Serei eu, o executor, o ceifador de ilusões?
O coveiro cruel que assombra os sonhos alienados das jovens almas?
Eu sepultei o amor.
Eu sepultei esse sentimento que jaz nos livros, mas não vai mais à biblioteca.
Esse espírito que vaga entre o rodar de um longa-metragem, mas não se senta à cadeira do cinema.
Esse banco da praça que não mais serve de palco para beijos sinceros.
O amor morreu, mataram-no, e à Deus, adeus.
É bem verdade que suas sombras permancem nas gerações passadas
Nos passeios de avós, nos beijos de boa-noite dos pais, mas não nos ardentes impulsos decorados de seus filhos.
O amor e Deus dançam as valsas e os tangos, e passeiam à pé, mas já não tem tempo para os technos e carros de som alto.
O jovem não sabe amar, porque o amor morreu. Como um inseto colocado em mãos de uma criança,
Morre nas idealizações que nunca hão de se concretizar, morrem nos cheques-sem-fundo em um banco chamado felicidade.
O jovem não sabe amar, porquê comprou com o banco felicidade, o entorpecente verdade, o cigarro-trago do desapego, como forma de se prender, e seu cartaz de olhos tão azuis.
O jovem matou o amor, e carrego eu seu filho em meus braços.
Não o sepultarei.
Mas somente o carregarei, levando em minha solidão de espírito, sua inocência, sua felicidade e suas verdades, de tantas faces
Porque por mais que chamem a felicidade de banco, o banco nunca trará felicidade.
Podem vender a verdade, mas nunca será Verdade, tão somente uma nota falsa, uma tradução interpretada.
E podem fazer de Deus o desapego, mas de Seu abraço, nunca escaparão as almas perdidas.
Neste barco à vela na deriva de um mar de jovens que não sabem amar
Sopra o vento do passado, na esperança de um futuro, de jovens sem presente.
Seu amor é por si mesmo
O meu amor é por não ser o seu,
Os amores que são Deus.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
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