longe? Como não se lembrar de amores que um dia aparentavam ser tão reais e em tão pouco tempo se desfizeram? Nessa hora, desesperadamente, você junta todos os resquícios de qualquer amor que ainda sobra em sua alma e se fortalece. Não porque quis, que fique bem claro. Você se fortalece porque foi vítima de circunstâncias cruéis – ou pessoas cruéis – mas que no final apenas te farão crescer. O fortalecimento real da alma não vem através de palavras de conforto, não vem através de um apego a novas crenças, vem através de um sentimento de libertação, de renovação, que te leva a ter sede de mudanças. É este sentimento que desejo à humanidade, mas é preciso, antes de tudo, reconhecer a invalidez de suas próprias crenças e de seus próprios amores.

Não, não me pergunte se tudo isto é real ou apenas criação de uma mente que não pára. Ainda espero pelo fim desta história.

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