Que mania de criança!
Mania essa de querência,
Mania de ditador de quem o ama
Mania de birrento de quem não o atura
Se acaba aprendendo a controlar.
Mas esquecer? Nunca.
Ninguém se esquece de querer
De querer agora.
E se amanhã eu disser que quero depois
É porque penso desde ontem,
E me remói o pensamento
Ser não mais criança.
As necessidades foram mais simples
As querências mais acessíveis
Os pais mais complacentes
As crianças mais felizes.
E hoje, quando já não sou mais criança
Invejo aqueles que não cresceram
Que em seus 20 e poucos
São crianças
Pois têm tudo o que querem.
Odeio o que amaria.
Se soubesse, eu faria!
Se pudesse, eu seria!
Detesto dançar-a-dois
Se meus pés esquerdos não fossem dois
Dançaria até sozinho.
Abomino amar os belos
Se fosse um deles,
Amaria ser amado.
Odeio não ser inconseqüente
Se as conseqüências não fossem tão não-eu
Seria eu quem eu mesmo odeio?
E veja que amo escrever,
Amo a música, amo falar.
Adoro apreciar uma bebida,
E traçar planos pro futuro.
Porque isso, eu faço,
Não sonho em fazer.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário