quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Circular
Não sei de nada
Nunca tive que comprar uma passagem pra vida
E também não sei quando o cobrador vai me chutar pra fora
Perceber que não tenho mais tempo
O dinheiro com que pago a estadia forçada.
Ninguém nunca veio me dizer
Todo mundo sugere
O mundo sugere um bocado de coisas
Um monte de caminhos parecidos
Que dão no mesmo lugar
Um lugar sem sentido,
Mas com muita companhia
De gente que seguiu a mesma cartilha
Pra chegar a lugar nenhum
Pelo menos não é sólitário
Solitário é quem começa a achar
Na sua pequeneza,
Que existe algum caminho melhor
Ou algum destino mais nobre
Pobre desse que ficará sozinho
Não literalmente,
Mas somente escolherá um caminho
Que desembocará um estuário de egoístas
Iludidos que acreditaram que a vida tem um sentido
Linear, não circular.
Feche seus cíclos,
Ou morrerás em aberto
Com a fatura a pagar
E sem tempo pra se arrepender.
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