Nunca publiquei aqui nada que não fosse meu. Os textos que não são meus, minhas amigas e colaboradoras que publicaram por elas mesmas são responsáveis. Mas eu não poderia deixar de lado, num espaço que é meu cantinho de expressão, mostrar a poesia que me influenciou a escrever. Do mestre Fernando Pessoa, Autopsicografia.
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
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