Por palácios que contemplam a miséria
E favelas com mirantes que contemplam o bom gosto
Pela sociedade que contempla uma injustiça atroz
Calados,
Desarmados,
Desconsolados
Eu quero a arte
Que na poesia faz minha voz ecoar
Que nas performances me faz armada
E ainda que pouco influente
No coração consolada.
Pela lógica do sistema
Que quer te comprar
Mas também quer te vender
Que chamam liberdade
O rico enriquecer
Eu quero a singeleza
Que não me custa dinheiro
E me trás de brinde
Muito valor, paz e nobreza.
Pela feia fumaça
Que apaga da cidade a beleza
Pelos rostos pálidos
E pelas cinzas
Que ocuparam o lugar da natureza
Pelas flores que o concreto enterrou no seu quintal
E pelas roupas desbotadas no varal
Eu quero a cor
que preenche esses jardins
cora essas faces
enche os olhares
e transborda nos corações
Pela rotina que não desejo
Pelo amor que amorna
Pelos sentimentos medianos e amenos
e o eterno repetitivo
Eu quero a paixão
que é eternamente saborosa
ainda que finita
que é profundamente verdadeira
ainda que por um dia.
Simplesmente pela dor
Pelo ruído das vozes assustadas
Pelo calor das lagrimas angustiadas
Pelo amargo do nosso desgosto
Eu quero a satisfação dos sentidos
Que é minha única solução egoista
O doce
O afinado
O odor entorpecente
E o gozo
Que só de sacanagem
É mais gostoso que sua ganância, sua insanidade
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