domingo, 17 de outubro de 2010

Gregory House, M.D.

Vou ser um pouco repetitivo aqui, afinal, é muito comum escrever sobre algo que se gosta. Mas sei lá, eu sempre fui um cara crítico, sempre odiei a maioria das modinhas e tendências, o que faz de mim um grande idiota para a maioria das pessoas, e que faz de mim, eu mesmo, pra quem importa. Mas “House M.D.” sempre me intrigou, por ser uma série de difusão impressionante, podendo ser considerado até mesmo uma modinha que me pegou no contrapé.

Posso dizer que eu fiz a contramão de meus amigos que gostam da série, já que muitos deles resolveram fazer Medicina graças à série. Eu comecei a cursar Medicina, e depois, por coincidências do destino, acabei cruzando meu olhar por uma tela que tivesse essa brilhante atuação de Hugh Laurie na pele do Dr. Gregory House. Mas mais curioso de tudo, é que pouco me interessa a parte médica do seriado, muito embora o enredo de David Shore tenha seu quê de genial e lúdico nesse setor.

O que me intriga mesmo é a porção social e emocional, a profundidade da série como um legítimo e inovador drama. Foge dos padrões das séries de hoje, com histórias de amor clichês ou humor fino. Transcende isso para um âmbito sincero de relacionamentos, conflitos, desvios morais, conformidades e, mais importante, o jogo de aparências, os paradigmas quebrados pela figura do Dr. House.

Quem acompanha meus textos irá perceber claramente o posicionamento crítico, racional e essencialmente anti-hipocrisias. E a desmistificação do meu interesse, mais do que pela série, pelo personagem de Laurie, é o modo de pensar dele. Os conflitos que advém da quebra total da hipocrisia, do sucateamento de julgamentos alheios, da valorização (até excessiva) da própria intelectualidade, da sinceridade arrogante, das mentiras convenientes.

Toda uma carga de conceito e realidades diferentes do que é vendido por todas as séries faz com que eu me sinta envolvido. Tudo o que eu prezo, e que me ferra muito por seguir, que é essa coisa de querer “preto-no-branco” e ser taxado de inocente, tudo isso me leva a crer que “House M.D” é algo mais do que os seriados que eu costumo orgulhosamente ignorar.

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