quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Esperanças Desesperadas

Às vezes penso de onde vem essa esperança que nasce com um novo ano, com novos dias. O ano começa, os dias começam, mas as promessas são sempre as mesmas, as percepções também. Talvez quando percebemos que mais um ano se vai e nada fizemos para melhorar o mundo (ou nossa própria vida, afinal, ninguém mais quer saber como vai o mundo) ficamos tão eufóricos que fazemos promessas, conversamos com parentes distantes, mas infelizmente esse sentimento não dura mais de dois ou três dias, quando poderia durar todo o ano. Imagine se todos os dias fossem véspera de Natal? Imagine se todos os dias nos sentíssemos como nos sentimos no ultimo dia do ano? Mas não. Essa falsa impressão de esperança fica em nossa lembrança por uma ou no mais tardar duas semanas. Depois disso, ninguém mais sabe quais foram suas promessas, suas metas ou seu principal objetivo. Depois disso, nos afundamos na rotina e não temos mais tempo para ter esperança, para ajudar o outro. Depois disso, a sociedade nos faz esquecer que temos sonhos, e não queremos apenas pagar as contas ao final do mês. Mas talvez um dia de esperança seja o suficiente para pessoas que não têm mais tempo para sonhos. Talvez elas próprias não estejam preocupadas com a duração dessa esperança, talvez o curto espaço de tempo entre o Natal e o Ano Novo seja suficiente para criar e fazer-se esquecer a esperança de dias melhores.

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