quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Cara-a-cara

            Ontem estava lá, pensando com os meus botões. Sobre telemarketing. Bastante estranho, já que é uma das coisas que mais abomino na vida. Mas resolvi ponderar, com alguma paciência, e deixar a raiva de lado por uns poucos instantes.
            O problema desse tipo de serviço reside essencialmente na impessoalidade. É a mesma coisa que você estar no “msn” conhecendo uma pessoa nova, para a qual se apresenta como bem entender, já que não há um compromisso presente. A(o) atendente será convenientemente agradável e educada ao fone, mesmo que você seja um brutamontes, porque ela nunca viu você, e tampouco vai ver a sua face ou escutar a sua voz e reconhece-la em outra ocasião.
            E esse mesmo oportunismo justifica o fato de eles protelarem datas, procrastinarem entregas e mudarem condições sem te consultar, visto que você não terá uma entidade concreta para a qual apelar. Depois que você já pagou pelo serviço, está agora dependendo da (má-)vontade desses profissionais.
E refletindo bem, o mundo tem ficado mais impessoal, no âmbito geral. As relações não têm mais o compromisso, as pessoas não querem mais se ver, a comunicação rápida e impessoal do computador, que deveria ser um adendo social, acaba por se tornar um distanciamento. Estamos criando neo-ermitãos.
O compromisso com o trabalho, com a ética e com os valores, que se via, por exemplo em negociações cara-a-cara, se tornou na falta de compromisso do telemarketing. Literal e metaforicamente. Afinal, com quem eu falo, com meus amigos, ou com uma tela?
Pensem nisso.

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