Mas para falar nos meios termos, tenho que, primeiro, apresentar os extremos. Observe o exemplo na história da literatura. Desde que começamos a registrar os pensamentos em pedras até 1922 (aqui no Brasil), alternamos basicamente entre duas maneiras de escrever: clássica ou greco-romana (racional, objetiva) e medieval (subjetivista, emocional).
Para tudo, seja na forma (ou na ausência de forma), seja na temática, mudamos sempre bruscamente, aos trancos. Tão somente acabaram as prisões ideológicas quando a tensão assolava o mundo, no entreguerras (1919-1939).
Aí então, nos libertamos, embora com alguma resistência daqueles que não aceitam mudar o seu modo de vida: os extremistas. Passamos a ter liberdade temática, liberdade formal, liberdade para nos expressarmos sem a artificialidade de regras. Isso foi o início da transição que o modernismo veio a ser e permanecer.
Pois então, na vida ainda somos extremistas. Quer exemplos disso? Se pertencemos à alguma religião, só o "nosso" Deus existe (e criticamos os outros, mesmo sem qualquer conhecimento de causa). Se temos partido político, não importa o quão idiota seja o o candidato desse partido, iremos apoiá-lo.
Então, se a arte imita a vida, chegou o momento em que temos de ter humildade e imitar a arte na vida. passemos a escolher o melhor para nós sem nos preocuparmoscom ideologias, regras ou preceitos. Saber, em cada situação que temos liberdade para escolher o melhor para nós (sem prejudicar ninguém). Vamos largar de ser tão "parnasianos" ou "românticos". Sejamos modernistas. Vamos pegar o melhor de cada coisa: a perfeição parnasiana, a emoção romântica. Os melhores aspectos do fragmento, essa colcha de retalhos que se chama meio-termo.

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