Talvez esse não seja mesmo o meu lugar, talvez eu seja só mais uma em meio a um milhão. Na realidade, isso nem me importa muito. Não quero ser nenhuma heroína nem uma garota exemplar, que todos gostam e admiram. Quero ser apenas eu, apenas a pessoa que ri de tudo, que adora o seu sorriso, e que fica feliz só de te olhar. Quero ser essa pessoa difícil de entender, temperamental, e que ri mesmo quando você a irrita. Não sou o que quero ser, mas talvez queira mesmo ser assim, complicada e descomplicada, desajeitada, desastrada. Não quero saber lidar com as palavras, não quero ser um gênio, quero escrever o que me vem à cabeça. Não quero saber lidar com meus sentimentos, no fundo até gosto dessa confusão que sinto aqui dentro e que me mantém viva. Quero ser essa menina confusa, que não gosta de nada e que gosta de tudo. Não quero entender o mundo, nem ser muito inteligente, pois me assustaria demais. Não quero me preocupar demais com os problemas pequenos, quero poder viver além de tudo isso. Quero saber perdoar, saber esquecer. Não quero guardar mágoas, quero saber pedir perdão. Quero saber entender mais os sentimentos das pessoas, e entender menos os meus. Quero essa coisa maluca de ouvir milhões de vezes a mesma música, viver milhões de vezes os melhores momentos da minha vida, reviver o passado, planejar o futuro, mesmo que esse futuro não seja meu. Quero continuar sendo feliz só de ouvir tua voz, quero continuar escrevendo e lembrando do teu sorriso. Quero poder dizer “eu te amo” a todos meus amigos, meus amores, minha família. Quero jurar-te amor eterno, mesmo que esse amor nem possa realmente ser eterno. Não quero enganar as pessoas, e nem a mim. Quero apenas viver os momentos felizes, sem perguntar o porquê de eles serem felizes. Quero saber apenas o necessário, quero poder me alienar às vezes, sem realmente ser uma pessoa alienada. Quero saber enfrentar meus problemas. Na verdade, quero ter problemas a enfrentar. Quero essa dificuldade da vida, esse sofrimento, essa falta de respostas; quero encontrá-las. Não quero nada com facilidade, quero ir à luta, poder ficar orgulhosa de mim mesma. Quero me perder às vezes, pra só depois conseguir me encontrar. Quero chorar sem nem sequer saber o motivo. Quero ficar só, pra só depois dar o real valor às amizades. Quero essa sensação de paz, harmonia comigo mesma. Quero chegar ao extremo de não me entender, e acabar entendendo. Quero continuar escrevendo, e escrevendo, só pra colocar para fora tudo o que sinto, ou nem sinto. Quero sentir tanto e não sentir nada. Quero acabar sendo assim mesmo, como sou, e ser feliz, mesmo sendo como sou.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
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