domingo, 26 de setembro de 2010

#2

Outro da série sem rótulos. Pra começar, que “sem rótulo” é um rótulo. Mas deixemos essa pequena digressão de lado. Estou num carro, indo pra Campinas, voltando de um fim de semana totalmente atípico na medida em que saio dele sem impressões. Tá, isso é irrelevante. Mas é um bom pretexto pra começar a divagar.

Sinceramente, estou sem muitas inspirações pra aumentar o repertório desse espaço. Mas acho que a necessidade de colocar alguma coisa no papel (ou melhor, na tela), pra deixar fluir mais idéias, pra significar mais alguma coisa no dia de hoje. Acho que é esse ímpeto que me impediu de fechar o notebook e tirar um cochilo.

E sei lá, justamente o que se passa nesse fim-de-semana, esse grupamento de nada-em-cadeia, essa sucessão de coisas que não fizeram quase nenhuma diferença na vida. Me leva a pensar que busca idiota é essa de fazer cada minuto valer a pena. Claro, o valer a pena é relativo pra cada um. Se o referencial “zero” é o cotidiano, a vida vai tardar a valer. Mas se é a
vida em si, então qualquer dia trancado em casa, em silêncio é uma vitória a ser comemorada.

Convenhamos que essa última idéia é um tanto quanto conformista, na medida em que tudo é (parece) satisfatório. Mas também a exigência demasiada é prejudicial, na medida em que nada do que se faz parece bom o suficiente. O método de comparação dá margem a isso. Porque, isoladamente, sempre haverá alguém melhor do que você em qualquer aspecto.

Besta de mim, admito que eu faço parte do segundo grupo. Besta de mim, porque sinto que nenhuma vitória é boa o suficiente, nenhuma situação é satisfatória o bastante. Parece uma inquietação constante, querendo o que não se possui. Auto-afirmação constante, seja intelectualmente, socialmente, musicalmente, esportivamente, e o mais destrutivo, no que tange opinião.

Pior ainda, quando nem de perto se é o melhor em algo. O patamar mais temido pelo inquieto: a mediocridade. O constante estar na média, ser razoável em tudo, ser completamente coadjuvante de qualquer coisa. É o meu maior medo. Sinto que se você é ruim demais ou bom demais, há todo um realce, um destaque que segrega o destacado do mediocritas. As pessoas medianas tendem a se permutar e gerar mais pessoas medianas, e assim, com essa postura de destino, de aceitação de um futuro que não é seu, mas de algum desentendido que resolveu chamar-se destino. É a arma maior de anular vontades de vencer.

A postura que sempre nivela por baixo, a pessoa medíocre sempre pensa “há piores”, E eu nunca vou me conformar em fazer parte disso. Ok. Pode ser que eu já seja, pode não ser uma opção. Eu posso simplesmente ser alguém aquém das minhas ambições. Mas ambições, ah! como as tenho! Ah! Como as amo! Não sei se a ambição pode me levar para um patamar diferente do normal, mas juro que ela é a força motriz da minha vontade e aspiração de mudança.

Mas sei lá. Ainda não descobri a forma de não ser um grande e velado coadjuvante. A sensação constante de ser dispensável. A grande impressão de que sua existência no mundo é irrelevante. Não, não estou em depressão, nem tampouco pensando em me suicidar. Eu sou egoísta demais pra isso. Juro que, a despeito de toda a moral que nega isso, eu me amo! Pra mim, obvio que eu não sou coadjuvante, afinal sou astro diretor e produtor do constante filme que transpassa pelas minhas retinas. Em widescreen!

Mesmo assim, mesmo sendo a diferença pra mim, eu ainda sinto que para o resto do mundo, que eu sumisse amanhã, e ninguém ia notar a diferença. O mundo não seria um lugar mais triste por isso. Talvez menos crítico, mas definitivamente, não mais triste. E é por isso que eu to me questionando. Como é que eu posso fazer para fazer a diferença, pra ser levado a sério, pra ser relevante?

Hoje, no mundo, é difícil achar uma razão válida, uma bandeira sem máculas pra carregar, alem de qualquer avenida carnavalesca, pra longe aliás dessa expressão da alienação de qualquer outro ser humano que crê na própria importância, mesmo que seja completamente irrelevante.
Não posso dizer que nasci pra ser importante, mas com certeza posso dizer que eu nasci pra tentar. Nunca vou aceitar ser um qualquer sem lutar.

Hoje, eu sei que sou um qualquer, mas sei que no futuro, ou eu não serei, ou eu morrerei tentando. Deixe a simplicidade pra quem a aprecia. Eu quero é a erudição. E tenho dito.

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