sexta-feira, 20 de maio de 2011

Minissérie #3

Os ânimos estavam acirrados. Sabe-se lá porquê aquele dia parecia tão agitado pra ela. As pessoas estavam preocupadas com provas, ou quaisquer outras coisas que não estariam tão evidentes. Ela vislumbrava a janela, em que escorriam gotas de uma chuva chata, daquelas fininhas que encharcam a roupa, e que refletia sua face bonita, com olheiras que refletiam algum esforço inútil em ter estudado de madrugada.

Aquilo não era pra ela. Estudar não. Talvez nem tanto outras coisas também. Ela realmente não pensara em nada pra fazer. Como não pudera ficar vagabundando o dia todo em casa, iria para a escola, somente pra preencher um tempo que não seria empregado em nada. Afinal, por que simplesmente ela não poderia ser uma especialista em nada? Quem disse que isso é errado?

Ele vislumbrava a manhã nublada como uma qualquer, a não ser pelo fato que as pessoas se aproximavam muito mais dele nesse período pré-prova. Não que importasse. Ele fazia os comentários que faria mentalmente sobre a matéria, se não o indagassem. E ainda era considerado simpático.

Claro, também, que ele vislumbrava as pessoas que simplesmente não se importavam com nada. Ficavam lá, nos cantos, escutando música e/ou pensando em qualquer outra coisa que não a prova. Não que importassem também. Mas só lhe intrigava o fato de alguem conseguir ficar em tamanho ócio mental, mesmo frente à uma obrigação simples e corriqueira como aquela.

Como fosse, fizeram a prova. Nada demais: para um, rotina. Exatamente o que fora exposto em sala. Para outra: indiferença. nada daquilo que se apresentava fazia sentido. Nem tampouco o professor que lhe dera a matéria vinha à sua mente.

A subsequência se deu como sempre, cada um retorna a sua rotina, nada demais, até que saísse a nota da prova. Ele tinha ido bem. Ela tinha zerado mais uma prova. E nem lhe afetaria esse fato, se logo em seguida ela não tivesse de ir à sala do diretor. E mesmo isso não seria um incômodo se sua mãe não estivesse naquela sala.

O diretor falava, e dramatizava, dizia que falara mil vezes para ela se concentrar, prestar atenção, que todos os professores falavam, que ninguém poderia convencê-la de estudar e tomar um rumo na vida, enquanto a mãe ia ficando constrangida e chorosa, e a menina indiferente.

Mas lá dentro, ela estava frustrada, porque, a única coisa com que se importara na vida, era o bem-estar da mãe. De um jeito desastrado e leviano, mas ainda assim, sincero. Fazer a mãe sofrer era tudo o que ela não pretendia. Desse modo é que ela acabou por começar a frequentar o colégio. E não pareceria tão difícil, se fosse algo somente presencial. Mas ela realmente não esperava por este golpe. Ainda assim, sua face estampava indiferença, mais pelo costume do que pelo vir-a-ser.

Ela fazia as mesmas promessas vazias de que iria se empenhar para melhorar, frente à professor e diretores. Mas ter aquele silêncio cabisbaixo da mãe acompanhando o som dos passos de um all-star surrado, numa dessas ruas de subúrbio pouco movimentadas que iam dar de encontro com sua casa, era uma sensação desesperadora.

A mãe não confiara plenamente em sua capacidade. Mas confiava um pouco. Era daquelas mães iludidas, que sempre pensam que o insucesso do filho é uma obra do acaso. Não enxergam que incentivando o insucesso, só irão tornar os filhos mais confortáveis na mediocridade.

No dia seguinte, as olheiras ainda pesavam sob os olhos inchados. Se a indiferença estampava os arredores daquelas olheiras agora, certamente que não se pareciam com a expressão carregada de lágrimas frustradas. Sua mãe acompanhaou sua ida à escola dessa vez. Não tocara no assunto uma vez sequer. Só disse "faça o melhor, eu sei que você pode". E se despediu com um abraço de mãe, daqueles que aquecem a gente de dentro pra fora.

O início da aula foi complicado. Ela se sentia na obrigação de reagir. Já sentira isso em outras vezes nas quais fora advertida pela falta de interesse. Mas como sempre, não sabia como começar. Ficava com vergonha de perguntar, pois não sabia do que se tratava. Nem a mínima idéia. E esse primeiro dia geralmente passava numa confusão mental, que terminava na desilusão dela, acerca de entender alguma coisa.

Mas não daquela vez. Daquela vez, o que estava em jogo era mais do que o jugo dos professores. Era a esperança da mãe. Aquela esperança que vinha como o tempo. O tempo, independente de você aproveitá-lo ou não, virá. E se for pra gastá-lo com nada, terá sido em vão. Assim era a esperança da mãe. E ela não poderia jpgar fora isso, mas do que já havia feito.

E assim, ela conseguiu ver algo que antes não conseguira. Outras pessoas conseguiam corresponder. O que é que eles têm? Ela não sabia. E talvez, essa necessidade seria o início de um grande impasse na vida dela. No momento em que decidiu pedir ajuda à ele.

Um comentário:

  1. Comentando pq o feedback sempre é importante, embora esteja mais pra um incentivo quem um coment. Fico bom, mais pode ficar melhor hauhuaha, pelo fato que as pessoas não devem acomodar e eu sou um hipócrita falando isso, mais tudo bem xD. Parece tomar um rumo previsivel a história, embora vindo de vc, sei que muita coisa ainda pode mudar.
    Não busque a perfeição ou o melhor que você pode dar. Busque apenas ser melhor hoje do que foi ontem, assim, não haverão limites. E esse foi um momento de filosofia, que obviamente apresenta falhas (porque elas sempre existem), mais que eu escrevi por não ter mais nada pra fazer auhauhauha.
    Falou Japoneis! Bom trabalho com o blog!

    Ps.: Ignorem erros de pt. neste comentário. xD

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