sábado, 2 de janeiro de 2010

O quanto as palavras devem valer.




            É algo muito engraçado. Ou trágico, dependendo. O valor que atribuimos a certas palavras, o que deixamos de delegar a outras, tudo errado.
            A começar pela relação que se estabelece entre amizade (ou inimizade) e palavras. Por vezes, damos mais importância para uma crítica do inimigo, do que para o elogio de  um amigo.  Sabe-se lá porque. Você odeia o sujeito, mas o que ele te fala atinge com força, tal que se quer provar o contrário, e não existe viabilidade para tal.
            Também o momento em que se ouve e diz palavras. O estado emocional do falante (e do ouvinte). No momento de raiva, em que falamos coisas sem sentido, mesmo que para ferir, descontar, descarregar. E justo em quem mais amamos. Ou senão, no momento de confiança, que um simples "olá" da pessoa pretendida é esmiuçado e traduzido em intenções e esperanças, sendo que, nem sempre isso traduz a verdade.
            Não é fascinante, a diferença sutil (e abissal) que a intonação de uma expressão nos atinge de modos diferentes? Para isso, tomemos como exemplo uma passagem em um vídeo da internet, no qual, brilhantemente, Leandro Hassum e Marcius Melhem abordaram a questão do palavrão. Na ocasião, discutia-se a utilidade do "filho da puta". Em primeira instância, apresentavam-se dois amigos que não se viam há tempo. Um interpelava -"Seu filho da puta, quanto tempo!" e depois vinha um caloroso abraço. Em segunda análise, apresentava-se dois sujeitos num bar. Um acompanhado, o outro, só. De repente, o solitário faz um gracejo, e prontamente, o outro diz "Tira a mão, seu filho da puta, que a ´mulé´ tem dono". Não foi calorosa a reação do outro.
            Enfim. Acho importante atentarmos para esses tipos de análise. Às vezes, vale a pena reconsiderar situações em que a irracionalidade toma conta de quem fala, e depois, tentamos analisar de modo racional a atitude de tal. Nunca chegaremos a um consenso, a não ser que vejamos exatamente o que está por trás do que se diz, e não as palavras, propriamente ditas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

 
Site Meter